ERRO, ENGANO OU FALSIDADE
Mendes desmente Fávaro sobre retirada de recursos das BRs 158 e 242
O Ministério dos Transportes anunciou, em março deste ano, que já dispõe dos recursos necessários para melhorar a logística das obras das BRs 158 e 242 em Mato Grosso. O anúncio ocorreu durante uma reunião entre o ministro Renan Filho e o governador Mauro Mendes. Essas rodovias federais enfrentaram problemas que foram trazidos ao conhecimento do Governo Federal no início do ano pelo chefe do Executivo mato-grossense.
O trecho crítico da BR-242 está localizado entre o distrito de Santiago do Norte e Querência, onde questões ambientais têm gerado pendências.
Por outro lado, na BR-158, o problema concentra-se em um trecho de 120 quilômetros que contorna a reserva Marãiwatsédé e atravessa os municípios de Bom Jesus do Araguaia, Serra Nova Dourada e Alto Boa Vista. Há anos, essas obras não conseguem ser liberadas, o que resulta em dificuldades para caminhoneiros devido a atoleiros, buracos e congestionamentos.
Na semana atual, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Carlos Henrique Baqueta Fávaro (PSD), acusou o governador Mauro Mendes e a bancada federal de Mato Grosso em Brasília de tentarem redirecionar os recursos destinados às BRs 158 e 242 para a segunda etapa do Rodoanel em Cuiabá, prejudicando, assim, a região do Araguaia.
Carlos Fávaro fez um pronunciamento em vídeo após a reunião entre o governador Mauro Mendes e a bancada mato-grossense com o ministro dos Transportes Renan Filho (MDB/AL). Ele expressou tristeza com a suposta articulação de Mendes com os deputados federais.
“O Governo do Estado, pediu para tirar, isso me entristece muito. Nós temos que trabalhar todos para o mesmo lado”, disse Carlos Fávaro em um vídeo gravado nesta sexta-feira.
Desmentido
O governador Mauro Mendes (UB) e o chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (UB), classificaram a declaração de Fávaro como “mentira” e “falácia”. Mauro rebateu as afirmações do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Carlos Henrique Baqueta Fávaro (PSD), e afirmou que o governo nunca pediu a retirada de recursos das BRs 158 e 242.
“É uma grande mentira de Fávaro, eu estive lá a convite da bancada. Essa reunião foi marcada pela bancada federal, não por mim, fui lá como convidado”, disse Mauro Mendes.
Mendes informou que participaram da reunião os senadores Jayme Campos, Margareth Buzetti e Mauro Carvalho, mais os deputados federais Coronel Assis, Coronel Fernanda, José Medeiros, Gisela Simona e Ana Flávia Rodrigues, a Flavinha.
“Todos assinaram um documento pedido para alocar recursos para o rodoanel de Cuiabá, que é uma obra que está no PAC. Em nenhum momento nós pedimos para tirar das BRs 158 e 242. Eu lamento profundamente que alguém que ocupe um cargo de ministro de Estado se disponha a gravar um vídeo falando mentiras. Nós pedimos para colocar recursos, aí ele [ministro Renan Filho] vai tirar de onde achar que deve e lá nos reafirmamos a questão da importância da 158, discutimos sobre o licenciamento. como está o licenciamento da 242, o problema da 080 como é que está, houve uma ampla conversa sobre isso”. Disse.
Mauro Mendes e Fábio Garcia negaram veementemente essa alegação e disseram que o foco da reunião foi solicitar que o Ministério dos Transportes liberasse R$ 400 milhões para a execução do segundo trecho do Rodoanel, uma rodovia importante que ajudaria a aliviar o trânsito na capital.
“Falácia” de Favaro
O deputado federal licenciado Fabio Paulino Garcia, secretário-chefe da Casa Civil, também participou da reunião e classificou a fala do ministro Carlos Favaro como uma “falácia”.
“Não passa de uma “falácia” as palavras do ministro Carlos Fávaro, ele não estava na reunião, está absolutamente desinformado, e acusa todo o governo de Mato Grosso, e toda a bancada de Mato Grosso de algo que eles jamais pensaram em fazer e jamais fizeram, em nenhum momento o Governo do Estado ou a bancada federal pediram de nenhuma forma a retirada de recursos das obras das BRs 158 e 242, que essas obras não saíssem”, afirmou.
Os representantes do governo também destacaram que a inclusão das obras das BRs 158 e 242 no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi feita pelo próprio governo de Mato Grosso. Além disso, afirmaram que não há uma data definida para a liberação dos R$ 400 milhões, mas que, se ocorrer ainda este ano, a licitação poderá começar assim que a temporada de chuvas passar.
“O grande objeto foi que coloquem recursos no Rodoanel de Cuiabá, porque a obra está licenciada, está pronta para ir à licitação, bastando o DNIT alocar recursos para que esta obra possa acontecer”, disse o governador.
Mauro Mendes disse ainda que durante a reunião se tratou também sobre o licenciamento das BRs 158 e 242, mas que em nenhum momento se pediu retirada de recursos.
“Quem colocou as obras no PAC foi o Governo de Mato Grosso. Eu fui lá na Casa Civil a pedido do presidente Lula e entreguei as prioridades: Ferrogrão, que está no PAC; a 158, que está no PAC; a 242, que está no PAC; e a 080, que entrou no PAC a pedido do Governo do Estado de Mato Grosso”.
“O ministro não deu uma data para nós, mas se ele alocar os recursos para esta obra este ano, nós podemos fazer a licitação ainda este ano e assim que acabar as chuvas as obras começariam. Porque o primeiro trecho já está em obras da BR-163 até a ponte sobre o Rio Cuiabá, passando pela Avenida Antártica, cruzando a Estrada da Guia e chegando até a Estrada de Chapada. Esse trecho já está em obras”.
Em relação às possíveis motivações políticas por trás das declarações de Carlos Fávaro, o governador Mauro Mendes afirmou que é uma questão que o próprio ministro deveria explicar.
Política
Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”
A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.
O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.
A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.
As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.
Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.
O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.
O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.
A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.
Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.
As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.
E aí está a ironia do roteiro.
Wellington Fagundes, o “Lanterna Verde”, o “Homem da Camisa Verde”, também identificado por setores da direita como “Senador Melancia”, “Verde por fora e vermelho por dentro“, terá que administrar um palanque no qual o “VERMELHO“ já não parece estar escondido debaixo do palanque.
As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.
Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.
O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.
A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.
Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.
O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.
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