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Artigo

A higiene emocional

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Autor: Francisney Liberato*

Sua saúde emocional é tão importante quanto a física. Cuide de ambas!

Assim como cuidamos do corpo, a alma também precisa de cuidados diários. Escovamos os dentes para evitar cáries, tomamos banho para remover a sujeira. E as emoções? Raiva, inveja, mágoa, são como resíduos que se acumulam e contaminam nosso bem-estar.

Ignorar a higiene emocional é como usar a mesma roupa suja por dias: o mau cheiro incomoda a todos, inclusive a nós mesmos. Emoções negativas não digeridas nos tornam amargos, afastam as pessoas e, pior, adoecem nosso corpo e mente.

Negligenciar a saúde emocional pode causar ansiedade, depressão e outras doenças. É preciso encarar as emoções, processá-las e liberá-las, assim como fazemos com a sujeira do corpo.

Meditação, terapia, exercícios físicos e atividades de lazer são ferramentas poderosas para essa faxina interna. Reserve um tempo diário para se conectar consigo mesmo, identificar e liberar as emoções tóxicas. Sua saúde mental e física agradece.

Não permita que o lixo emocional te defina. Limpe-se, renove-se e permita que a leveza e a alegria floresçam em sua vida.

Marque verdadeiro ou falso:

( ) Emoções negativas são sempre ruins e devem ser evitadas a todo custo.
( ) A higiene emocional é um processo contínuo, não uma solução rápida.
( ) Ignorar as emoções negativas faz com que elas desapareçam.

Desafios para a ação:

Identifique suas emoções: comece a prestar atenção em como você se sente ao longo do dia e nomeie suas emoções.
Expresse suas emoções de forma saudável: encontre maneiras de liberar as emoções negativas, como conversar com alguém de confiança, escrever um diário ou praticar atividades físicas.
Crie um ritual de higiene emocional: reserve um tempo diário para cuidar da sua saúde mental, seja através da meditação, da leitura, de passatempo ou de qualquer outra atividade que te faça bem.

Perguntas para reflexão:

Quais emoções negativas você tende a acumular mais?
Como essas emoções afetam sua vida e seus relacionamentos?
Que hábitos você poderia adotar para melhorar sua higiene emocional?

Gabarito

1 F
2 V
3 F

*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.

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Artigos

O amor romântico não existe

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Autora: Isolda Risso*

Por muito tempo, o casamento teve pouco ou nada a ver com o amor. Antigamente, uniões matrimoniais eram vistas como lucrativas, seja por consolidar alianças políticas, preservar patrimônios ou fortalecer famílias. Claro, um casamento formado nestes moldes ainda poderia ser afetuoso, mas esse raramente era o motivo de levar duas pessoas para o altar.

Foi apenas entre os séculos XVIII e XIX, durante o Romantismo, que essa lógica de negócios começou a mudar. Com o crescimento do movimento romântico, a escolha do parceiro passou a ser uma vontade de sentimento individual, com a ideia de que nós devemos buscar nossa felicidade e realização pessoal por meio da paixão e das almas gêmeas.

Pela primeira vez, amor, sexo, casamento e realização pessoal foram reunidos em uma mesma narrativa. Mais tarde, a literatura, o cinema e a televisão ainda iriam transformar esse ideal em um dos maiores produtos culturais da modernidade.

Então nasceu o amor romântico, esta crença de que existe uma pessoa destinada a nos completar, capaz de suprir nossas necessidades emocionais, dar sentido à vida e garantir um “felizes para sempre“. Uma história bonita, mas que carrega o excesso de individualismo que o sociólogo Zygmunt Bauman classificou como Amor Líquido, onde as relações se tornaram frágeis e descartáveis, focadas no desejo imediato e na evitação dos conflitos.

A verdade é que o amor romântico, aquele arrebatador, eterno, exclusivo e capaz de resolver todas as expectativas, não é um fenômeno natural, mas uma construção cultural que moldou a forma como aprendemos a amar até hoje, e talvez seja justamente aí que mora o nosso problema com o amor atualmente.

Esperamos que uma única pessoa seja nossa melhor amiga, amante, parceira financeira, companhia de viagens, apoio psicológico, mãe ou pai dos nossos filhos e, ainda, responsável pela nossa felicidade. É uma expectativa tão grandiosa que dificilmente alguém conseguiria sustentá-la e, não por acaso, as frustrações amorosas começam a parecer cada vez mais frequentes.

Fomos educados para acreditar que o amor “acontece” em um dia qualquer, sem pretexto algum. Pouco se fala que ele é escolha, negociação, cuidado, convivência e renúncia. Quando a paixão diminui ou os conflitos aparecem, muitos concluem que “acabou o amor”, quando, na verdade, talvez apenas tenha terminado a idealização.

O amar envolve projeções e, no início de uma relação, enxergamos o outro através dos nossos desejos e fantasias. O problema começa quando esperamos que essa pessoa continue sustentando uma imagem impossível, mas nenhum ser humano consegue ocupar esse lugar.

Essa é a crise do amor contemporâneo, porque, obviamente, nós não deixamos de amar. O que entrou em colapso foi a expectativa de que um relacionamento resolveria todos os nossos problemas. Talvez o maior equívoco do amor romântico tenha sido vender a ideia de completude, pois nós somos constantemente levados a acreditar que alguém virá preencher uma falta que, na verdade, faz parte da própria condição humana. Quando entendemos que ninguém é responsável por nossa felicidade integral, abrimos espaço para relações mais leves, honestas e possíveis.

Isso não significa abandonar o romantismo ou deixar de acreditar no amor, significa apenas trocar a fantasia pela realidade. Porque o amor que resiste ao tempo dificilmente é aquele dos filmes. Ele não nasce pronto, não é perfeito e nem acontece por destino. Ele se constrói todos os dias, entre conversas difíceis, imperfeições, respeito e escolhas conscientes.

Talvez seja hora de abandonar a ideia de que precisamos encontrar nossa outra metade, porque o amor não está em duas pessoas incompletas que finalmente se encontram, mas em duas pessoas inteiras que escolhem construir algo juntas. O amor romântico, como nos ensinaram os filmes e os livros, pode não existir, mas o amor existe, e pode ser muito mais bonito quando deixamos de exigir que ele seja perfeito.

*Isolda Risso é empresária, cronista, coach de vida e terapeuta. Mulher 60+, mãe de um lindo casal de filhos, é graduada em Gastronomia, entusiasta da arteterapia e apaixonada por fotografia e arranjos florais. Curiosa de nascença, define-se como uma aprendiz da vida e um ser a caminho da evolução

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