ENTRE AS 47 QUE CONSEGUIRAM ÊXITO NAS ELEIÇÕES GERAIS
Mulheres ainda enfrentam barreiras na disputa pelo Poder Executivo em 2026
O primeiro turno das eleições gerais de 2026, realizado no último domingo (4), produziu resultados que evidenciam avanços importantes, embora ainda insuficientes, para a participação feminina na política brasileira. O processo eleitoral consolidou a maior bancada de mulheres da história do Congresso Nacional, reforçando uma tendência gradual de “ampliação da presença feminina” nos espaços de representação e decisão política.
Os resultados das urnas demonstram, contudo, que a ampliação da representatividade ainda encontra obstáculos significativos nos cargos majoritários. Entre as 19 disputas estaduais já definidas, apenas uma mulher conquistou o cargo de governadora. A eleita foi Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco, enquanto outras três candidatas permaneceram na disputa e seguem para o segundo turno em seus respectivos estados.
A discussão sobre a presença feminina nos “Cargos de Poder” não é recente no Brasil. Há décadas, especialistas, movimentos sociais e lideranças políticas defendem a ampliação da participação das mulheres nas estruturas decisórias do Estado. Apesar dos avanços observados nos últimos anos, a proporcionalidade entre a representatividade feminina e sua participação efetiva nos cargos de comando ainda está longe de refletir a composição demográfica do país.
O Brasil possui uma população majoritariamente feminina, realidade que se manifesta de forma expressiva em diversos segmentos profissionais. Na advocacia, por exemplo, as mulheres ocupam espaço crescente e desempenham papel fundamental na construção jurídica e institucional do país. Ainda assim, a presença feminina nos postos políticos de maior visibilidade continua sendo um desafio a ser superado.
As Eleições de 2026 também evidenciaram um cenário de intensa movimentação partidária. Em diferentes eventos políticos realizados ao longo do processo eleitoral, lideranças e pré-candidatos buscaram consolidar suas bases de apoio por meio de discursos que enfatizavam força, protagonismo e renovação. Entretanto, especialistas destacam que o fortalecimento da participação das mulheres exige mais do que narrativas simbólicas, demandando ações concretas de incentivo à candidatura, ao financiamento e à ocupação de espaços estratégicos.
Nesse contexto, ganha relevância o desempenho da vice-governadora eleita de Mato Grosso, Gisela Simona Viana de Souza, filiada ao União Brasil (UB). Seu nome foi citado pela Folha de S.Paulo entre as 47 lideranças formadas pelo programa RenovaBR que conquistaram êxito nas eleições de 2026, evidenciando o impacto da qualificação política na formação de novos quadros para a administração pública.
O levantamento apontou que os egressos do RenovaBR eleitos neste pleito somaram 47 representantes em diferentes cargos. O grupo é composto por 16 deputados federais, 25 deputados estaduais, um deputado distrital, dois senadores e três vice-governadores, demonstrando a crescente influência da iniciativa na formação de lideranças políticas em âmbito nacional.
Em Mato Grosso, o desempenho dos candidatos vinculados ao programa registrou aproveitamento de 20%.

Dos dez participantes que disputaram as eleições, apenas dois alcançaram êxito nas urnas: Gisela Simona, eleita vice-governadora, e Ulysses Moraes, eleito deputado estadual pelo Podemos. O resultado evidencia as dificuldades da disputa eleitoral, ainda que confirme a capacidade de renovação política em determinados segmentos.
A trajetória de ampliação dos direitos políticos das mulheres foi construída por meio de um longo processo histórico de reivindicações e mobilizações sociais. Entre os principais marcos dessa caminhada destacam-se os movimentos em defesa do direito ao voto feminino e da possibilidade de participação plena nos processos eleitorais, conquistas que transformaram a estrutura democrática brasileira ao longo do Século XX.
Embora os avanços registrados nas eleições de 2026 representem um passo relevante para a consolidação da igualdade de oportunidades na política, o cenário ainda revela desafios importantes. A ampliação da presença feminina no Congresso Nacional e o destaque de novas lideranças demonstram evolução institucional.
Entretanto, a baixa ocupação dos cargos Executivos Estaduais confirma que a busca por maior equilíbrio de gênero nos espaços de poder permanece como uma das principais agendas da democracia brasileira contemporânea.
Política
O recado das urnas e o declínio de lideranças tradicionais em Mato Grosso
As eleições recentes em Mato Grosso deixaram uma mensagem clara e contundente aos agentes políticos que, ao longo dos últimos anos, exerceram mandatos na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT). O resultado das urnas demonstrou que parte significativa do eleitorado decidiu promover mudanças na representação parlamentar, impedindo a reeleição de nomes que, na avaliação popular, não corresponderam adequadamente às expectativas da sociedade. A manifestação democrática revelou um eleitor mais atento, criterioso e disposto a cobrar resultados concretos de seus representantes.
O principal personagem desse cenário foi o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), José Eduardo Botelho, filiado ao MDB. Com 37.359 votos, o parlamentar não conseguiu garantir uma vaga entre os eleitos e terminou na primeira suplência da legenda, que elegeu os deputados Leo Bortolin, Thiago Silva e Doutor João José. O desempenho eleitoral chamou a atenção do meio político estadual por envolver uma liderança que, durante anos, ocupou posições de destaque no Legislativo mato-grossense.
A derrota de Eduardo Botelho ocorre após outro revés eleitoral relevante: sua participação “PÍFIA” na disputa pela Prefeitura de Cuiabá.
Na ocasião, o resultado também foi considerado surpreendente por analistas e integrantes do grupo político liderado pelo então governador Mauro Mendes (UB). O novo insucesso reforçou a percepção de que o ex-presidente da Assembleia Legislativa Mato-grossense ainda enfrentava dificuldades para reconquistar a confiança de uma parcela expressiva do eleitorado da capital e do interior do estado.
A questão central apontada por observadores políticos é por que esse resultado ocorreu. A resposta parece estar diretamente relacionada à mudança de comportamento dos eleitores, que passaram a avaliar com mais rigor a atuação dos agentes públicos. Para muitos cidadãos, não bastam mais estruturas partidárias robustas, campanhas bem financiadas ou históricos de influência política. O eleitor contemporâneo exige proximidade, diálogo permanente e compromisso efetivo com as demandas coletivas.
O desgaste político também pode ser explicado pela percepção de que determinadas lideranças acabaram se distanciando do sentimento popular. Durante sua trajetória, Botelho esteve frequentemente alinhado aos governos estaduais, integrando a base de sustentação das administrações em diferentes períodos. Embora essa postura possa garantir governabilidade, parte do eleitorado passou a interpretar essa proximidade como um afastamento do papel fiscalizador que muitos esperam dos parlamentares.
Quando as urnas apontaram esse resultado, ficou evidente que a confiança popular não é um patrimônio permanente. Na democracia, o voto funciona como instrumento de aprovação ou reprovação da conduta dos representantes públicos. A avaliação do eleitorado frequentemente ultrapassa o discurso político e considera aspectos como coerência, humildade, acessibilidade e capacidade de compreender as necessidades da população.
O fenômeno observado em Mato Grosso não se restringe a um único político. Ao longo da história eleitoral brasileira, diversas lideranças que se consideravam consolidadas foram surpreendidas por derrotas expressivas. Em muitos casos, a excessiva confiança em pesquisas, alianças partidárias ou estruturas de campanha acabou impedindo uma leitura mais precisa do sentimento predominante entre os eleitores.
O contraste entre a percepção construída durante a campanha e o resultado efetivamente registrado nas urnas também merece destaque. Nos 45 dias do primeiro turno das disputas recentes, muitos candidatos demonstraram otimismo diante da receptividade encontrada em ruas, bairros e eventos públicos. Entretanto, a experiência mostra que manifestações presenciais nem sempre refletem, de maneira fiel, a intenção de voto que será confirmada no momento da eleição.

Os acontecimentos recentes indicam ainda uma transformação importante no comportamento político da sociedade mato-grossense. O eleitor demonstra estar cada vez mais independente de lideranças tradicionais e menos disposto a aceitar promessas sem resultados concretos. Esse amadurecimento fortalece o processo democrático e amplia a responsabilidade dos agentes públicos perante aqueles que os elegeram.
Dessa forma, o resultado envolvendo José Eduardo Botelho representa mais do que uma derrota individual. Trata-se de um episódio que simboliza a capacidade do eleitor de reavaliar lideranças, cobrar coerência e redefinir os rumos da representação política.
O recado das urnas foi direto: mandatos e cargos não constituem garantias de permanência no poder.
Em uma democracia consolidada, a legitimidade política deve ser renovada continuamente por meio da confiança popular, construída com trabalho, resultados e respeito ao eleitor.
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