AINDA EM RISCO
“Pandemia não acabou e fechamento de leitos de Covid é decisão equivocada”
Após quase seis meses de quarentena, é evidente que há grande parte da população sob estresse e exaustão, ansiosa por retomar a convivência com amigos e familiares, voltar às atividades de rotina e poder planejar o futuro.
Com a migração de fases dentro dos planos do governo, muito já pode ser feito, de acordo com normas de segurança, mas a tranquilidade de que o vírus não é mais uma ameaça ainda não é realidade. Dependerá, muito provavelmente, de vacinas ainda em desenvolvimento.
Em alguns estados do Brasil, muitas prefeituras e o próprio Estado estão fechando leitos de UTI que era para serem atendidas especificamente para as pessoas com sintomas e já contaminadas com o vírus da “Covid-19”.
E essa foi a preocupação do médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Lúdio Frankes Mendes Cabral, criticou a decisão do Governo do Estado de Mato Grosso em fechar leitos para atendimento da “Covid-19” no Hospital Regional de Rondonópolis, nesta segunda-feira (19).
O parlamentar estadual afirmou que a região Sul de Mato Grosso ainda necessita desse atendimento, pois os leitos reservados para a Pandemia continuam totalmente ocupados com pacientes de “Covid“.
“Essa decisão do governador é absurda. A “Pandemia da Covid-19” não acabou ainda. Esses leitos estão funcionando com ocupação plena, atendendo toda a população da região Sul. São 800 mil habitantes que têm um único hospital público estadual, que é o Hospital Regional de Rondonópolis, como referência no atendimento à Covid. Essa decisão é equivocada e incorreta. Esses leitos têm que continuar totalmente ativos enquanto houver demanda por tratamento para Covid na região Sul de Mato Grosso“, afirmou Lúdio.
Membro da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), Lúdio Cabral informou que vai propor aos outros deputados da Comissão a convocação do secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Gomes de Figueiredo, para esclarecer e debater os encaminhamentos relacionados aos leitos de Covid no Estado, em conjunto com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems) e da região.
A proposta do parlamentar estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) é que todos os leitos de enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) abertos na pandemia continuem ativos para tratamento da “Covid-19” enquanto houver demanda de pacientes. E que mesmo depois que a pandemia acabar, os leitos continuem ativos, porém, passem a atender as outras demandas do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Quando a demanda por atendimento à Covid cair, em função da evolução da epidemia, esses leitos gradativamente têm que ser substituídos para atender a demanda geral. Até porque antes da pandemia tínhamos 300 mil pessoas na fila aguardando algum procedimento no SUS em Mato Grosso: consulta especializada, exame especializado, internação, cirurgia. Portanto essa estrutura que foi ampliada em decorrência da pandemia precisa ser mantida e continuar funcionando“, afirmou Lúdio.
A Pandemia não acabou e está longe de acabar! Se puder, fiquem em casa, cuide-se e cuide dos seus. Aos que estão trabalhando e enfrentando diariamente todos os riscos e efeitos da Pandemia, desejo saúde e proteção.
Política
Câmara de Cuiabá se torna trunfo eleitoral de Pivetta em disputa marcada por rachas partidários
O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) transformou a Câmara Municipal de Cuiabá em uma das principais vitrines de sua articulação eleitoral na Capital. Em um movimento de forte repercussão política, 16 dos 27 vereadores declararam apoio à candidatura do republicano, formando um grupo correspondente a 59,3% do Legislativo municipal. O número supera a metade das cadeiras da Casa de Leis e assegura, isoladamente, uma maioria absoluta, em uma demonstração de força territorial no maior colégio eleitoral de Mato Grosso.
A adesão ocorreu em encontro com Otaviano Pivetta e reuniu os vereadores Dilemário Alencar, Maysa Leão, Adevair Cabral, Maria Avalone, Daniel Monteiro, Michelly Alencar, Ilde Taques, Dídimo Vovô, Demilson Nogueira, Baixinha Giraldelli, Dra. Mara, Alex Rodrigues, Eduardo Magalhães, Katiuscia Manteli, Sargento Joelson e Tenente-Coronel Dias.
A dimensão do grupo, contudo, não está apenas na quantidade de parlamentares, mas também na diversidade partidária. Entre os apoiadores, há representantes de legendas que integram formalmente o palanque de Pivetta e outros que pertencem a partidos posicionados em coligações adversárias na disputa pelo Governo do Estado.
Boa parte dos 16 vereadores está filiada a siglas que compõem oficialmente a Coligação “Mato Grosso Não Pode Parar“, encabeçada por Pivetta e pela candidata a vice-governadora Gisela Simona (UB). A aliança reúne Republicanos, Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, Federação PSDB/Cidadania e Podemos.
Nesse núcleo estão Maysa Leão, Daniel Monteiro e Eduardo Magalhães, do Republicanos; Dilemário Alencar e Michelly Alencar, do União Brasil; Demilson Nogueira, do PP; Maria Avalone, do PSDB; e Tenente-Coronel Dias, do Cidadania, além de vereadores que passaram a integrar o Podemos.

A composição ganha relevância, entretanto, quando se observam os parlamentares que decidiram atravessar as fronteiras estabelecidas pelas direções partidárias. Adevair Cabral e Baixinha Giraldelli, ambos do Solidariedade, declararam apoio a Pivetta embora a legenda integre a Federação Renovação Solidária, que participa da Coligação “Coração da Gente“, responsável pela candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao Governo.
Na prática, os dois vereadores passaram a atuar politicamente em favor da reeleição de um candidato que disputa diretamente contra o nome apoiado formalmente por sua legenda.
Outro caso é o de Dídimo Vovô, do PSB, partido integrante da Coligação “Mato Grosso para Todos“, liderada pela candidata ao Governo Natasha Slhessarenko (PSD). Dessa forma, pelo menos três dos 16 vereadores vinculados publicamente a Pivetta pertencem a siglas formalmente posicionadas em candidaturas adversárias na eleição majoritária.
Embora esse contingente represente uma parcela menor do grupo, o fenômeno evidencia uma característica cada vez mais presente no cenário eleitoral de Mato Grosso: as alianças estabelecidas pelas cúpulas partidárias não necessariamente determinam o comportamento político de vereadores, prefeitos e candidatos proporcionais nos municípios.
A ausência de vereadores identificados com o PL entre os 16 apoiadores também chama atenção. O partido é a legenda de Wellington Fagundes e do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, mas nenhum parlamentar liberal aparece na relação divulgada de adesões a Pivetta. O dado, por si só, não permite concluir que toda a bancada do PL esteja integralmente mobilizada em torno da candidatura de Wellington, mas demonstra que a ofensiva política do governador sobre a Câmara de Cuiabá foi construída, até o momento, sem a presença pública de um vereador filiado à principal legenda de seu adversário.
O movimento de Cuiabá ocorre em um contexto de infidelidades eleitorais e rearranjos que ultrapassam os limites da Capital. A Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, filiada ao PL, declarou apoio a Pivetta, assim como os prefeitos Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; Sérgio Machnic, de Primavera do Leste; Carlão Borchardt, de Tabaporã; e Emerson Sabatine, de Itanhangá. Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis, chegou a solicitar a desfiliação do PL.

Os episódios indicam que a orientação formal das legendas enfrenta dificuldades para manter unificada a base política em diferentes regiões do Estado.
A fragmentação também aparece dentro das próprias alianças eleitorais. O candidato a deputado estadual Léo Bortolin (MDB) classificou a disputa como “atípica” e avaliou que as coligações não conseguem manter todos os seus integrantes sob a mesma orientação. O cenário é particularmente perceptível na composição formada por PL e MDB, que estão juntos na candidatura ao Governo e também lançaram Janaina Riva e José Medeiros para o Senado, mas convivem com divergências públicas entre candidaturas e setores partidários.
No campo de Pivetta, a incorporação do União Brasil à chapa também ocorre em meio a disputas e rearranjos entre lideranças.
A importância estratégica dos 16 apoios está diretamente relacionada ao peso político de Cuiabá. Por concentrar o maior eleitorado municipal de Mato Grosso, a Capital funciona como uma das principais vitrines eleitorais do Estado. Além da atuação institucional, os vereadores mantêm redes próprias de influência em bairros, igrejas, associações, entidades e categorias profissionais. Em uma eleição majoritária, essa estrutura pode funcionar como uma ponte entre a candidatura ao Governo e segmentos específicos do eleitorado, ampliando a capacidade de mobilização da campanha para além dos meios tradicionais de comunicação.
A pouco menos de um mês da eleição, a adesão de 16 dos 27 vereadores representa, portanto, mais do que uma demonstração numérica de apoio. O movimento entrega a Pivetta uma estrutura política majoritária dentro da Câmara de Cuiabá e, simultaneamente, expõe a dificuldade das coligações de manterem suas bases municipais rigidamente alinhadas aos palanques estaduais.
O episódio reforça a percepção de que a disputa pelo Governo de Mato Grosso está sendo marcada por alianças mais flexíveis, nas quais interesses locais, relações pessoais e estratégias eleitorais municipais passaram a ter peso significativo. Na Capital, a fronteira entre governo e oposição, definida formalmente pelas coligações, mostra-se menos rígida do que o desenho registrado para a eleição majoritária.
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