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Política

Reeducandos iniciam trabalhos na Capital

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Uma oportunidade de traçar um caminho diferente. Com esse pensamento cerca de 30 reeducandos do Centro de Ressocialização de Cuiabá (antigo Carumbé), que cumprem pena em regime fechado, iniciaram mais uma segunda-feira (26) de trabalho na Capital. A ação é resultado de uma parceria entre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com o Executivo Municipal de Cuiabá e a Fundação Nova Chance (Funac), que prevê a contratação de 600 reeducandos (entre homens e mulheres) para o trabalho na construção de creches, capina, roçagem, limpeza e pintura de guias em canteiros centrais e calçadas dos bairros e serão supervisionados pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos.

O trabalho iniciou na semana passada, mas é fruto da assinatura de um Termo de Cooperação feito em agosto deste ano. Serão empregados 350 homens, que cumprem pena em regime fechado e outros 200, que estão no semiaberto. Também são asseguradas pelo menos 50 vagas para mulheres. O Termo é válido por 12 meses, podendo ser prorrogado conforme o interesse das partes. O contrato foi fechado no valor de aproximadamente R$ 570 mil e pagará o montante de R$ 954 para cada reeducando (parte é enviada à família e parte é depositada em conta que é liberada assim que o reeducando terminar de cumprir a pena).

De acordo com o secretario de Serviços Urbanos, José Roberto Stopa, esse será um dos maiores programas de inclusão social do Centro Oeste.

O ápice será quando empregaremos os quase 600 reeducando, entre homens e mulheres. Desta forma promoveremos a inclusão social ao oferecer 33% dos rendimentos para os gastos diários, 33% aos familiares e os demais 33% nós investiremos em uma poupança, para que o reeducando possa sacar ao sair do regime fechado. Então ao mesmo tempo em que estamos melhorando os serviços de limpeza, fazendo a reinserção social dessas pessoas. É bom para prefeitura e para aqueles que querem melhorar de vida. Você imagina um cidadão por 10 anos sem fazer nada, sem desenvolver nada, só pensando em maldade. Aqui não, ele pode ser visto pela sociedade como cidadão trabalhador e pode aprender com seus erros“, pontuou o secretário municipal.

O programa é reconhecidamente uma oportunidade de mudança, como disse o reeducando Genivaldo Sousa Lopes que há dez anos está sob a tutela do Estado.

Essa é uma oportunidade muito boa, ótima e excelente. O que o projeto está fazendo por nós é digno de agradecimento. Erguer as mãos para o céu e agradecer mesmo, pois podemos trabalhar ganhar nosso dinheiro e ajudar nossas famílias. Sou casado e agora posso dar uma ‘mãozinha’ para minha esposa. Quando sair posso sacar o restante do dinheiro, abrir um negócio, comprar umas ferramentas, pois sou pintor e isso vai me ajudar“.

Para Josias Barbosa, que está preso há 2 anos e meio e tem mais 2 anos para cumprir o programa pode reduzir o tempo de espera.

Acho muito bom, pois a cada três dias trabalhados nós abatemos um da pena. Nós erramos, mas somos humanos e essa oportunidade nos dá nova chance de pagar nossa dívida. Além de podermos ajudar nossos familiares que estão fora. Para quem quer mudança de vida esse programa tem sido uma mão na roda. Todos estão empenhados e querendo dar o seu melhor, aqui nós estamos uniformizados, as pessoas nos veem com respeito de trabalhadores que estão ajudando a cidade, limpando, construindo, arrumando“, ponderou.

Carga horária e salário

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Todos eles terão o período de prestação de serviços limitado de 44 horas semanais, com oito horas diárias, de segunda a sexta-feira e, no máximo, quatro horas aos sábados. Durante a execução dos serviços, fiscais do Município estarão responsáveis pelo controle e comprovação da execução das atividades delegadas. Os selecionados para a prestação do serviço à Prefeitura receberão, pelo trabalho, a remuneração equivalente a R$ 954,00 (um salário mínimo).

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Política

Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”

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A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.

O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.

A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.

As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.

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Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.

O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.

O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.

A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.

Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.

As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.

E aí está a ironia do roteiro.

Wellington Fagundes, o Lanterna Verde, o Homem da Camisa Verde, também identificado por setores da direita como Senador Melancia, Verde por fora e vermelho por dentro, terá que administrar um palanque no qual o VERMELHO já não parece estar escondido debaixo do palanque.

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As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.

Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.

O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.

A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.

Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.

O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.

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