Política
Suposto pagamento irregular a ex-servidor volta à discussão na Câmara Municipal
O episódio envolvendo o vereador Mario Antonio Moyses Nadaf (PV) e o ex-servidor comissionado Edlael Graciano Lima Marques que supostamente recebeu R$ 45 mil reais indevidamente voltou a ser assunto na Câmara Municipal de Cuiabá nesta quinta-feira (26).
As informações da Comissão de Sindicância que foi instaurada na Câmara Municipal de Cuiabá, diz que Edlael Graciano Lima Marques, teria recebido na época nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2017, R$ 11.325,72, totalizando assim totalizando R$ 45.302,88, conforme aponta o relatório, o valor é referente ao salário de um vereador que possuía o mesmo número da conta corrente do servidor.
Ainda conforme o relatório da Comissão de Sindicância da Câmara de Cuiabá, “houve um erro strictu sensu da Administração (erro fortuito decorrente de alguma desatenção ou falha na alimentação de sistemas lógicos) o qual gerou o pagamento indevido ao servidor”.
Edlael Graciano Lima Marques era contratado como Assessor Parlamentar VIII, CTMD-CM10, com salário mensal de R$ 1 mil.
Desta vez, o vereador Gilberto Gomes de Figueiredo (PSB) protocolizou um requerimento parlamentar solicitando esclarecimentos sobre o caso.
“Este fato foi repercutido na imprensa, mas nenhum vereador tomou conhecimento ou foi informado sobre a sindicância. Quero saber quais providências foram tomadas e como anda essa investigação“, pontuou Gilberto.
O requerimento é destinado ao presidente da Casa de Leis, o vereador Justino Malheiros (PV), e solicita a cópia do processo n. 10.843/2017, do relatório de sindicância, do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), firmado entre a Câmara Municipal de Cuiabá e o ex-servidor e do processo encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE).
“É obrigação do vereador a fiscalização dos atos públicos, respaldado pela lei de número 12.527/2011“, destacou. A Lei citada por Gilberto regulamenta o direito de acesso às informações públicas. “É necessário dar transparência às ações administrativas que são de interesse público e honrar o compromisso assumido com a população cuiabana“, declarou.
ENTENDA O CASO
Em 2017, foi constatada uma movimentação irregular nas contas de Edlael Graciano Lima Marques, antigo assessor parlamentar do vereador Mario Nadaf (PV). O ex-servidor recebeu crédito, por quatro meses consecutivos, no valor equivalente ao salário do parlamentar que é de R$ 11,3 mil por mês. Em outubro do ano passado, após a sindicância, Edlael foi exonerado.
Nesta semana, o Ministério Público Estadual instaurou inquérito que investiga suposto pagamento em duplicidade, sem ressarcimento à Câmara Municipal de Cuiabá e foi assinada pelo promotor de Justiça, Célio Joubert Furio, da 35ª Promotoria de Justiça Cível do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa de Cuiabá.
No inquérito do Ministério Publico, aponta que o erro não deve afastar a responsabilidade do servidor. “O servidor tinha pleno conhecimento de que créditos salariais depositados em sua conta corrente não lhe pertenciam, que ficou silente e deixou de restituí-los aos cofres públicos quando instado em fazê-lo, conduta lesiva ao erário e que atenta contra os princípios da Administração Pública”, diz trecho da portaria.
O Ministério Publico Estadual determinou que o Procurador-Geral do Município de Cuiabá, Nestor Fidélis, tome providências administrativas e judiciais imediatas, destinadas ao recebimento da importância de R$ 45.302,88 paga indevidamente ao servidor, conforme consta do Relatório da Comissão de Sindicância. O executivo deve comprovar em 10 dias as providências adotadas.
Política
Rachas expõem dificuldades de articulação nos principais palanques de Mato Grosso
Passados os cinco primeiros dias da campanha eleitoral, o senador e candidato ao Governo de Mato Grosso, o Senador, Wellington Fagundes (PL), enfrenta dificuldades para consolidar uma estrutura política unificada em torno de sua candidatura. A movimentação revela divergências dentro da própria legenda e coloca em evidência os obstáculos para estabelecer uma composição harmoniosa entre os diferentes grupos que integram seu palanque.
A expectativa de que a definição do candidato a vice-governador contribuísse para organizar a campanha não se confirmou, segundo o cenário descrito. A composição, que envolve o empresário é o apelido do empresário e político brasileiro Reinaldo Gomes de Morais, conhecido como Rei do Porco, não teria sido suficiente para eliminar as divergências existentes entre setores aliados. Ao contrário, os conflitos permanecem expostos justamente no início de uma fase decisiva da disputa eleitoral.
Um dos principais sinais de divisão está na relação entre Wellington Fagundes e José Medeiros (PL), candidato ao Senado pela mesma sigla. Medeiros já declarou que não pretende pedir votos para o correligionário, evidenciando a distância política entre os dois projetos. O episódio demonstra que a presença de candidatos do mesmo partido em uma composição eleitoral não necessariamente representa unidade de discurso ou de estratégia.
A aliança firmada com o MDB comandado pela deputada estadual Janayna Riva, também se tornou um dos pontos de tensão dentro do grupo liderado por Wellington Fagundes. A composição teria sido estabelecida após a Convenção Partidária e enfrentado resistência de setores identificados com o bolsonarismo mais alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A divergência acrescenta mais um elemento de instabilidade a uma candidatura que busca ampliar sua base política durante o período de campanha.

No palanque governista, as dificuldades de articulação também aparecem em diferentes frentes. O deputado federal Fábio Garcia (UB), que deixou a composição inicialmente articulada com o governador Otaviano Pivetta, passou a desenvolver sua própria campanha sem destacar, em seus materiais eleitorais, a presença do antigo aliado. O episódio reforça a percepção de que a formação das alianças não eliminou as disputas internas entre os grupos políticos.
A situação evidencia uma característica recorrente das campanhas eleitorais: alianças formais nem sempre resultam em atuação conjunta no cotidiano político. Quando candidatos pertencentes ao mesmo campo deixam de compartilhar agendas, discursos e materiais de divulgação, as diferenças entre os grupos tornam-se perceptíveis ao eleitorado e podem dificultar a construção de uma identidade eleitoral comum.
Na centro-esquerda, a composição para o Senado formada por Carlos Fávaro (PSD) e Pedro Taques (PSB) também apresenta sinais de distanciamento político. Embora a divergência seja descrita de maneira menos explícita, pessoas próximas aos dois grupos apontam dificuldades de sintonia entre as candidaturas. A percepção predominante é de que os projetos seguem trajetórias próprias, com pouca integração entre as respectivas agendas.

A ausência de uma atuação coordenada entre candidatos que integram a mesma chapa pode produzir efeitos sobre a estratégia eleitoral. Em uma campanha marcada pela necessidade de ampliar alianças, organizar agendas e estabelecer mensagens convergentes, a falta de sintonia tende a tornar mais complexa a comunicação com o eleitorado e a mobilização das estruturas partidárias.
O quadro observado nos diferentes palanques demonstra que o início da campanha em Mato Grosso é marcado não apenas pela disputa entre projetos eleitorais, mas também por negociações internas e divergências entre grupos que, formalmente, compartilham alianças. Wellington Fagundes, Otaviano Pivetta, Fábio Garcia, José Medeiros, Janaina Riva, Carlos Fávaro e Pedro Taques aparecem inseridos em composições nas quais a unidade política ainda passa por diferentes níveis de consolidação.
Com a campanha em fase inicial, os próximos movimentos deverão mostrar se as atuais divergências serão administradas pelas lideranças ou se permanecerão como marcas das respectivas alianças. A disputa eleitoral, portanto, começa em um ambiente no qual a formação dos palanques ainda não representa, necessariamente, convergência entre seus integrantes, deixando evidente que a consolidação das estratégias políticas será um dos principais desafios das candidaturas ao longo do processo.
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