Política
Maluf: “Serão votados os relatórios das CPI’s dos Frigoríficos, Obras da Copa e Renúncia e Sonegação Fiscal”
Os relatórios finais das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI's) dos Frigoríficos, Obras da Copa e Renúncia e Sonegação Fiscal começarão a ser votados a partir desta semana, após o retorno dos trabalhos do Legislativo Estadual. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB).
Conforme Regimento Interno da Casa de Leis, após serem apresentados, os projetos de resolução com os relatórios finais das CPI's devem cumprir pauta durante cinco sessões. Em seguida, são encaminhados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para emissão de parecer e só então estão aptos a serem votados em Plenário.
Das cinco CPI's que estavam em andamento no ano passado, quatro já foram concluídas, restando apenas a CPI do Ministério Público Estadual.
"Todas as CPI's contaram com o acompanhamento de técnicos qualificados, que produziram relatórios esclarecedores, transcritos em milhares de páginas. Esses relatórios serão votados seguindo rigorosamente o trâmite previsto no regimento interno da Assembleia e tenho certeza de que os resultados apontados resultarão em benefícios para o Governo do Estado e para toda a sociedade mato-grossense", declarou Guilherme Maluf.
O projeto de resolução com o relatório da CPI das Organizações Sociais de Saúde (OSS's) já foi votado e aprovado no dia 19 de outubro. Os trabalhos duraram pouco mais de 15 meses e o relatório final da comissão apontou que o desperdício de recursos públicos pode superar R$ 200 milhões em decorrência da má gestão de unidades de saúde por parte de cinco OSS's em Mato Grosso.
O projeto de resolução da CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal foi apresentado em Plenário no dia 21 de dezembro e precisa cumprir as cinco sessões necessárias, para só então ser encaminhado à CCJ e retornar para ser apreciado pelos deputados estaduais. As investigações realizadas pela CPI concluíram que empresas e cooperativas beneficiadas em programas de incentivos fiscais do governo estadual sonegaram R$ 1,78 bilhão em impostos.
Já os projetos de resolução referentes às CPI's das Obras da Copa e dos Frigoríficos estão finalizados, porém ainda não foram lidos em Plenário.
O conteúdo do relatório final da CPI das Obras da Copa foi apresentado no dia 19 de outubro. Em mais de 3,4 mil páginas, o documento apontou a existência de fraudes, descumprimento de contratos, superfaturamento, pagamentos indevidos e má qualidade dos serviços. Também indicou a necessidade de devolução de mais de R$ 540 milhões aos cofres públicos e de indiciamento de 7 agentes políticos, 96 agentes públicos, 16 empresas privadas e 7 consórcios de empresas.
Assim que o relatório for aprovado em Plenário, o deputado Guilherme Maluf informou que irá encaminhá-lo ao Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Governo do Estado, Polícia Judiciária Civil, Tribunal de Contas do Estado, Governo Federal, Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, deputados federais e senadores da República.
O parlamentar também defendeu que seja criada uma comissão composta por representantes do Legislativo e de órgãos de controle, com o objetivo de propor alternativas para conclusão das Obras da Copa.
A CPI dos Frigoríficos encerrou os trabalhos no dia 13 de dezembro e o relatório final apresentado pelos membros da comissão propôs medidas como a definição de uma política tributária regionalizada para o setor; o realinhamento de preços; o levantamento do número real do rebanho em Mato Grosso; a reabertura de plantas frigoríficas e a realização de inspeção federal.
Política
Jayme afirma existir uma “Verdadeira Quadrilha” instalada no Palácio Paiaguás
A derrota de Jayme Campos na Convenção do União Brasil (UB) alterou o cenário de sua atuação política em Mato Grosso e aproximou o Senador de Wellington Fagundes, pré-candidato ao Governo do Estado pelo Partido Liberal (PL). O movimento ganhou maior dimensão depois de o senador perder, por 30 votos a 19, a disputa interna que definiria a posição da legenda na eleição estadual. Com a vitória da tese favorável ao apoio ao Republicanos, Otaviano Pivetta, o União Brasil (UB) passou a integrar o grupo político do governador, enquanto Jayme Campos intensificou as críticas aos principais nomes dessa articulação.
A disputa ocorreu dentro do próprio União Brasil (UB), partido pelo qual Jayme Campos pretendia concorrer ao Governo de Mato Grosso. Durante a fase de mobilização dos convencionais, o senador afirmava possuir maioria suficiente para assegurar a candidatura e chegou a declarar que contava com 35 dos 50 votos. O resultado da convenção, entretanto, contrariou sua expectativa e consolidou a decisão de apoiar Otaviano Pivetta, impondo ao senador uma derrota política dentro da legenda.
O desfecho provocou forte reação de Jayme Campos, que classificou o processo interno como “desigual e desonesto” e afirmou ter enfrentado um “rolo compressor”. Na avaliação apresentada pelo próprio senador, a possibilidade de disputar a eleição seria suficiente para levá-lo à vitória. As declarações expuseram a dimensão da insatisfação com o resultado e marcaram uma mudança significativa em sua relação com o grupo que prevaleceu na convenção.

Nesse novo contexto, a aproximação com Wellington Fagundes passou a adquirir relevância política. A presença de Jayme Campos ao lado do candidato do PL deixou de representar apenas uma agenda circunstancial e passou a sinalizar uma aproximação com um grupo situado fora da aliança que venceu a disputa interna do União Brasil (UB).
O movimento também ampliou a visibilidade das críticas feitas pelo senador unista ao atual grupo político que comanda o Estado de Mato Grosso.
Durante evento realizado na sede do PL para o anúncio do candidato a vice na chapa de Wellington Fagundes, Jayme Campos elevou o tom contra a administração estadual. Em seu discurso, o senador afirmou que Mato Grosso precisa “mudar esse estado de coisas” e fez acusações relacionadas à aplicação e ao suposto desvio de recursos públicos. As declarações foram apresentadas como uma defesa de mudança política e administrativa por meio do processo eleitoral.
Ao direcionar suas críticas ao governo estadual, Jayme Campos mirou especialmente o ex-governador Mauro Mendes e o governador Otaviano Pivetta. O senador passou a questionar a condução da administração e a defender uma alternativa política para o Estado.
A posição adotada representa uma ruptura de fato com o projeto eleitoral que saiu vitorioso na convenção do União Brasil e reforça sua aproximação com a candidatura de Wellington.
Em uma das declarações mais contundentes, Jayme afirmou existir uma “verdadeira quadrilha” instalada no Palácio Paiaguás, sede do Governo de Mato Grosso. A acusação, feita publicamente durante o evento político, foi acompanhada de uma cobrança para que órgãos de controle investiguem possíveis irregularidades na administração estadual. Por se tratar de uma acusação grave, sua eventual comprovação depende de apuração formal e da apresentação de provas pelas instituições competentes.

O senador também afirmou ter acionado publicamente órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle da administração pública. Entre as instituições mencionadas por Jayme Campos estão a Controladoria-Geral da União, os Ministérios Públicos Federal e Estadual e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o parlamentar mato-grossense, essas instituições deveriam analisar possíveis irregularidades e adotar as providências cabíveis caso sejam identificadas condutas incompatíveis com a legislação.
A manifestação ocorreu em um momento de reorganização das forças políticas de Mato Grosso para a próxima disputa estadual.
De um lado, o União Brasil consolidou sua aproximação com Otaviano Pivetta; de outro, Jayme Campos passou a ocupar espaço ao lado de Wellington Fagundes.
A mudança evidencia os efeitos políticos da convenção partidária e acrescenta uma nova variável à formação das alianças que deverão disputar o comando do Estado.
Ao final do discurso, Jayme Campos confirmou publicamente seu apoio à candidatura de Wellington Fagundes ao Governo de Mato Grosso e convocou aliados a participarem do novo projeto eleitoral.
“Vamos caminhar juntos com Wellington Fagundes”, declarou o senador.
A afirmação encerra, neste momento, um processo de afastamento do grupo vencedor da convenção e consolida sua aproximação com a candidatura do PL, em um cenário no qual as alianças e os posicionamentos deverão continuar sendo definidos até o período eleitoral.
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