INCLUSÃO DO PANTANAL NO FUNDO DA AMAZÔNIA
“Precisamos de acesso ao Fundo Amazônia para preservação e combate a incêndios florestais e ações do uso sustentável da biodiversidade”
Localizado no coração da América do Sul, o Pantanal é uma região peculiar não só pelas suas belezas naturais como também pelo papel que desempenha na conservação da biodiversidade. Os 210 mil quilômetros quadrados do Pantanal equivalem à soma das áreas de quatro países europeus, Bélgica, Suíça, Portugal e Holanda.
Também chamado de “reino das águas”, esse imenso reservatório de água doce é muito importante para o suprimento de água, a estabilização do clima e a conservação do solo. As cheias anuais dos rios da região atingem cerca de 80% do Pantanal e transformam a região em um impressionante lençol d’água, afastando parte da população rural que migra temporariamente para as cidades ou vilas.
O Pantanal é a maior área úmida continental do planeta. Ele ocupa parte dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e estende-se pela Bolívia e Paraguai. Sua paisagem é conhecida por ser um mosaico de ecossistemas, já que abrange um um pouco da Amazônia, uma parte do Cerrado, outra da Mata Atlântica e uma porção do Charco boliviano.
A região concentra uma rica biodiversidade. Já foram registradas no Pantanal pelo menos 4.700 espécies, incluindo plantas e vertebrados. Desse total, entre as quais estão 3.500 espécies de plantas (árvores e vegetações aquáticas e terrestres), 325 peixes, 53 anfíbios, 98 répteis, 656 aves e 159 mamíferos.
Devido a sua importância ambiental, o bioma foi decretado Patrimônio Nacional, pela Constituição de 1988, e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas, em 2000.

Pantanal pode ser incluído no Fundo Amazônia
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima respondeu ao Ofício (2427/2023/GD/SSSL), da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), que vincula a Indicação 1067/2023, do deputado estadual Wilson Pereira dos Santos (PSD), versando sobre a necessidade de inclusão do Bioma Pantanal no Fundo Amazônia.
O documento busca a inclusão do bioma no Fundo Amazônia a fim de atrair recursos voltados a ações que mitiguem alterações ecológicas degradantes derivadas de mudanças climáticas e ações atrópicas, como barramentos de corpos d´água e queimadas.
O parlamentar estadual Wilson Santos, aponta que o Pantanal continua sendo a maior área úmida contínua do planeta com diversidade biológica e identificada como Patrimônio Nacional. Que possui em seu território a Reserva da Biosfera do Pantanal e quatro Sítios Ramsar.
“No entanto, sofre com relevantes e crescentes taxas de desmatamento, aumentando as emissões nacionais de gases de efeito estufa prejudicando a conservação da biodiversidade e do planeta“.
Aponta ainda, que: “o contexto regional vem sendo agravado pela aproximação e instalação de monocultura agrícola“.
“A drenagem de áreas úmidas afeta mananciais na bacia do Alto Paraguai e a Planície do Pantanal“, modificando “o pulso de inundação, que por sua vez pode gerar modificações na estrutura e composição da vegetação nativa“.
O deputado estadual também chama a atenção para os riscos de instalação de hidrovias no Rio Paraguai e de usinas hidrelétricas que vão potencializar essas alterações no pulso de inundação.
“Nesse contexto, se somam os incêndios florestais de grande proporção. Fatores que em conjunto podem ser irreversíveis tanto para o meio ambiente quanto para a economia“.
“O Brasil assumiu importantes metas relacionadas à agenda internacional de mudança do clima que requerem grande esforço para serem atingidas. Além das evidentes emissões provocadas pela redução ou perda de carbono estocado pela vegetação nativa, no Pantanal ocorrem trufeiras (ambientes úmidos capazes de estocar enormes quantidades de carbono no solo) que não podem ser perdidas. […] Precisamos de acesso ao Fundo Amazônia para preservação e combate a incêndios florestais e ações do uso sustentável da biodiversidade“, explicou Wilson Santos.
COFA
O Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA) estabelece prioridades de apoio a projetos na Amazônia Legal por meio de critérios temáticos, geográficos, atores envolvidos e governança, público-alvo e governança, condicionantes mínimas; modalidades de aplicação de recursos e limitações na aplicação dos mesmos.
“Nas diretrizes e focos definidos em 15 de fevereiro de 2023, não foram identificadas limitações aplicáveis à porção do Pantanal Mato-grossense na modalidade projetos estruturantes. Isso precisa ser revisto“, diz a resposta do MMA.
“O pantanal carece de fontes de financiamento de recursos não-reembolsáveis que possam apoiar com volume adequado, de forma perene e contínua, ações relacionadas à conservação da biodiversidade e mudanças climáticas“.
“Dada a relevância desse bioma para ambas agendas relacionadas expressadas por meio de reconhecimento em níveis nacional e internacional, é notória e relevante a necessidade de se estabelecer mecanismos financeiros que possam preencher esta lacuna“, continua.
“A indicação 2472/2023, solicita que o bioma Pantanal seja incluído no Fundo Amazônia. Entende-se que o pleito é relevante para a conservação, recuperação e uso sustentável do bioma e apresenta-se como uma oportunidade para incluir uma importante porção que encontra-se fora da área prioritária. […] Ao mesmo tempo, caberia uma avaliação do setor desse Ministério responsável por acompanhar o Fundo Amazônia em termos de impactos sobre os mecanismos de captação de recursos que são baseados na avaliação de redução efetiva de emissões de carbono oriundas de desmatamento na Amazônia, assim como eventuais outras demandas“, completa.
Em nota técnica (915/2023), encaminhada à Assembleia Legislativa, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima diz; “ser possível indicar ao Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA) que, no momento de definição das diretrizes, observe a possibilidade e importância da inclusão de projetos inseridos na abrangência geográfica do Bioma Pantanal. Portanto, atendendo ao estado de Mato Grosso“.
“Entendemos que o Fundo Amazônia não apresenta impedimentos legais para apoiar o desenvolvimento de projetos em outros territórios diferentes daqueles delimitado pela Amazônia Legal, uma vez que, conforme disposto no parágrafo 1º, artigo 1º do Decreto 6.527/2008, até 20% dos recursos do Fundo serão direcionados para o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas brasileiros e em outros países tropicais“.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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