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Política

Zeca Viana quer instalar CPI da “grampeonagem” dos militares

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A Assembleia Legislativa recebeu o pedido para a abertura de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O pedido foi feito pelo deputado estadual Zeca Viana (PDT) que quer que a casa investigue a denúncia de existência de interceptações telefônicas clandestinas no âmbito da Policia Militar de Mato Grosso, no governo Pedro Taques (PSDB).

A existência de uma central clandestina de grampos, a chamada “grampeonagem” veio a público após a denúncia do promotor de Justiça Mauro Zaque, que foi o primeiro secretário de Segurança Pública na administração Pedro Taques. Segundo Zaque, militares agiriam supostamente em nome do Núcleo de Inteligência da PM para “grampear” ligações a mando do primeiro escalão do governo Pedro Taques (PSB). O coronel Zaqueu Barbosa, que na época era o Comandante-Geral da Policia Militar de Mato Grosso, foi preso na terça-feira acusado de ter sido o comandante das operações clandestinas, que faziam escutas em telefones, principalmente celulares de políticos, advogados, desembargadores e jornalistas.

Quero cobrar, mais uma vez dos colegas, para que se sensibilizem para a importância de abrir essa CPI. Vamos mostrar para a sociedade que essa Casa não está aqui para brincadeiras. Que essa Casa não admite esse tipo de falcatrua, abuso e assalto aos direitos do cidadão”, disse Viana, durante a sessão desta quarta-feira (23) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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O pedido de abertura da CPI do deputado estadual Zeca Viana conta com o apoio dos deputados de oposição Allan Kardec (PT), Valdir Barranco (PT), Janaína Riva (PMDB) e Silvano Amaral (PMDB). São necessárias ao menos mais três assinaturas para que o requerimento para abertura da comissão seja votada em plenário.

Quero fazer um apelo. Vamos assinar essa CPI. Vamos fazer com que essa Casa cumpra com o dever dela, de fiscalizar. Só assim nós vamos poder, com mais rapidez, ter acesso aos nomes de todas as pessoas que foram prejudicadas com esse grampo”, afirmou.

Para Viana, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso não pode ficar omissa enquanto deputados são alvos de interceptações ilegais. Por isso a necessidade de abrir a CPI.  “Se não for pela CPI, individualmente cada um de nós vai ter que procurar, perante a Justiça, se o nome da gente está ou não nessa lista. Então, quero apelar aos deputados sobre a importância dessa CPI à população”, disse.

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Ainda segundo Viana, os cinco deputados da oposição estão trabalhando para pedir na Justiça o afastamento e punição de todos os envolvidos no suposto esquema ilegal de grampos. “Nós cinco estamos buscando, junto com advogados, para pedir o afastamento de todas as pessoas envolvidas nesse caso dos grampos, porque é inaceitável vivermos esse projeto de ditadura em nosso Estado. O governador extrapolou todos os limites”, atacou.

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Política

“A minha tese foi vencida no debate democrático dentro do PT e eu tenho que respeitar essa decisão”

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A dinâmica das forças de centro-esquerda em Mato Grosso ganhou novos contornos políticos após a confirmação de divergências internas profundas quanto à estratégia eleitoral para a composição da chapa majoritária regional. O debate central gira em torno da definição do apoio formal da Federação Partidária ao nome do ex-governador Pedro Taques (PSB), que desponta como o indicado para ocupar a segunda vaga na disputa ao Senado Federal. Essa deliberação “expôs as fraturas” e as diferentes visões táticas que coexistem dentro do bloco progressista mato-grossense, sinalizando que a coesão partidária exigirá intensas negociações nos bastidores.

Este posicionamento oficial e os desdobramentos públicos das discussões internas ocorreram nesta semana de junho, um período considerado crucial pelas agremiações partidárias devido à proximidade das convenções homologatórias. O avanço do calendário eleitoral impõe celeridade às costuras políticas, exigindo definições claras das lideranças para a consolidação das chapas que disputarão o pleito de outubro. A pressa das legendas em fechar os acordos reflete a necessidade de iniciar o planejamento de marketing e a distribuição dos recursos dos fundos eleitorais com antecedência.

As principais articulações e os debates que culminaram nessa definição estratégica concentram-se em Cuiabá, o epicentro político e administrativo de Mato Grosso, onde estão sediadas as diretorias estaduais dos partidos envolvidos. As decisões tomadas na capital ecoam imediatamente por todas as zonais e diretórios municipais do interior do estado, influenciando diretamente o engajamento das bases militantes na futura campanha. A centralização dos debates na capital sublinha a importância de unificar o discurso em uma unidade federativa de vasta extensão territorial e realidades regionais distintas.

O principal fator desencadeador desse processo de acomodação política é a busca pragmática por densidade eleitoral e por nomes de forte recall junto à população para enfrentar o favoritismo dos blocos conservadores. A busca por alianças amplas sobrepôs-se, no âmbito do Diretório Estadual Majoritário, à defesa de uma tese de identidade partidária pura, gerando descontentamento em setores que defendiam o protagonismo orgânico da legenda.

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A necessidade de sobrevivência política e de ampliação do palanque majoritário forçou o partido a abrir mão de teses históricas em prol de um projeto considerado mais competitivo.

Os protagonistas centrais desse embate de visões são o deputado estadual Lúdio Cabral, principal voz dissidente no processo, e o ex-governador Pedro Taques, beneficiário direto da articulação aprovada pela maioria partidária. Enquanto Cabral personifica a ala que defendia uma construção alternativa ligada ao senador Carlos Fávaro (PSD), a Direção Executiva Estadual representa o grupo que chancelou a aliança com o pessebista. Esse “choque de posicionamentos” coloca em evidência as lideranças de expressão nacional e regional que tentam ditar o ritmo da sucessão e das vagas proporcionais.

O método utilizado para a resolução desse impasse seguiu os ritos formais dos estatutos partidários, por meio de votação interna realizada pelas instâncias deliberativas da direção estadual, onde a tese da aliança ampla sagrou-se vitoriosa. Após o resultado, o parlamentar vencido utilizou os canais de comunicação com a imprensa para manifestar publicamente sua postura de respeito ao centralismo democrático e às decisões majoritárias, apesar de suas restrições pessoais.

Esse rito de pacificação pública é adotado frequentemente para mitigar desgastes na imagem pública e evitar o esvaziamento das futuras mobilizações de rua.

A motivação que baliza a decisão da maioria da Executiva reside na urgência de garantir uma vaga competitiva no Senado e de fortalecer o palanque de oposição ao atual governo estadual. Os defensores da aliança argumentam que a figura do ex-governador agrega experiência administrativa e um eleitorado cativo na região metropolitana, elementos considerados essenciais para o sucesso do campo progressista.

Por outro lado, a ala vencida sustentava que o momento exigia a renovação de quadros e a valorização das lideranças femininas da própria legenda, visando o fortalecimento partidário a longo prazo.

O público-alvo dessa construção política, e o principal afetado pelas definições, é o eleitorado progressista histórico de Mato Grosso, além das bases de apoio dos movimentos sociais e dos sindicatos vinculados ao campo de esquerda. Esse universo de eleitores recebe as decisões de cúpula com diferentes níveis de aceitação, o que exige das lideranças um esforço redobrado de comunicação para justificar as alianças de conveniência. O sucesso da estratégia dependerá diretamente da capacidade do partido de transferir votos de sua militância orgânica para um candidato outrora considerado adversário político.

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O custo político dessa operação partidária mensura-se pelo risco de desoneração e desmotivação de parcelas importantes da militância e pelo potencial tensionamento com aliados históricos da Federação Brasil da Esperança, composta ainda por PCdoB e PV. O preço pago pela busca da governabilidade e da viabilidade eleitoral imediata pode se traduzir em dificuldades de engajamento voluntário durante o período de campanha nas ruas.

Além disso, a manutenção desse arranjo exigirá concessões financeiras e de espaço em futuros palanques, impactando a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

Os desdobramentos imediatos desse cenário apontam para uma nova rodada de negociações complexas, uma vez que a posição aprovada pelo partido majoritário ainda precisará passar pelo crivo e pela homologação das demais legendas da federação. A postura pragmática adotada pelo deputado dissidente, que garantiu que fará campanha para toda a chapa homologada nas convenções, reduz o risco de uma fratura exposta irreparável na pré-campanha.

A evolução desse xadrez político determinará se a centro-esquerda conseguirá construir uma narrativa de unidade convincente ou se as divergências internas enfraquecerão o projeto eleitoral.

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