IMPORTÂNCIA DE UMA MULHER COMO VICE
O cenário da sucessão no Executivo de Mato Grosso
A dinâmica política de Mato Grosso iniciou o ciclo de articulações para o pleito majoritário com um foco renovado na composição das chapas que disputarão o Palácio Paiaguás. No epicentro das discussões recentes, a deputada federal e presidente do Diretório Municipal do União Brasil (UB) em Cuiabá, Gisela Simona, manifestou-se de forma incisiva para esclarecer o panorama das alianças partidárias. A parlamentar, cuja trajetória é marcada pela defesa dos direitos do consumidor e pela equidade de gênero, atua como peça-chave no tabuleiro eleitoral, representando uma força política consolidada na Baixada Cuiabana e exercendo influência direta nas decisões estratégicas de sua sigla para o próximo biênio.
O esclarecimento público ocorreu em um momento de intensa movimentação nos bastidores do poder, onde nomes de relevância estadual são testados pela opinião pública e por grupos políticos. Gisela Simona buscou dissipar as crescentes especulações que a apontavam como o nome de consenso para ocupar a vaga de vice-governadora em uma eventual chapa encabeçada pelo atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A parlamentar pontuou que, embora o diálogo entre as legendas seja contínuo e necessário para a estabilidade democrática, as conjecturas atuais carecem de amparo em convites formais ou deliberações oficiais entre as instâncias diretivas dos partidos envolvidos.
As declarações foram proferidas no contexto de uma análise sobre a governabilidade e a formação de coligações que darão sustentação aos projetos de reeleição e renovação administrativa no estado. Segundo Gisela Simona, a origem dos rumores remete a falas do próprio governador Otaviano Pivetta, que manifestou publicamente o desejo de contar com uma liderança feminina da Baixada Cuiabana para conferir equilíbrio geográfico e social à sua chapa.
A deputada enfatizou que a interpretação dada a essas diretrizes genéricas transformou um perfil desejado em uma indicação nominal precoce, o que não reflete a realidade das tratativas de gabinete realizadas até o presente momento.

Otaviano Pivetta, figura central nesta articulação, busca consolidar uma frente ampla que assegure a continuidade de sua gestão no comando do Poder Executivo mato-grossense. Ao sinalizar a preferência por uma mulher na vice-governadoria, o chefe do Executivo Estadual reconhece a necessidade de ampliar a interlocução com o eleitorado feminino, que constitui a maioria absoluta dos votantes no estado. Essa estratégia visa não apenas o cumprimento de uma cota representativa, mas a agregação de competência técnica e sensibilidade política em áreas estratégicas da administração pública, fortalecendo a imagem de uma gestão plural e atenta às demandas contemporâneas da sociedade.
A ausência de um convite formal, destacada reiteradamente pela dirigente do União Brasil, revela a cautela com que as grandes legendas tratam a engenharia política antes do período das convenções partidárias. Gisela Simona explicou que a definição de cargos como a vice-governadoria e as suplências ao Senado Federal geralmente ocorre nos momentos derradeiros do calendário eleitoral, servindo como instrumentos de “musculatura” para atrair siglas aliadas.
A construção dessas parcerias demanda um refinado cálculo de conveniência e oportunidade, visando garantir a robustez necessária para enfrentar as urnas em um cenário de alta competitividade e polarização ideológica.
A motivação por trás da defesa de uma chapa mista reside na convicção de que a representatividade feminina deve se traduzir em espaços de poder efetivo, e não apenas em participações simbólicas. Para a parlamentar cuiabana, o fato de o governador considerar uma composição com uma mulher é um avanço democrático louvável, dada a sub-representação histórica das mulheres nos cargos de comando no Centro-Oeste brasileiro. Gisela Simona argumenta que a presença feminina na majoritária agrega valor programático às campanhas, permitindo que temas como o “Combate à Violência Doméstica” e a “Proteção à Infância” ganhem centralidade no debate Executivo Estadual.
A parlamentar fundamenta sua posição em uma trajetória sólida, consolidada por trinta e três meses de mandato na Câmara Federal, onde registrou um índice de 100% de presença nas sessões plenárias. Conhecida popularmente como “Gisela do Procon”, sua atuação legislativa transcende a defesa do consumidor, abrangendo iniciativas de impacto nacional como o Pacote Antifeminicídio, aprovado em outubro de 2024. Mais recentemente, em 2026, a deputada ganhou projeção ao defender o Projeto de Lei 727/2026, que autoriza o porte de spray de pimenta para defesa pessoal feminina, reforçando seu compromisso com a segurança pública e a autonomia das mulheres.
O método de trabalho de Simona caracteriza-se pelo contato direto com as bases, tendo percorrido milhares de quilômetros pelo interior de Mato Grosso para ouvir lideranças comunitárias e setores produtivos durante os recessos parlamentares.
Essa presença capilarizada confere à deputada uma visão holística das disparidades regionais e das potencialidades econômicas do estado, qualificando-a como uma interlocutora privilegiada entre os grandes centros urbanos e as demandas do Agronegócio e da agricultura familiar. Tal visibilidade justifica a naturalidade com que seu nome surge em listas de apostas políticas, mesmo diante de suas negativas quanto a convites formais imediatos.
A relevância deste posicionamento para o cenário político estadual é cristalina: ele estabelece os limites entre o desejo administrativo do governador e a autonomia estratégica do União Brasil em Cuiabá.
A manutenção de Gisela Simona como uma voz independente e atuante na Câmara Federal permite que o partido negocie de uma posição de força, aguardando o amadurecimento das alianças sem precipitar adesões que poderiam comprometer outros projetos regionais. A clareza na comunicação da parlamentar evita o desgaste de sua imagem perante o eleitorado, mantendo o foco em sua produtividade legislativa e na transparência das pautas do Congresso Nacional.
Dessa forma, o desfecho da composição majoritária para o Palácio Paiaguás permanece em aberto, embora a baliza da representatividade feminina tenha sido definitivamente estabelecida como critério de sucesso. A expectativa é que, com o avanço do ano de 2026, as conversas entre União Brasil e Republicanos se estreitem em torno de nomes que unam densidade eleitoral e alinhamento programático.
Independentemente de sua participação direta na chapa de Otaviano Pivetta, Gisela Simona reafirma seu papel como protagonista na luta pela democratização dos espaços de decisão, assegurando que a voz das mulheres mato-grossenses seja ouvida com o rigor e a seriedade que o futuro do estado exige.
Política
Disputa pela presidência do Legislativo cuiabano mobiliza alianças e reformas regimentais
O cenário político na Câmara Municipal de Cuiabá encontra-se em um estágio de profunda efervescência devido à aproximação da eleição para a Mesa Diretora, prevista para agosto de 2026. O embate central polariza a atual presidente da Casa, Paula Calil (PL), que busca mecanismos para a recondução ao cargo, e o vereador Dilemário Alencar (União Brasil), figura que recentemente abdicou da liderança governista para consolidar seu projeto independente. Este confronto não se limita apenas à sucessão administrativa, mas reflete uma reorganização de forças que testa a estabilidade da base aliada do prefeito Abilio Brunini frente às ambições individuais dos parlamentares.
As movimentações ocorrem prioritariamente nos bastidores do Legislativo cuiabano e em encontros reservados, como o recente jantar promovido na residência do vereador Marcus Brito Jr. (PV). Tais articulações visam garantir o controle da Casa de Leis para o Biênio subsequente, um posto estratégico para a governabilidade municipal e para a definição das pautas prioritárias da capital mato-grossense. O ambiente, marcado por uma vigilância mútua entre as bancadas, transformou-se em um tabuleiro onde cada apoio formal é contabilizado como um recurso vital para a sobrevivência política dos grupos em disputa.
A atual presidente Paula Calil (PL), protagonista da primeira Mesa Diretora exclusivamente feminina da história da capital, lidera a ofensiva para manter sua hegemonia no comando do Parlamento. Do outro lado, Dilemário Alencar (UB) personifica a dissidência interna; ao renunciar ao seu posto de interlocutor oficial do Executivo, ele sinalizou que a disputa pela presidência possui um peso político superior à manutenção do cargo de liderança.

Essa ruptura forçou o prefeito cuiabano a nomear a vereadora Samantha Iris (PL) como sua nova representante, alterando a dinâmica de diálogo entre o Paço Municipal e os vinte e sete vereadores que compõem o quórum votante.
O principal motivo que sustenta a complexidade deste pleito é a barreira imposta pelo atual Regimento Interno da Câmara, que veta expressamente a reeleição consecutiva para o cargo de presidente. Para que Paula Calil possa concorrer novamente, é imperativo que ocorra uma reforma nas normas da Casa de Leis, o que demanda uma maioria qualificada.
Assim, a disputa deixa de ser meramente eleitoral para tornar-se uma batalha legislativa de alteração estatutária, onde o convencimento dos pares sobre a legitimidade da mudança normativa precede a escolha nominal dos integrantes da futura Mesa Diretora.
A estratégia adotada pelo bloco governista para viabilizar a continuidade da atual gestão baseia-se na separação estrita entre o voto favorável à mudança regimental e o voto para a eleição propriamente dita. Segundo aliados próximos, o grupo já teria assegurado dezessete votos para a alteração das regras, necessitando de apenas mais uma adesão para alcançar o número mágico de dezoito parlamentares. A tática consiste em persuadir vereadores independentes ou de oposição, como Baixinha Giraldelli (Solidariedade), a apoiarem a “democratização” da regra de reeleição, mesmo que estes não pretendam votar em Paula Calil no momento da escolha da chapa.
O processo de aglutinação de forças teve um marco importante na última quarta-feira (13), quando o grupo de apoio à reeleição consolidou catorze votos nominais, incluindo as adesões recentes dos vereadores Pastor Jefferson (PSD) e Dídimo Vovô (PSB). A presença do secretário de Governo, Ananias Filho, nesses encontros, sublinha o interesse direto da administração municipal no desfecho da eleição legislativa.
Para o Executivo, a manutenção de uma aliada fiel como Paula Calil na presidência representa a garantia de que as reformas e projetos de interesse da prefeitura não enfrentarão óbices regimentais ou engavetamentos estratégicos.
O método de contagem de votos e a formação de blocos parlamentares revelam a fragilidade das alianças partidárias em face de interesses locais. Atualmente, o grupo de Paula Calil detém a maioria simples para vencer a eleição, mas carece do quórum necessário para autorizar legalmente sua candidatura.
Essa assimetria numérica obriga os articuladores a operarem em duas frentes: a manutenção dos catorze fiéis e a sedução dos quatro parlamentares restantes para a reforma do regimento.
Caso essa maioria qualificada não seja atingida, o grupo já admite a execução de um plano alternativo, que envolveria o lançamento de um novo nome da base para evitar que o controle da Casa de Leis migre para a oposição.
A oposição, por sua vez, capitaneada pelo vereador Ilde Taques (Podemos), tenta estancar a sangria de aliados e impedir que a base governista alcance os dezoito votos necessários. O grupo oposicionista utiliza o argumento da alternância de poder e do respeito às regras vigentes para tentar demover os indecisos de apoiarem a mudança regimental casuística. Para Ilde Taques, a tentativa de alteração das normas às vésperas do pleito configura uma manobra que fere a segurança jurídica do processo legislativo, sendo este o principal pilar discursivo para manter seu bloco coeso contra a ofensiva do Palácio Alencastro.
A importância deste evento reside no fato de que a presidência da Câmara Municipal de Cuiabá é o cargo que define a velocidade da fiscalização sobre o Executivo e a distribuição de relatorias de projetos cruciais, como a Lei Orçamentária Anual (LOA). Uma presidência alinhada ao prefeito facilita a tramitação de matérias polêmicas, enquanto uma presidência independente ou hostil pode paralisar a gestão municipal.
Portanto, o que se decide em agosto de 2026 é o tom da relação institucional que prevalecerá na capital mato-grossense, impactando diretamente a entrega de serviços públicos e a execução de políticas municipais.
Em suma, a política cuiabana aguarda o desenrolar das próximas semanas para verificar se a maioria política conseguirá se transformar em maioria normativa. A fluidez das alianças sugere que o cenário permanecerá volátil até o momento da votação oficial.
Se Paula Calil lograr êxito na reforma do regimento, consolidará um poder histórico na Casa de Leis; caso contrário, a emergência de uma terceira via ou a vitória de Dilemário Alencar poderá reconfigurar totalmente o xadrez político local, exigindo do prefeito cuiabano Abilio Brunini uma nova postura de negociação para o encerramento de seu ciclo administrativo.
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