OS SELECIONADOS DA FIFA
Quanto um árbitro recebe para apitar uma Copa do Mundo?
Com o início da Copa do Mundo de 2026 nesta quinta-feira (11), o jornal inglês Mirror revelou os valores destinados à arbitragem do torneio. Segundo a publicação, os 52 árbitros principais selecionados pela FIFA, entre eles os brasileiros Ramon Abatti Abel, Rafael Claus e Wilton Pereira Sampaio receberão, de forma fixa, cerca de € 75 mil euros (aproximadamente R$ 520 mil). Esse montante cobre ainda diárias e custos extras pagos pela entidade, além de bônus em dinheiro conforme o avanço nas fases decisivas.
A curiosidade dos fãs de futebol aumenta com o pontapé inicial do Mundial, e perguntas sobre a remuneração da arbitragem ganham destaque. Os profissionais selecionados integram o “Team One”, que reúne 52 árbitros de campo, 88 assistentes e 30 árbitros de vídeo (VAR), totalizando 170 integrantes de 50 federações nacionais. Esse grupo será responsável por conduzir todas as partidas, desde a fase de grupos até a grande final.
O pagamento dos oficiais não é calculado jogo a jogo, mas sim pela participação completa no campeonato. Assim, cada árbitro de campo receberá o valor fixo de cerca de € 75 mil euros independentemente da quantidade de partidas apitadas. A ideia da FIFA é oferecer estabilidade financeira aos participantes e evitar variações bruscas no rendimento, permitindo que o foco seja totalmente voltado à qualidade técnica dos jogos.

Além do valor-base, existem bônus escalonados de acordo com a relevância das partidas. Quanto mais decisiva for a fase em que o árbitro atua, especialmente semifinais e final, maior será o prêmio em dinheiro. Essa política de incentivos tem como objetivo recompensar o desempenho em partidas de maior pressão e visibilidade.
Além dos pagamentos, a FIFA garante benefícios como hospedagem em hotéis de alto padrão, alimentação, traslados e uniformes oficiais. Todas as despesas extras, como transporte interno e logística de materiais, ficam a cargo da organização, garantindo que os árbitros concentrem-se apenas em suas funções dentro de campo.
Por fim, a experiência de apitar um Mundial pode alavancar a carreira dos árbitros em seus países de origem. O contato com profissionais de diversas confederações e o aumento da visibilidade internacional costumam abrir portas para convites em outras competições de alto nível, gerando novas oportunidades de renda e desenvolvimento na carreira.
ESPORTES
Três cerimônias de abertura com espetáculo multicultural no México
A Copa do Mundo de 2026 iniciou oficialmente uma nova fase na história do futebol internacional ao promover, pela primeira vez, cerimônias de abertura em três países-sede. O torneio, organizado conjuntamente por México, Canadá e Estados Unidos, adotou um formato inédito que contempla eventos inaugurais em diferentes cidades do continente norte-americano, reforçando o caráter multinacional da competição e ampliando sua dimensão cultural e simbólica.
A primeira solenidade ocorreu nesta quinta-feira (11), na Cidade do México, no tradicional Estádio Azteca, atualmente denominado Estádio Banorte. O evento começou pontualmente às 11h30, sob temperatura de aproximadamente 24 graus, e reuniu mais de 85 mil espectadores. O local foi escolhido por seu significado histórico, já que sediou as cerimônias de abertura das Copas do Mundo de 1970 e 1986, consolidando-se como um dos palcos mais emblemáticos do futebol mundial.
A celebração mexicana teve como tema central a valorização das raízes culturais do país. Sobre um grande tapete azul-claro que cobria o gramado, bailarinos vestidos com trajes inspirados nas civilizações asteca, maia, olmeca e tolteca realizaram apresentações coreográficas ao redor de uma réplica gigante da taça da Fifa. O espetáculo buscou destacar a herança histórica dos povos originários e sua contribuição para a identidade nacional mexicana.

Um dos momentos mais simbólicos da cerimônia ocorreu quando a cantora mexicana Lila Downs surgiu no centro do estádio e declarou, inicialmente em inglês, a mensagem “football unites all”, traduzindo-a em seguida para o espanhol como “fútbol nos une a todos”. A frase sintetizou o principal propósito do evento: destacar o futebol como instrumento de integração entre povos, culturas e nações.
A abertura da Copa do Mundo também ocorreu em um contexto marcado por debates políticos e diplomáticos relacionados ao torneio. Entre os episódios registrados antes do início da competição estão a deportação de um árbitro somali, o prolongado interrogatório de um jogador iraquiano em procedimentos migratórios, restrições envolvendo a delegação iraniana e relatos de dificuldades para concessão de vistos a turistas interessados em acompanhar partidas nos Estados Unidos.
Após as homenagens culturais, o estádio transformou-se em um grande palco musical dedicado à valorização da produção artística latino-americana. A programação teve início com a banda mexicana Maná e prosseguiu com apresentações do venezuelano Danny Ocean, da espanhola Belinda e do tradicional grupo Los Ángeles Azules, reconhecido como uma das maiores referências da música popular latino-americana.
O espetáculo ganhou ainda mais intensidade com a entrada do cantor colombiano J. Balvin, que surgiu em um carro cenográfico especialmente preparado para a cerimônia. Na sequência, a cantora Shakira protagonizou um dos momentos mais aguardados da programação ao interpretar, ao lado do artista nigeriano Burna Boy, a canção oficial da Copa do Mundo, intitulada “Dai Dai”, criada com a expectativa de repetir o impacto global alcançado por “Waka Waka”, música-tema do Mundial de 2010, na África do Sul.

A parte final da solenidade reuniu elementos visuais de grande impacto. Uma intensa fumaça nas cores verde e vermelha tomou conta do estádio enquanto o tapete azul era removido do gramado. Em seguida, um globo terrestre surgiu no círculo central e foi acompanhado pela entrada dos porta-bandeiras das 45 seleções participantes, culminando com a exibição dos estandartes dos três países anfitriões da competição.
Entre os momentos mais emocionantes da cerimônia destacou-se a apresentação do tenor italiano Andrea Bocelli, que realizou um dueto com a cantora sul-coreana EJAE. Na ausência da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que optou por não comparecer ao evento em solidariedade aos cidadãos impossibilitados de adquirir ingressos, a declaração oficial de abertura da Copa coube ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, acompanhado da atriz mexicana Salma Hayek.
Encerradas as festividades, as seleções do México e da África do Sul entraram em campo para a partida inaugural. Os hinos nacionais foram interpretados pela cantora sul-africana Tyla, vencedora de prêmios Grammy, e pelo cantor mexicano Alejandro Fernández, conhecido internacionalmente como “El Potrillo”. A execução emocionou o público presente, que respondeu com forte ovação. Na sequência, teve início o primeiro jogo da competição, sob arbitragem do brasileiro Wilton Pereira Sampaio, marcando oficialmente o começo de uma Copa do Mundo que já entra para a história por sua dimensão inédita e alcance global.
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