SEM AUMENTO SALARIAL
AL/MT mantém veto ao reajuste do TJMT e “Enterra Proposta” que poderia gerar “Impacto Bilionário” aos Cofres do Estado
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) manteve, em sessão realizada na última quarta-feira (7), o veto ao projeto que previa reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A decisão confirmou o posicionamento anteriormente adotado pelo Poder Executivo Estadual e encerrou a tramitação da proposta, que beneficiaria aproximadamente 3 mil servidores ativos e inativos da Justiça estadual.
O veto havia sido originalmente imposto, em dezembro de 2025, pelo então governador Mauro Mendes (UB), por meio de edição extraordinária do Diário Oficial do Estado (DOE). Na ocasião, o chefe do Executivo argumentou que o projeto não apresentava comprovação adequada da capacidade financeira para suportar o aumento das despesas decorrentes da medida.
Segundo a justificativa encaminhada pelo governo, o reajuste poderia provocar forte repercussão nas contas públicas estaduais. Estimativas oficiais apontavam que o impacto financeiro da proposta poderia alcançar R$ 1,6 bilhão, valor considerado significativo diante das responsabilidades fiscais e orçamentárias do Estado.
De acordo com a avaliação do Executivo, a concessão isolada do benefício aos servidores do Judiciário teria potencial para estimular reivindicações semelhantes por parte de outras categorias do funcionalismo público. O governo sustentou que tal movimento poderia desencadear uma série de pressões por reajustes e equiparações salariais em diversos setores da administração pública estadual.
Na mesma justificativa, Mauro Mendes destacou que os vencimentos praticados no Poder Judiciário já apresentariam diferenças relevantes em relação a outras carreiras do serviço público estadual. Para o governo, a aprovação do reajuste ampliaria esse desequilíbrio remuneratório e poderia fortalecer demandas por correções semelhantes em outros segmentos.

A proposta contemplava servidores ativos e aposentados vinculados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Os defensores do aumento argumentavam que a recomposição salarial era necessária para preservar o poder de compra dos trabalhadores e reconhecer a importância das atividades desempenhadas pelos profissionais que atuam no sistema judiciário estadual.
Entre os principais críticos do veto esteve o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues. À época da decisão do Executivo, o dirigente sindical classificou a medida como contrária aos princípios constitucionais e afirmou confiar no apoio dos parlamentares para reverter o posicionamento do governo.
“O governador cria situações para não ficar mal com outros servidores de maneira geral. Nós confiamos nos deputados”, declarou.
Durante a votação na Casa de Leis, 12 deputados manifestaram-se favoravelmente à manutenção do veto, enquanto seis parlamentares defenderam sua derrubada. A sessão foi acompanhada por servidores do Judiciário, que ocuparam as galerias da Casa de Leis e promoveram manifestações em defesa da aprovação do reajuste.
Votaram pela derrubada do veto os deputados Janaína Riva (MDB), Gilberto Cattani (PL), Faissal Calil (PL), Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT) e Carlos Avallone (PSDB). Já a manutenção da decisão do Executivo recebeu os votos de Dilmar Dal Bosco (União Brasil), Elizeu Nascimento (Novo), Juca do Guaraná (PSDB), Eduardo Botelho (MDB), Dr. Eugênio (Republicanos), Max Russi (Podemos), Fábio Tardin (Podemos), Valmir Moretto (Republicanos), Chico Guarnieri (PSDB), Beto Dois a Um (Podemos), Nininho (Republicanos) e Diego Guimarães (Republicanos).
Outros cinco parlamentares não participaram da votação.

Após a definição do resultado, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), afirmou que o desfecho já era esperado e ressaltou que o placar repetiu exatamente o observado em votação anterior. Segundo ele, a manutenção dos mesmos votos demonstrou que a posição dos parlamentares permaneceu inalterada independentemente de o processo ocorrer por meio de votação aberta ou secreta.
Com a preservação do veto governamental, a proposta de reajuste de 6,8% foi definitivamente rejeitada e deixou de produzir qualquer efeito para os servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Política
Júlio Campos rebate discurso de Abilio sobre “velha política” e questiona uso da máquina pública em eleição
O deputado estadual Júlio Campos (União) reagiu às declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sobre o suposto enfraquecimento da chamada “velha política” em Mato Grosso. O parlamentar contestou a avaliação do gestor municipal, defendeu sua trajetória de cinco décadas na vida pública e levantou questionamentos sobre a utilização da estrutura administrativa da capital durante o processo eleitoral, especialmente em relação à eleição de Samantha do Abilio (PL), esposa do prefeito.
A controvérsia ganhou destaque no cenário político mato-grossense após o encerramento do processo eleitoral e evidenciou divergências entre lideranças de diferentes grupos políticos. Enquanto Abilio Brunini associou o resultado das urnas ao avanço de uma nova forma de fazer política, Júlio Campos rebateu essa interpretação e afirmou que o discurso de renovação precisa ser acompanhado de práticas coerentes com os princípios de transparência, responsabilidade administrativa e respeito aos compromissos partidários.
No debate público, a expressão “Velha Política” costuma designar práticas tradicionais de articulação do poder, frequentemente associadas ao personalismo, ao clientelismo e à distribuição de benefícios em troca de apoio político. Entre os comportamentos criticados estão as negociações pouco transparentes, a troca de favores, a distribuição de cargos e a destinação de recursos públicos condicionada a interesses eleitorais. Essas práticas, contudo, precisam ser analisadas à luz de fatos concretos, documentos e eventuais decisões dos órgãos competentes.
Historicamente, o termo também é empregado para criticar a concentração de influência em grupos familiares e lideranças que permanecem por longos períodos no poder. Nesse contexto, a expressão “Nova Política” ganhou espaço em campanhas eleitorais de candidatos que prometem romper com estruturas tradicionais, ampliar a transparência e reduzir privilégios. A distinção entre os dois conceitos, entretanto, não depende apenas do discurso dos representantes, mas também de suas condutas e da maneira como exercem os mandatos e administram os recursos públicos.
Ao responder às críticas do prefeito, Júlio Campos destacou sua trajetória política e afirmou que, ao longo de aproximadamente 50 anos de vida pública, seu grupo não teria sido alvo de investigações policiais relacionadas a crimes contra a administração pública.
A declaração foi utilizada pelo deputado para contestar as avaliações sobre os métodos tradicionais de atuação política e defender a reputação construída por sua família ao longo de diferentes períodos da história de Mato Grosso.
“Nunca tivemos, em 50 anos de vida, Polícia Federal na nossa porta, Ministério Público querendo fazer processo por roubo, corrupção, desvio”, afirmou o parlamentar.
A fala reforçou o tom de confronto entre as duas lideranças e levou a discussão para o campo da reputação política, em que declarações públicas precisam ser consideradas dentro de seu contexto e diferenciadas de eventuais conclusões judiciais.
Na sequência, Júlio Campos direcionou suas críticas à atuação de Abilio Brunini durante o período eleitoral. O deputado acusou o prefeito de utilizar a estrutura administrativa municipal para favorecer a eleição de sua esposa, Samantha do Abilio. A afirmação representa uma acusação política do parlamentar e, para que seja tratada como irregularidade comprovada, depende da apresentação de elementos verificáveis e da análise das autoridades competentes.
“Repudio as palavras do prefeito Abilio Brunini, que usou e abusou da máquina pública, da máquina pública para reeleger a sua esposa, traindo os seus companheiros de partido”, declarou Júlio Campos.
Com a manifestação, o deputado questionou a coerência entre o discurso de renovação defendido pelo prefeito e as práticas que, segundo sua avaliação, teriam sido adotadas durante a disputa eleitoral. A acusação, porém, não equivale, por si só, à comprovação de qualquer infração.
O episódio também reacende a discussão sobre os limites entre a atuação legítima de agentes públicos e o uso indevido de estruturas governamentais em benefício eleitoral. A legislação brasileira estabelece regras para assegurar a igualdade de oportunidades entre candidatos e impedir o emprego da administração pública para favorecer candidaturas. A identificação de eventual abuso exige, entretanto, a análise das circunstâncias, das provas disponíveis e das normas aplicáveis ao caso concreto.
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o embate poderá alimentar novas manifestações políticas e cobranças relacionadas à transparência e à conduta de gestores públicos. Até que sejam apresentados esclarecimentos ou elementos adicionais, as declarações de Júlio Campos devem ser compreendidas como posicionamentos atribuídos ao parlamentar, sem antecipar conclusões sobre possíveis responsabilidades. A repercussão também coloca em evidência a importância da fiscalização institucional e do acesso da população a informações verificáveis.
Mais do que uma divergência entre duas lideranças, o confronto expõe uma disputa sobre o significado da renovação política em Mato Grosso. De um lado, está o discurso de superação das práticas tradicionais; de outro, a contestação de que essa mudança esteja efetivamente refletida nas condutas dos representantes eleitos.
O desfecho dessa controvérsia dependerá não apenas das respostas públicas dos envolvidos, mas também da consistência dos fatos apresentados e da capacidade das instituições de assegurar transparência, legalidade e respeito ao interesse coletivo.
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