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DA DERROTA INTERNA AO NOVO PALANQUE

Jayme afirma existir uma “Verdadeira Quadrilha” instalada no Palácio Paiaguás

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A derrota de Jayme Campos na Convenção do União Brasil (UB) alterou o cenário de sua atuação política em Mato Grosso e aproximou o Senador de Wellington Fagundes, pré-candidato ao Governo do Estado pelo Partido Liberal (PL). O movimento ganhou maior dimensão depois de o senador perder, por 30 votos a 19, a disputa interna que definiria a posição da legenda na eleição estadual. Com a vitória da tese favorável ao apoio ao Republicanos, Otaviano Pivetta, o União Brasil (UB) passou a integrar o grupo político do governador, enquanto Jayme Campos intensificou as críticas aos principais nomes dessa articulação.

A disputa ocorreu dentro do próprio União Brasil (UB), partido pelo qual Jayme Campos pretendia concorrer ao Governo de Mato Grosso. Durante a fase de mobilização dos convencionais, o senador afirmava possuir maioria suficiente para assegurar a candidatura e chegou a declarar que contava com 35 dos 50 votos. O resultado da convenção, entretanto, contrariou sua expectativa e consolidou a decisão de apoiar Otaviano Pivetta, impondo ao senador uma derrota política dentro da legenda.

O desfecho provocou forte reação de Jayme Campos, que classificou o processo interno como “desigual e desonesto” e afirmou ter enfrentado um “rolo compressor”. Na avaliação apresentada pelo próprio senador, a possibilidade de disputar a eleição seria suficiente para levá-lo à vitória. As declarações expuseram a dimensão da insatisfação com o resultado e marcaram uma mudança significativa em sua relação com o grupo que prevaleceu na convenção.

Nesse novo contexto, a aproximação com Wellington Fagundes passou a adquirir relevância política. A presença de Jayme Campos ao lado do candidato do PL deixou de representar apenas uma agenda circunstancial e passou a sinalizar uma aproximação com um grupo situado fora da aliança que venceu a disputa interna do União Brasil (UB).

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O movimento também ampliou a visibilidade das críticas feitas pelo senador unista ao atual grupo político que comanda o Estado de Mato Grosso.

Durante evento realizado na sede do PL para o anúncio do candidato a vice na chapa de Wellington Fagundes, Jayme Campos elevou o tom contra a administração estadual. Em seu discurso, o senador afirmou que Mato Grosso precisa mudar esse estado de coisas e fez acusações relacionadas à aplicação e ao suposto desvio de recursos públicos. As declarações foram apresentadas como uma defesa de mudança política e administrativa por meio do processo eleitoral.

Ao direcionar suas críticas ao governo estadual, Jayme Campos mirou especialmente o ex-governador Mauro Mendes e o governador Otaviano Pivetta. O senador passou a questionar a condução da administração e a defender uma alternativa política para o Estado.

A posição adotada representa uma ruptura de fato com o projeto eleitoral que saiu vitorioso na convenção do União Brasil e reforça sua aproximação com a candidatura de Wellington.

Em uma das declarações mais contundentes, Jayme afirmou existir uma verdadeira quadrilha instalada no Palácio Paiaguás, sede do Governo de Mato Grosso. A acusação, feita publicamente durante o evento político, foi acompanhada de uma cobrança para que órgãos de controle investiguem possíveis irregularidades na administração estadual. Por se tratar de uma acusação grave, sua eventual comprovação depende de apuração formal e da apresentação de provas pelas instituições competentes.

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O senador também afirmou ter acionado publicamente órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle da administração pública. Entre as instituições mencionadas por Jayme Campos estão a Controladoria-Geral da União, os Ministérios Públicos Federal e Estadual e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o parlamentar mato-grossense, essas instituições deveriam analisar possíveis irregularidades e adotar as providências cabíveis caso sejam identificadas condutas incompatíveis com a legislação.

A manifestação ocorreu em um momento de reorganização das forças políticas de Mato Grosso para a próxima disputa estadual.

De um lado, o União Brasil consolidou sua aproximação com Otaviano Pivetta; de outro, Jayme Campos passou a ocupar espaço ao lado de Wellington Fagundes.

A mudança evidencia os efeitos políticos da convenção partidária e acrescenta uma nova variável à formação das alianças que deverão disputar o comando do Estado.

Ao final do discurso, Jayme Campos confirmou publicamente seu apoio à candidatura de Wellington Fagundes ao Governo de Mato Grosso e convocou aliados a participarem do novo projeto eleitoral.

Vamos caminhar juntos com Wellington Fagundes”, declarou o senador.

A afirmação encerra, neste momento, um processo de afastamento do grupo vencedor da convenção e consolida sua aproximação com a candidatura do PL, em um cenário no qual as alianças e os posicionamentos deverão continuar sendo definidos até o período eleitoral.

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Política

Vice de Wellington redefine a identidade da chapa, mas mantém em aberto o desafio eleitoral da Baixada Cuiabana

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A composição da chapa encabeçada pelo Senador Wellington Fagundes (PL) para a disputa pelo Governo de Mato Grosso entra em uma nova etapa com a escolha de Reinaldo Moraes, conhecido como “Rei do Porco”, para a vaga de vice. A definição encerra uma sequência de articulações que envolveu diferentes nomes e perfis políticos, mas também desloca o debate para uma questão estratégica: além de consolidar sua identidade política, a chapa conseguirá ampliar sua presença territorial na Baixada Cuiabana? A dúvida ganha relevância em uma eleição estadual na qual a capacidade de dialogar com diferentes regiões pode influenciar a formação de uma maioria eleitoral.

A trajetória das negociações ajuda a dimensionar o significado da escolha. Antes de Reinaldo Moraes ganhar espaço na composição, o empresário Marcelo Maluf, ligado ao Novo e com atuação em Cuiabá, chegou a ser apontado como nome para a vice. O próprio Wellington Fagundes declarou que considerava desejável a presença de Maluf na chapa, enquanto dirigentes do PL confirmaram que as conversas entre as duas siglas estavam avançadas. A movimentação demonstrava que a vice poderia cumprir também uma função de aproximação com setores políticos e eleitorais da capital.

A entrada de Reinaldo Moraes modifica essa lógica. Empresário do Agronegócio, conhecido nacionalmente pela relação política com o bolsonarismo, ele já havia coordenado a campanha de Jair Bolsonaro em Mato Grosso em 2022 e mantém histórico de proximidade com o ex-presidente. Em 2024, a própria imprensa registrou que Bolsonaro esteve na propriedade de Reinaldo Moraes, em Diamantino, durante passagem pelo Estado. Esse histórico confere ao empresário uma identidade política bastante definida e acrescenta à chapa um componente de alinhamento ideológico que ultrapassa as fronteiras da disputa estadual.

O efeito político da escolha, portanto, está menos relacionado apenas à ocupação de uma vaga e mais à mensagem que a composição pretende transmitir ao eleitorado. Wellington Fagundes passa a dividir a chapa com um empresário identificado com o Agronegócio, o interior mato-grossense e o campo político associado ao bolsonarismo. É uma composição que privilegia identidade, proximidade com o setor produtivo e conexão com segmentos conservadores.

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Sob essa perspectiva, a escolha apresenta coerência interna e reforça uma marca política já presente na candidatura do senador.

O problema estratégico aparece em outro ponto: a geografia eleitoral. Wellington Fagundes construiu parte expressiva de sua trajetória política em Mato Grosso, enquanto Reinaldo Moraes possui forte associação com o interior e com o Agronegócio.

A composição, dessa maneira, não utiliza a vaga de vice como instrumento direto de incorporação de uma liderança originária de Cuiabá ou de Várzea Grande. Isso não significa que Reinaldo Moraes esteja impedido de conquistar votos na região, mas indica que seu principal capital político não está concentrado, historicamente, na Baixada Cuiabana.

Cuiabá e Várzea Grande representam, nesse cenário, uma frente eleitoral que continuará exigindo atenção específica da candidatura. A região metropolitana concentra parcela expressiva do eleitorado estadual e possui características políticas próprias, com redes de lideranças municipais, vereadores, prefeitos, partidos e grupos organizados que podem exercer influência sobre a formação dos votos.

Por isso, uma chapa que não tenha na composição majoritária um nome originário desse espaço precisará desenvolver outras estratégias para estabelecer presença política consistente na capital e em seu entorno.

A decisão de Wellington, nesse sentido, pode ser interpretada como uma escolha entre duas necessidades distintas. De um lado, havia a possibilidade de utilizar a vice para ampliar a composição territorial e aproximar a candidatura de segmentos específicos da Baixada. De outro, estava a oportunidade de reforçar a identidade política da chapa por meio de um nome associado ao agronegócio, ao interior e ao bolsonarismo. Ao optar por Reinaldo Moraes, a composição final privilegia claramente a segunda alternativa, enquanto deixa a primeira dependente de alianças externas.

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Esse movimento transfere para a campanha uma tarefa adicional: construir pontes políticas na região metropolitana sem depender exclusivamente do candidato a vice.

Prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, dirigentes partidários e grupos empresariais passam a ter importância ainda maior na estratégia de expansão da candidatura. Em Cuiabá e Várzea Grande, a capacidade de estabelecer alianças locais poderá funcionar como complemento à identidade nacional e estadual que a chapa busca consolidar com Wellington e Moraes.

A questão, portanto, não é saber se a escolha de Reinaldo Moraes fortalece ou enfraquece a candidatura em termos absolutos, mas compreender qual problema político ela resolve e qual permanece em aberto. A vice ajuda a consolidar uma identidade associada ao Agronegócio, ao interior e ao campo bolsonarista, ao mesmo tempo em que não representa, por sua origem política, uma solução automática para a presença eleitoral na Baixada Cuiabana.

A composição ganha definição ideológica, mas mantém espaço para novas articulações territoriais.

O próximo capítulo da disputa será justamente medir a capacidade de transformar essa composição política em uma estrutura eleitoral abrangente. A escolha do vice encerra uma etapa das negociações, mas não encerra a construção da chapa perante o eleitorado.

Para Wellington Fagundes, o desafio passa a ser combinar a identidade política fortalecida por Reinaldo Moraes com uma rede de alianças capaz de alcançar diferentes regiões de Mato Grosso.

Nesse cálculo, a Baixada Cuiabana surge como uma frente decisiva: a equação da vice foi solucionada, mas a equação territorial ainda dependerá da campanha.

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