Search
Close this search box.

DISPUTA PELA MESA DIRETORA GANHA CONTORNOS PARTIDÁRIOS

PV proíbe apoio a mudança regimental e gestão municipal

Publicados

em

A disputa pelo comando da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá promete trazer uma reviravolta no cenário político local e reconfigurar as forças que atuam no Legislativo. O ponto central do embate é a tentativa de alteração do Regimento Interno da Casa, medida que, se aprovada, poderia permitir a reeleição da atual presidente do órgão, a vereadora Paula Calil, filiada ao Partido Liberal (PL). A controvérsia ganhou força após manifestação oficial da direção estadual de outra agremiação, que definiu posicionamento contrário à proposta.

Os principais envolvidos na questão são os vereadores Mário Nadaf e Marcus Brito, ambos filiados ao Partido Verde (PV) em Mato Grosso, além da Comissão Executiva Estadual da sigla, liderada por seu presidente estadual, José Roberto Stopa. Também figuram como personagens centrais a vereadora Paula Calil, atual presidente da Mesa Diretora, e a gestão do prefeito cuiabano Abílio Brunini, do PL, cuja influência sobre a composição da nova direção legislativa também é alvo de restrições impostas pelo partido.

A resolução com as novas determinações foi aprovada recentemente pela cúpula estadual do Partido Verde (PV), seguindo orientações recebidas da direção nacional da agremiação. A medida foi comunicada formalmente aos parlamentares da sigla em Cuiabá no período que antecede a definição da nova Mesa Diretora e a votação sobre possíveis ajustes nas regras internas da Câmara de Cuiabá, etapa que marca o início de um novo ciclo de trabalho legislativo na capital mato-grossense.

Todo o processo se desenrola no âmbito político e institucional da capital do Estado de Mato Grosso. As deliberações partidárias ocorrem na sede estadual do PV, enquanto a discussão e a votação sobre a alteração do Regimento Interno e a escolha da nova direção da Casa de Leis acontecem nas dependências da Câmara Municipal, órgão responsável pela elaboração e fiscalização das leis no município.

A decisão da Direção Estadual do PV se fundamenta no cumprimento da fidelidade programática e partidária, conforme determinações da instância nacional. Para a sigla, a proposta de mudança regimental é considerada casuística, por visar a uma finalidade específica permitir a reeleição da atual presidente a vereadora Paula Calil e contrária ao processo democrático vigente. Além disso, o partido defende que, em cidades onde a prefeitura é gerida por agremiações adversárias, os vereadores devem atuar em linha com a oposição, salvo situações excepcionais analisadas pela Direção Estadual.

Leia Também:  SES capacita funcionários de hospitais e promove ações de divulgação para aumentar a captação de órgãos em MT

A orientação foi formalizada por meio de uma resolução interna aprovada pela Comissão Executiva Estadual e encaminhada diretamente aos parlamentares.

O documento traz regras claras e expressas: determina que os vereadores votem contra qualquer proposta de alteração do Regimento Interno, proíbe o apoio a candidaturas à Mesa Diretora que contem com o respaldo da gestão municipal e orienta a aliança com chapas formadas por partidos que compartilhem os mesmos princípios políticos e democráticos defendidos pela sigla.

Com a publicação da resolução e a ameaça de punições em caso de descumprimento, incluindo a possibilidade de perda do mandato por infração às regras de fidelidade partidária, a atual presidente Paula Calil perdeu dois votos que até então eram considerados garantidos em sua base de apoio. O cenário altera a conta inicial de 14 parlamentares que haviam sido anunciados como favoráveis tanto à sua candidatura quanto à mudança das regras internas da Casa.

Além da oposição à alteração regimental, a resolução do PV traz outro ponto relevante: a proibição de que seus vereadores apoiem qualquer candidatura à Mesa Diretora que tenha vínculo ou apoio da administração do prefeito Abílio Brunini.

A orientação determina, ainda, que os parlamentares se posicionem contra a gestão municipal atual e busquem alinhamento com grupos políticos que compartilhem a mesma visão ideológica e as diretrizes definidas em âmbito nacional pela agremiação.

Leia Também:  Mendes entre a cruz e a espada

Questionado sobre as novas determinações, o presidente estadual do PV, José Roberto Stopa, explicou que a medida reflete uma exigência da direção nacional do partido, que passou a adotar critérios mais rigorosos quanto à fidelidade programática e política.

Segundo José Roberto Stopa, as orientações servem para manter a coerência entre o que a sigla defende e a atuação de seus representantes eleitos, cabendo a cada vereador decidir se segue as regras ou se assume os riscos de uma eventual análise de sua conduta.

A definição de posições por parte do PV introduz um novo elemento de instabilidade na corrida pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá e na discussão sobre as regras que regem o funcionamento da instituição. A resolução deixa claro que as decisões dos parlamentares não são tomadas apenas com base em interesses locais, mas também seguem diretrizes hierárquicas partidárias, o que pode alterar não só a composição da Mesa Diretora, mas também a dinâmica de votações e a relação entre o Legislativo e o Executivo Municipal nos próximos anos.

Propaganda

Política

Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”

Publicados

em

A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.

O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.

A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.

As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.

Leia Também:  Com erros e acertos Mato Grosso registra queda de infectados

Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.

O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.

O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.

A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.

Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.

As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.

E aí está a ironia do roteiro.

Wellington Fagundes, o Lanterna Verde, o Homem da Camisa Verde, também identificado por setores da direita como Senador Melancia, Verde por fora e vermelho por dentro, terá que administrar um palanque no qual o VERMELHO já não parece estar escondido debaixo do palanque.

Leia Também:  PL convoca convenção em Mato Grosso sob "Tensão e Racha" entre prefeitos

As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.

Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.

O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.

A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.

Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.

O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.

Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA