Search
Close this search box.

Artigo

Toda criança tem o direito de ser incrível

Publicados

em

Autora: Le Savoldi* –

No Dia das Crianças, vitrines se enchem de brinquedos e famílias procuram presentes capazes de provocar sorrisos. Mas a celebração também nos convida a olhar para o cotidiano: quanto tempo dedicamos a conhecer nossos filhos? Sabemos o que os alegra, o que os preocupa e o que tentam nos contar? A infância precisa de adultos dispostos a escutar essas respostas.

Toda criança tem o direito de ser incrível. Isso significa poder descobrir quem é, desenvolver suas possibilidades e sentir que seu valor existe antes de qualquer conquista. A criança que aprende depressa e aquela que precisa de mais tempo merecem cuidado e oportunidades. A que se expressa com facilidade e a que ainda procura palavras para explicar seus sentimentos precisam encontrar alguém disposto a compreendê-las.

O direito de ser criança inclui brincar, imaginar, perguntar, descansar e aprender. Inclui receber educação de qualidade, proteção, afeto e atenção. Entretanto, muitas infâncias acabam ocupadas por cobranças excessivas, comparações e expectativas adultas. Há crianças com medo de errar, preocupadas em agradar e convencidas de que precisam apresentar um desempenho excepcional para receber reconhecimento. Cabe a nós percebermos quando nossas exigências estão deixando pouco espaço para a infância.

Valorizar uma criança pelo que ela é exige conhecer seu jeito de existir. Seus interesses podem ser diferentes dos nossos; seu ritmo de aprendizagem pode contrariar nossas expectativas. Quando comparamos irmãos, colegas ou resultados escolares, corremos o risco de transformar diferenças em motivos de vergonha. Podemos reconhecer esforços, oferecer ajuda e incentivar novas tentativas sem fazer do afeto uma recompensa pelo bom desempenho.

Esse cuidado começa pela escuta. Uma criança nem sempre consegue dizer claramente que está com medo, que se sente excluída ou que não compreendeu uma situação. Às vezes, ela chora, se afasta, insiste em uma pergunta ou reage de uma maneira que nos incomoda. Antes de concluir que é birra, preguiça ou desobediência, precisamos procurar entender o que aconteceu. Perguntar com calma e permitir que ela termine de falar pode abrir uma conversa que uma repreensão precipitada encerraria.

Ouvir também faz parte da educação. A criança precisa de limites, orientação e adultos responsáveis por sua segurança. Esses limites podem ser apresentados com firmeza e respeito, sem humilhações. Podemos acolher sua raiva e, ao mesmo tempo, ensinar que não pode agredir alguém. Podemos compreender sua frustração e ajudá-la a lidar com uma resposta negativa. O diálogo permite que ela conheça as razões de uma regra e encontre formas de expressar o que sente.

Nas famílias, essa presença precisa ganhar espaço na rotina. Sei que muitos pais e mães enfrentam jornadas longas, preocupações financeiras e cansaço. Ainda assim, vale proteger momentos possíveis de encontro: uma refeição compartilhada, uma conversa antes de dormir, uma leitura ou alguns minutos de brincadeira. Guardar o celular, olhar para o filho e acompanhar com interesse aquilo que ele conta são maneiras concretas de demonstrar que sua vida importa. O tempo de qualidade se constrói com atenção e continuidade.

Também precisamos permitir que nossos filhos conversem conosco sobre assuntos difíceis. Se cada relato de um erro provoca gritos ou exposição, eles podem aprender a esconder o que aconteceu. Quando encontram uma escuta respeitosa, têm mais espaço para pedir ajuda e assumir responsabilidades. Perguntas como “O que aconteceu?”, “Como você se sentiu?” e “O que podemos fazer agora?” ajudam a construir essa confiança.

A escola participa desse compromisso. Uma educação que respeita a infância oferece condições para aprender, conviver, criar e participar. Isso exige atenção às dificuldades de cada aluno, intervenção diante da exclusão e apoio ao trabalho dos professores. Família, escola e poder público têm responsabilidades que precisam se traduzir em cuidado diário e oportunidades reais.

Neste Dia das Crianças, desejo que a celebração continue depois que os presentes forem abertos. Que reservemos tempo para ouvir nossos filhos e conhecer melhor quem está crescendo ao nosso lado. Toda criança tem o direito de ser incrível: de viver sua infância com dignidade, receber a educação e o cuidado de que precisa e crescer sabendo que é amada, inclusive enquanto erra, aprende e descobre seu lugar no mundo.

*Le Savoldi é escritora, poeta, professora, mestre em Educação e autora do livro infantil “A incrível menina amarela”

Leia Também:  O aborto não é uma opção
Propaganda

Artigos

Mato Grosso muito além das urnas

Publicados

em

Autora: Natasha Slhessarenko* –

Há experiências que não terminam quando chega ao fim o período que as tornou possíveis. Elas permanecem em nós, modificam nosso olhar e acrescentam novos sentidos àquilo em que sempre acreditamos. Ter sido candidata ao Governo de Mato Grosso foi, para mim, uma dessas experiências.

Durante toda a minha vida profissional, aprendi a olhar para as pessoas. Fiz isso na medicina, no ensino, no serviço público, na gestão e na convivência diária com tantas famílias. Mas percorrer Mato Grosso como candidata a governadora me proporcionou uma forma diferente de conhecer ainda mais o estado onde nasci e construí minha história.

Estive em cidades grandes e pequenas, atravessei diferentes regiões, conversei com pessoas que vivem realidades muito distintas. Ouvi profissionais da saúde, professores, trabalhadores, empresários, produtores, mulheres, jovens, mães e pais de família. Encontrei sonhos, preocupações, dificuldades e, sobretudo, uma enorme vontade de construir uma vida melhor.

Mato Grosso é um estado de dimensões extraordinárias. É forte, diverso, produtivo e capaz de gerar riquezas que impressionam o Brasil e o mundo. Mas essa caminhada reforçou em mim uma convicção: o verdadeiro desenvolvimento precisa ser percebido na vida das pessoas.

Precisa chegar à mãe que espera atendimento para o filho, ao paciente que aguarda uma consulta ou um exame, ao jovem que procura uma oportunidade, à família que precisa de segurança, ao trabalhador que deseja viver com dignidade e a quem mora longe dos grandes centros e tem o mesmo direito de ser alcançado pelas políticas públicas.

Foi por isso que, durante toda a campanha, falei tanto sobre cuidar de gente. Para mim, nunca se tratou apenas de uma frase. É uma maneira de compreender o papel do poder público e, antes disso, uma maneira de enxergar a sociedade. Governos administram números, orçamentos, obras e estruturas, mas tudo isso só encontra seu verdadeiro sentido quando melhora a vida das pessoas.

Viver essa experiência sendo mulher teve, para mim, um significado especial. Fui a única mulher entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso e tive consciência da responsabilidade que isso representava. Em muitos lugares, encontrei mulheres que se aproximavam para conversar, contar suas histórias e dizer o quanto era importante se reconhecerem nos espaços onde as grandes decisões são tomadas.

Carrego comigo cada uma dessas manifestações com gratidão. A presença das mulheres na vida pública não deveria causar estranhamento nem precisar ser tratada como exceção. Mulheres têm experiência, conhecimento, capacidade de liderança e diferentes maneiras de contribuir com as decisões que definem os caminhos de uma sociedade. Que cada vez mais possam estar onde desejarem estar.

A campanha me permitiu falar, mas, principalmente, a ouvir. E talvez esteja aí um dos maiores aprendizados dessa caminhada. Quando ouvimos verdadeiramente as pessoas, percebemos que por trás de cada grande discussão sobre desenvolvimento existem vidas concretas esperando respostas concretas.

A eleição passou. O que ouvi, vi e aprendi permanece.

Continuo acreditando no potencial imenso de Mato Grosso e, principalmente, na capacidade de sua gente. Acredito em um estado que possa crescer economicamente sem perder de vista sua responsabilidade social; que transforme riqueza em oportunidades; que tenha uma saúde pública de qualidade e mais acessível, uma educação transformadora verdadeiramente capaz de abrir caminhos e políticas públicas que alcancem as pessoas onde elas vivem e melhorem a vida das mesmas.

Desejo o melhor para Mato Grosso. Desejo que nosso estado avance, que faça boas escolhas em favor de sua população e que cada conquista econômica possa se traduzir em mais qualidade de vida. Estarei acompanhando seus caminhos com a mesma atenção e o mesmo sentimento de responsabilidade que sempre fizeram parte da minha trajetória.

Desejo o mesmo ao Brasil. Um país capaz de reconhecer sua diversidade, reduzir desigualdades, gerar oportunidades e construir perspectivas para as próximas gerações. Um país em que possamos divergir sem perder a capacidade de dialogar e no qual o interesse coletivo sempre esteja acima das diferenças que naturalmente fazem parte de uma democracia.

Não sei quais caminhos a vida ainda colocará diante de mim, e não é necessário antecipá-los. Algumas certezas são suficientes.

Uma delas é o amor por esta terra. Outra é a confiança nas pessoas que a constroem todos os dias. E talvez a mais importante seja a convicção que ficou ainda mais forte depois de tudo o que vivi: Mato Grosso será tão grande quanto for a sua capacidade de fazer sua riqueza chegar às pessoas.

É nesse Mato Grosso que continuo acreditando. Por aqui só gratidão.

*Dra. Natasha Slhessarenko é médica, professora, servidora pública e empresária em Mato Grosso.

Leia Também:  BOM SUCESSO, 199 ANOS DE HISTÓRIA E TRADIÇÃO
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA