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VELHA POLÍTICA OU NOVA POLÍTICA

Júlio Campos rebate discurso de Abilio sobre “velha política” e questiona uso da máquina pública em eleição

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O deputado estadual Júlio Campos (União) reagiu às declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sobre o suposto enfraquecimento da chamada “velha política” em Mato Grosso. O parlamentar contestou a avaliação do gestor municipal, defendeu sua trajetória de cinco décadas na vida pública e levantou questionamentos sobre a utilização da estrutura administrativa da capital durante o processo eleitoral, especialmente em relação à eleição de Samantha do Abilio (PL), esposa do prefeito.

A controvérsia ganhou destaque no cenário político mato-grossense após o encerramento do processo eleitoral e evidenciou divergências entre lideranças de diferentes grupos políticos. Enquanto Abilio Brunini associou o resultado das urnas ao avanço de uma nova forma de fazer política, Júlio Campos rebateu essa interpretação e afirmou que o discurso de renovação precisa ser acompanhado de práticas coerentes com os princípios de transparência, responsabilidade administrativa e respeito aos compromissos partidários.

No debate público, a expressão “Velha Política” costuma designar práticas tradicionais de articulação do poder, frequentemente associadas ao personalismo, ao clientelismo e à distribuição de benefícios em troca de apoio político. Entre os comportamentos criticados estão as negociações pouco transparentes, a troca de favores, a distribuição de cargos e a destinação de recursos públicos condicionada a interesses eleitorais. Essas práticas, contudo, precisam ser analisadas à luz de fatos concretos, documentos e eventuais decisões dos órgãos competentes.

Historicamente, o termo também é empregado para criticar a concentração de influência em grupos familiares e lideranças que permanecem por longos períodos no poder. Nesse contexto, a expressão “Nova Política” ganhou espaço em campanhas eleitorais de candidatos que prometem romper com estruturas tradicionais, ampliar a transparência e reduzir privilégios. A distinção entre os dois conceitos, entretanto, não depende apenas do discurso dos representantes, mas também de suas condutas e da maneira como exercem os mandatos e administram os recursos públicos.

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Ao responder às críticas do prefeito, Júlio Campos destacou sua trajetória política e afirmou que, ao longo de aproximadamente 50 anos de vida pública, seu grupo não teria sido alvo de investigações policiais relacionadas a crimes contra a administração pública.

A declaração foi utilizada pelo deputado para contestar as avaliações sobre os métodos tradicionais de atuação política e defender a reputação construída por sua família ao longo de diferentes períodos da história de Mato Grosso.

“Nunca tivemos, em 50 anos de vida, Polícia Federal na nossa porta, Ministério Público querendo fazer processo por roubo, corrupção, desvio”, afirmou o parlamentar.

A fala reforçou o tom de confronto entre as duas lideranças e levou a discussão para o campo da reputação política, em que declarações públicas precisam ser consideradas dentro de seu contexto e diferenciadas de eventuais conclusões judiciais.

Na sequência, Júlio Campos direcionou suas críticas à atuação de Abilio Brunini durante o período eleitoral. O deputado acusou o prefeito de utilizar a estrutura administrativa municipal para favorecer a eleição de sua esposa, Samantha do Abilio. A afirmação representa uma acusação política do parlamentar e, para que seja tratada como irregularidade comprovada, depende da apresentação de elementos verificáveis e da análise das autoridades competentes.

“Repudio as palavras do prefeito Abilio Brunini, que usou e abusou da máquina pública, da máquina pública para reeleger a sua esposa, traindo os seus companheiros de partido”, declarou Júlio Campos.

Com a manifestação, o deputado questionou a coerência entre o discurso de renovação defendido pelo prefeito e as práticas que, segundo sua avaliação, teriam sido adotadas durante a disputa eleitoral. A acusação, porém, não equivale, por si só, à comprovação de qualquer infração.

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O episódio também reacende a discussão sobre os limites entre a atuação legítima de agentes públicos e o uso indevido de estruturas governamentais em benefício eleitoral. A legislação brasileira estabelece regras para assegurar a igualdade de oportunidades entre candidatos e impedir o emprego da administração pública para favorecer candidaturas. A identificação de eventual abuso exige, entretanto, a análise das circunstâncias, das provas disponíveis e das normas aplicáveis ao caso concreto.

Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o embate poderá alimentar novas manifestações políticas e cobranças relacionadas à transparência e à conduta de gestores públicos. Até que sejam apresentados esclarecimentos ou elementos adicionais, as declarações de Júlio Campos devem ser compreendidas como posicionamentos atribuídos ao parlamentar, sem antecipar conclusões sobre possíveis responsabilidades. A repercussão também coloca em evidência a importância da fiscalização institucional e do acesso da população a informações verificáveis.

Mais do que uma divergência entre duas lideranças, o confronto expõe uma disputa sobre o significado da renovação política em Mato Grosso. De um lado, está o discurso de superação das práticas tradicionais; de outro, a contestação de que essa mudança esteja efetivamente refletida nas condutas dos representantes eleitos.

O desfecho dessa controvérsia dependerá não apenas das respostas públicas dos envolvidos, mas também da consistência dos fatos apresentados e da capacidade das instituições de assegurar transparência, legalidade e respeito ao interesse coletivo.

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Política

União Brasil prepara ampla reestruturação após eleições e deve redefinir permanência de filiados

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A vice-governadora eleita, Gisela Simona, afirmou que o União Brasil (UB) deverá passar por uma ampla reestruturação interna em Mato Grosso após a conclusão do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo ela, o período pós-eleitoral será decisivo para que a legenda avalie sua composição política, redefina estratégias e estabeleça quem permanecerá ou deixará os quadros partidários nos próximos anos.

A declaração foi dada em um momento considerado estratégico para a sigla, que enfrentou uma das maiores crises internas de sua trajetória recente durante o processo de construção da chapa majoritária para a disputa do Governo do Estado. Apesar das divergências registradas ao longo do período pré-eleitoral, o partido conseguiu manter protagonismo político ao conquistar a vice-governadoria.

O processo de reorganização partidária ocorre após uma transição relevante no cenário político estadual. Durante sete anos e meio, o então governador Mauro Mendes, comandou o Palácio Paiaguás tendo Otaviano Pivetta, do Republicanos, como vice-governador. Com a nova composição administrativa, os papéis foram invertidos, levando Pivetta ao comando do Executivo Estadual e garantindo ao União Brasil a ocupação da vice-governadoria por meio de Gisela Simona.

Entretanto, o caminho até a consolidação dessa aliança foi marcado por intensos embates internos. Uma ala significativa do partido, liderada pelo senador Jayme Campos, defendia o lançamento de candidatura própria ao Governo do Estado, com o próprio parlamentar encabeçando a chapa. Em sentido oposto, Mauro Mendes, então presidente estadual da legenda, articulava o apoio à candidatura de Otaviano Pivetta.

A disputa interna se intensificou durante o período das Convenções Partidárias. Na ocasião, os delegados do União Brasil (UB) rejeitaram a proposta de candidatura própria defendida por Jayme Campos. A decisão consolidou o alinhamento da legenda ao projeto político de Pivetta, encerrando formalmente uma das principais divergências que dividiam a sigla naquele momento.

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Como consequência do impasse, Jayme Campos e seu irmão, Julio Campos, optaram por apoiar a candidatura de Wellington Fagundes, do Partido Liberal (PL), ao Governo de Mato Grosso. A movimentação evidenciou o grau de fragmentação interna enfrentado pelo União Brasil durante a campanha eleitoral.

O cenário eleitoral posterior trouxe resultados distintos para os envolvidos. Julio Campos não conseguiu renovar seu mandato na Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), enquanto o grupo político alinhado à aliança firmada pelo União Brasil obteve êxito ao integrar a composição vitoriosa para o comando do Estado. Esse desfecho fortaleceu a avaliação de que a estratégia adotada pela maioria da legenda produziu resultados positivos.

Na visão de Gisela Simona, o desempenho obtido nas urnas demonstrou a relevância política e eleitoral do União Brasil em Mato Grosso. Ainda assim, a vice-governadora eleita reconheceu que o partido poderia ter alcançado resultados mais expressivos caso tivesse construído maior unidade interna ao longo do processo eleitoral.

Entre os principais pontos que deverão ser analisados pela direção partidária estão o fortalecimento da estrutura interna, a ampliação da representação parlamentar e a retomada do diálogo com filiados e lideranças regionais. A dirigente entende que uma organização mais coesa poderá ampliar a competitividade da legenda nas próximas disputas eleitorais e fortalecer sua presença em diferentes regiões do estado.

Dessa forma, o período posterior ao segundo turno presidencial deverá inaugurar uma nova fase para o União Brasil em Mato Grosso. A expectativa da vice-governadora eleita é que a legenda promova uma revisão abrangente de seus rumos políticos, redefina seu quadro de filiados e fortaleça a aproximação com seus correligionários, consolidando as bases para os desafios eleitorais e administrativos que se apresentam nos próximos anos.

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