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Política

“Operação Outorga” da Polícia Federal mira fraudes em financiamento agrícola

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Cerca de 100 policiais federais cumprem quatro mandados de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em Santa Catarina e Mato Grosso

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira a “Operação Outorga”, que investiga fraude na obtenção de financiamento agrícola por um empresário de Abelardo Luz, em Santa Catarina, e de seus familiares.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo obteve grandes valores a título de financiamento agrícola por meio de práticas ilícitas e uso de “laranjas”.

As fraudes ocorreram de 2011 a 2016 e somaram R$ 41,4 milhões de reais.

Cerca de 100 policiais federais participam da “Operação Outorga” e cumprem quatro mandados de prisão temporária, 25 de busca e apreensão, além de bloqueio de valores.

As ações são realizadas em Aberlardo Luz, Xaxim e Xanxerê, em Santa Catarina, e Palmas, Clevelândia, Pato Branco, Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Rosário do Oeste, no Mato Grosso.

O empresário de Abelardo Luz obteve um financiamento em seu nome e, quando seu crédito no banco se esgotou, fez empréstimos com nomes de parentes. Na medida em que crédito dos familiares se esgotava, o empresário recorria a funcionários de empresas das quais era sócio ou proprietário. Com a tática, assegurou a liberação de quantias milionárias, desviando uma verba cujo objetivo era fomentar a produção agrícola.

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Segundo a Polícia Federal, os valores individuais chegavam a R$ 500 mil reais. O empresário também havia figurado como procurador de 29 pessoas que obtiveram o crédito agrícola de forma ilícita, já que a maior parte não possuía vínculos com atividades ligadas ao campo e prestava serviços como motorista de caminhão de empresas do investigado.

Todos os envolvidos são investigados no artigo 299 do código penal por falsidade ideológica, obtenção de financiamento agrícola mediante fraude no artigo 19 da lei 7.492/86, aplicação de recursos de financiamento em finalidade diversa da prevista no contrato no artigo 20 da lei 7.492/86, peculato-apropriação de valores em prejuízo dos cofres públicos do artigo 312 do Código Penal, lavagem de capitais do artigo 1º, §1º, da lei 9.613/98, e organização criminosa no artigo 2º da Lei 12.850/13, cujas penas máximas somadas, chegam ao patamar de 47 anos de prisão.

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Política

Disputa pelo Paiaguás antecipa polarização e eleva o “Tom Político” entre os “Poderes”

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A corrida sucessória pelo Palácio Paiaguás atingiu um novo patamar de tensionamento político nesta quinta-feira (25), quando o governador do Estado de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), e o senador Wellington Fagundes (PL) protagonizaram um embate público de alta voltagem. O estopim do conflito reside no Projeto de Lei, de autoria do Poder Executivo Estadual, que pleiteia a contratação de um empréstimo bancário vultoso no valor de R$ 1,5 bilhão. Essa matéria financeira, que tramita nos bastidores governamentais e na Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), transformou-se no principal catalisador de uma crise institucional que expõe as fraturas e as ambições partidárias voltadas ao pleito majoritário futuro.

O cenário desse confronto direto e ostensivo foi a capital do Estado, Cuiabá, onde as articulações políticas e as declarações oficiais repercutiram de forma imediata nos círculos do poder e nas plataformas digitais de comunicação. A escalada discursiva ocorreu logo após o parlamentar federal utilizar suas redes sociais para criticar a gestão fiscal da máquina pública mato-grossense, gerando uma reação contundente e imediata por parte do chefe do Executivo. A centralidade geográfica da disputa acentua a relevância do debate, uma vez que as decisões tomadas na capital geram impactos socioeconômicos profundos em todos os municípios da federação mato-grossense.

O embate deflagrou-se por meio de uma dinâmica mista, que combinou o uso estratégico de ferramentas tecnológicas modernas com entrevistas coletivas tradicionais concedidas à imprensa regional. Wellington Fagundes optou por gravar e publicar um vídeo detalhado em seus canais digitais, direcionando a mensagem diretamente ao eleitorado e questionando a retidão fiscal da proposta governamental.

Em contrapartida, a tréplica de Otaviano Pivetta formalizou-se diante dos jornalistas que cobrem o cotidiano político local, oportunidade em que o governador utilizou termos severos para desqualificar a atuação legislativa e a trajetória pública de seu opositor.

A motivação central subjacente a esse severo desentendimento institucional ancora-se na divergência ideológica e técnica acerca da conveniência e da oportunidade da contratação do crédito bilionário. Enquanto a administração estadual defende que o endividamento planejado constitui uma ferramenta saudável e necessária para a execução de investimentos estruturantes, a oposição parlamentar argumenta que a medida compromete o futuro financeiro do erário.

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Adicionalmente, o pano de fundo que impulsiona o conflito é a indisfarçável disputa pela liderança do Executivo nas próximas eleições, o que transforma qualquer debate administrativo em uma arena de pré-campanha.

O método utilizado pelo senador mato-grossense para desestabilizar a proposta governamental consistiu na contestação pública e detalhada dos juros e das contrapartidas fiscais inerentes à operação de crédito pretendida pelo Estado. Fagundes utilizou argumentos baseados na necessidade de transparência, questionando publicamente o destino de recursos anteriormente vinculados a programas habitacionais e exigindo explicações formais. Esse questionamento sistemático buscou minar a credibilidade da peça orçamentária governamental, apresentando o endividamento como um fardo financeiro desnecessário que seria integralmente transferido aos contribuintes mato-grossenses.

A reação do governador Otaviano Pivetta estruturou-se por meio de um ataque verbal contundente, no qual classificou o senador Wellington Fagundes como uma figura política “desprezível” e sem experiência administrativa prática. O gestor estadual argumentou que a capacidade de endividamento de Mato Grosso é um reflexo direto da “excelente saúde financeira” conquistada pela atual gestão, legitimando a busca por novos recursos como uma estratégia empresarial benéfica.

Pivetta enfatizou que governar exige a criação constante de alternativas viáveis e a realização de bons negócios para a sociedade, habilidades que, segundo ele, o seu adversário desconhece por completo.

A intensificação do conflito estendeu-se também ao campo da articulação partidária, momento em que o governador ironizou publicamente o suposto isolamento político que o senador pelo Partido Liberal (PL), enfrenta dentro de sua própria legenda.

Otaviano Pivetta destacou o apoio expressivo que vem recebendo de diversos prefeitos filiados ao partido de seu oponente, sugerindo que novas adesões à sua base governista devem ocorrer nos próximos dias. Ao indagar os presentes sobre as razões que tornam o parlamentar uma figura rejeitada internamente, o Chefe do Executivo buscou fragilizar a sustentação política de Fagundes e demonstrar força institucional.

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Os desdobramentos imediatos dessa crise evidenciam uma profunda divisão na base política do estado, afetando diretamente a tramitação de projetos prioritários na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT). Analistas políticos locais apontam que a agressividade dos discursos sinaliza o fim de qualquer possibilidade de neutralidade ou composição pacífica entre os dois grupos majoritários.

A população e as lideranças municipais agora assistem a uma polarização antecipada que tende a paralisar votações importantes, à medida que os deputados estaduais são compelidos a escolher um lado nessa disputa de “PODER”.

As consequências a longo prazo para a sociedade mato-grossense envolvem o risco de atrasos na execução de obras públicas essenciais e uma potencial instabilidade jurídica no que tange aos contratos de financiamento. Caso a oposição consiga obstruir a aprovação do empréstimo de R$ 1,5 bilhão, o cronograma de investimentos em Infraestrutura e Logística poderá sofrer desaceleração severa.

Por outro lado, a consolidação desse endividamento sob um clima de forte contestação política imporá à atual administração a obrigação de demonstrar, com máxima transparência, o retorno social de cada centavo investido.

A quantidade expressiva de recursos financeiros envolvida nessa controvérsia que soma a expressiva cifra de R$ 1,5 bilhão confere à disputa uma relevância macroeconômica que ultrapassa as fronteiras da política partidária. Esse montante representa uma parcela significativa do orçamento anual de investimentos do Estado, o que justifica o rigor técnico e a vigilância da sociedade civil organizada sobre o desfecho do caso.

A vigilância mútua entre os poderes do Executivo e Legislativo, embora eivada de discursos inflamados, definirá os rumos do desenvolvimento econômico e da responsabilidade fiscal de Mato Grosso para os próximos anos.

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