INDICADO AO STF
“André Mendonça é um grande parceiro de Mato Grosso”
O Senado da Republica aprovou por 47 votos a favor e 32 contra, a indicação de André Luiz de Almeida Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele ocupará a cadeira deixada pelo ministro Marco Aurélio Mello, que se aposentou. Na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o indicado disse que, apesar de ser pastor evangélico, defende o Estado laico.
André Mendonça rebateu críticas à sua atuação como ministro da Justiça contra opositores do governo Bolsonaro, e defendeu a democracia e a independência dos poderes, o respeito às instituições e a liberdade de imprensa.
A laicidade é a neutralidade, a não perseguição e a não concessão de privilégios por parte do Estado em relação a um credo específico ou a um grupo determinado de pessoas em função de sua condição religiosa. Significa garantir a liberdade religiosa de todos os cidadãos, inclusive daqueles que optam por não ter religião.
Natural de Santos, no litoral paulista, o advogado de 48 anos é formado pela Faculdade de Direito de Bauru, no interior de São Paulo. Tem também o título de doutor em Estado de Direito e Governança Global e mestre em Estratégias Anticorrupção e Políticas de Integridade pela Universidade de Salamanca, na Espanha.
Mendonça atua na Advocacia-Geral da União (AGU) desde 2000. Na instituição, exerceu os cargos de corregedor-geral e de diretor de Patrimônio e Probidade, dentre outros. Em 2019, ele assumiu o comando da AGU com a chegada de Bolsonaro à presidência, mas não ocupou apenas este cargo desde então.
Após a saída do ex-ministro Sergio Moro, Mendonça assumiu a pasta da Justiça e Segurança Pública em abril de 2020. No entanto, voltou para a AGU em abril de 2021 após a mais recente reforma ministerial do governo Bolsonaro, ocasionada após crise com o alto-escalão das Forças Armadas.

Para o deputado federal do Partido Progressista (PP), Neri Geller, a indicação reforça a atenção que Mato Grosso sempre teve do ex-ministro.
“André Mendonça já foi parceiro do nosso Estado e esteve ao nosso lado em pautas importantíssimas como a do Distrito de Jarudore e a liberação de produção agrícola em terras indígenas dos Paresis. Certamente essa sensibilidade fortalecerá ainda mais o trabalho que precisa ser feito não só por Mato Grosso, mas, pelo Brasil“, ressaltou Geller.
O parlamentar federal lembra que o impasse no Distrito de Jarudore (Rondonópolis) mobilizou toda a classe política do Estado.
“Todos conhecem a história de Jarudore e o quanto trabalhamos para que houvesse uma solução. São mais de 2,5 mil famílias que trabalham e produzem na terra há mais de 70 anos e por força de decisão judicial, iam ser despejadas das suas propriedades“, explicou o progressista.
Ainda sobre a atuação de Mendonça, em favor de Mato Grosso, Geller lembrou da ação recente em que o Ministério Público Federal (MPF) e o Governo Federal assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), autorizando a produção agrícola como atividade econômica na comunidade indígena do Paresis.
Hoje, as quatro principais cooperativas da etnia plantam cerca de 20 mil hectares de lavouras mecanizadas, que correspondem a 1,7% da área total de duas Terras Indígenas, Utiariti e Paresi, localizadas entre os municípios de Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra e Sapezal. A produção total de grãos dessas associações indígenas deve chegar a 76 mil toneladas de grãos nas duas safras deste ano.
“Se nós temos direito de buscar meios para sobrevivência e desenvolvimento, porque os índios não podem? É uma questão de respeito à autonomia dos povos indígenas para que façam suas escolhas. Nosso principal objetivo é contribuir para que conquistem novos mercados e alcancem independência econômica, gerando renda para suas famílias e fortalecendo a sua identidade enquanto cultura singular“, concluiu Geller.
Política
Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”
A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.
O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.
A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.
As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.
Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.
O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.
O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.
A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.
Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.
As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.
E aí está a ironia do roteiro.
Wellington Fagundes, o “Lanterna Verde”, o “Homem da Camisa Verde”, também identificado por setores da direita como “Senador Melancia”, “Verde por fora e vermelho por dentro“, terá que administrar um palanque no qual o “VERMELHO“ já não parece estar escondido debaixo do palanque.
As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.
Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.
O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.
A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.
Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.
O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.
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