Política
Humberto será ouvido por suposto desvios de R$ 2 Milhões
Prevista para depor nesta quarta feira a partir das 13h30 na Sétima Vara Criminal de Cuiabá, o ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Humberto Bosaipo.
Bosaipo esta sendo acusado de ter desviado em um esquema fraudulento da ordem de R$ 2.254.642.09, com a empresa MT Nazareth ME quando era presidente da Assembleia Legislativa e quando compunha a Mesa Diretora.
A defesa do ex-conselheiro interpor embargos de declaração e questionou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), que alegou “a existência de obscuridade e contradição”.
Após ser analisada pela juíza Selma Rosane de Arruda, da Vara Especializada Contra o Crime Organizado, ela acabou negando provimento aos embargos de declaração do conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
“Após análise detida dos autos, não merecem ser acolhidos, já que não há nenhuma obscuridade ou contradição a ser suprida na decisão. Para utilização dos embargos de declaração a lei exige a prolação de uma sentença ou um acórdão, a que se repute vício de obscuridade ou contradição, ou, ainda, a ocorrência de um pronunciamento incompleto ou inexistente por parte de um juiz ou tribunal”.
O ex-deputado estadual Jota Barreto (PR) também tem presença marcada para depor, já que foi arrolado no processo como testemunha.
O processo vem andando há pelo menos cinco anos, com rituais, adiamentos e prazos e a defesa do depoente e acusado tentou barrar a audiência, mas a juíza Selma Rosane Arruda, que preside o processo indeferiu todos os embargos de declaração ajuizados pela defesa de Bosaipo.
No seu despacho, a juíza Selma Arruda sublinhou: “Não podem ser acolhidos embargos declaratórios que, a pretexto de alegadas contradições, omissões, obscuridades ou ambiguidades, pretendem rediscutir o que já foi decidido, traduzindo inconformismo com a decisão tomada. O agravante busca, em verdade, rediscutir matéria já decidida”, destacou em trecho da decisão.
A juíza também indeferiu o depoimento de 17 testemunhas defesa em duas ações penais. Esta é a segunda vez que a magistrada nega o pedido, mesmo assim, o ex-conselheiro mantém o argumento de que há omissão de Selma.
“Não há nenhuma obscuridade a ser aclarada: este Juízo indeferiu o novo rol de testemunhas apresentados às fls. 2390/2395 e também indeferiu a substituição das testemunhas arroladas na resposta à acusação pelas testemunhas apresentadas às fls. 2390/2395”, defendeu Selma.
Já para o Ministério Público de Estado (MPE), Humberto Bosaipo conspirou com servidores do Legislativo para forjar operações financeiras entre a Assembleia e a empresa de ‘fachada’ Ed-Maluco Reparos e Serviços Ltda.
Estima-se que cerca de R$ 1.97 milhão tenha saído indevidamente do erário público em 2007. Esta denúncia estava no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, porém com a renúncia do cargo de conselheiro foi remetida à primeira Instância.
Política
Indecisos entram no centro da disputa pelo Governo de Mato Grosso na reta final das eleições
Na reta final da campanha eleitoral em Mato Grosso, a conquista dos eleitores que ainda não definiram o voto passou a ocupar posição estratégica nas campanhas ao Governo do Estado. Levantamentos divulgados ao longo de setembro mostram uma disputa marcada por oscilações entre os principais candidatos e por uma parcela do eleitorado que ainda não declarou preferência. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 11 de setembro apontou Wellington Fagundes (PL) com 34,4%, Otaviano Pivetta (Republicanos) com 30,8% e Natasha Slhessarenko (PSD) com 23,2%, enquanto 4,3% disseram não saber em quem votar.
O que está em jogo, portanto, não se resume à disputa entre nomes já conhecidos do eleitorado. A última semana antes do primeiro turno representa uma etapa decisiva para a apresentação de propostas, a consolidação de alianças e a tentativa de conquistar os votos ainda disponíveis. Em Mato Grosso, a votação ocorrerá em 4 de outubro, das 7h às 16h no horário local, quando os eleitores escolherão presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.
O cenário eleitoral também revela que a corrida pelo Palácio Paiaguás permanece sujeita a mudanças até o encerramento da campanha. Levantamento Real Time Big Data divulgado em 3 de setembro registrou Wellington Fagundes com 34% das intenções de voto, seguido por Otaviano Pivetta, com 27%, e Natasha Slhessarenko, com 13%. Na mesma pesquisa, 11% dos entrevistados não souberam ou não responderam, enquanto 10% declararam voto em branco ou nulo.
Otaviano Pivetta, que assumiu definitivamente o Governo de Mato Grosso após a renúncia de Mauro Mendes, disputa agora a reeleição e apresenta sua administração como continuidade de uma gestão que teve como marcas a organização fiscal e investimentos em infraestrutura. O atual governador também procura associar sua candidatura a obras e projetos realizados nos últimos anos. A avaliação de sua administração, entretanto, convive com cobranças de diferentes setores, especialmente em áreas como servidores públicos, previdência e educação.
Entre as questões que permanecem no debate político estadual estão as reivindicações relacionadas à Revisão Geral Anual (RGA) e à contribuição previdenciária de servidores aposentados e pensionistas. A alíquota de 14% foi instituída no âmbito da reforma previdenciária estadual de 2020 e continua sendo objeto de discussão política. No campo educacional, os indicadores de desempenho e os investimentos convivem com críticas de profissionais e entidades representativas, tornando a área um dos temas relevantes para a avaliação das propostas apresentadas aos eleitores.

Wellington Fagundes, por sua vez, chega à fase final da campanha sustentado por uma longa trajetória política. Senador desde 2015 e ex-deputado federal por seis mandatos, o candidato do PL procura transformar sua experiência em Brasília em argumento eleitoral para defender sua capacidade de articulação política e administrativa. Sua candidatura também está vinculada ao campo político bolsonarista, elemento que ocupa espaço importante no debate eleitoral de Mato Grosso e influencia a formação de alianças e estratégias de campanha.
Natasha Slhessarenko representa outra vertente da disputa. Médica e professora, a candidata do PSD procura ampliar seu espaço eleitoral em uma corrida marcada pela presença de políticos com trajetórias consolidadas. Sua candidatura também coloca em evidência a possibilidade de Mato Grosso eleger, pela primeira vez, uma mulher para o Governo do Estado. A campanha, contudo, enfrenta o desafio de transformar reconhecimento público e propostas na área da saúde em votos suficientes para avançar na disputa.
As pesquisas mais recentes mostram justamente a volatilidade do cenário. Enquanto o levantamento Real Time Big Data de setembro registrou Fagundes à frente de Pivetta, o agregador Inteligov/EXAME apontou, em atualização divulgada em 20 de setembro, 29,59% para Pivetta e 29,48% para Fagundes, diferença de apenas 0,11 ponto percentual. Já uma pesquisa Veritá divulgada em 28 de setembro registrou Pivetta com 39,1% das intenções no cenário estimulado, Fagundes com 32,3% e Natasha com 15%. As diferenças entre os levantamentos refletem metodologias, períodos de coleta e amostras distintas e não permitem tratar nenhuma pesquisa isoladamente como resultado definitivo.

É nesse ambiente que os últimos dias de campanha ganham importância. Candidatos e equipes eleitorais precisam disputar não apenas os eleitores que já demonstram preferência, mas também aqueles que ainda podem modificar sua escolha diante de propostas, debates, alianças, discursos e avaliações sobre o desempenho dos governos. Para o eleitor, o período final oferece a oportunidade de comparar programas, trajetórias, prioridades administrativas e compromissos apresentados publicamente antes de registrar o voto na urna eletrônica.
A decisão, enfim, estará nas mãos do eleitorado mato-grossense no próximo domingo, 4 de outubro. Além do governador e do vice-governador, serão escolhidos dois senadores, deputados federais, deputados estaduais e os representantes para a Presidência da República. São seis escolhas em uma mesma jornada eleitoral, cada uma com consequências distintas para a administração pública e para a representação política. Em uma disputa marcada por diferentes projetos e por pesquisas que apresentam retratos distintos do momento eleitoral, caberá a cada cidadão avaliar as informações disponíveis e decidir, de forma livre e consciente, os nomes que deseja levar às urnas.
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