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80 anos de compromisso com as pessoas e com o futuro

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Autor: Marcos José da Silva*

Celebrar 80 anos é muito mais do que olhar para uma trajetória de sucesso. É reconhecer o valor das pessoas que construíram essa história e compreender a responsabilidade de seguir transformando vidas nas próximas décadas.

Ao completar oito décadas de atuação, o Sesc reafirma seu compromisso com aquilo que sempre esteve no centro de sua missão: promover bem-estar, qualidade de vida, desenvolvimento social e oportunidades para os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, seus dependentes e toda a comunidade. Ao longo desses anos, milhões de brasileiros encontraram no Sesc um espaço de acolhimento, aprendizado, cultura, lazer, cidadania e saúde.

Em Mato Grosso, essa história se mistura com a própria evolução do estado. Crescemos acompanhando as transformações sociais, econômicas e culturais da nossa população. Levamos educação para crianças e jovens e promovemos saúde por meio das unidades móveis de Odontologia, Saúde da Mulher e Saúde dos Olhos, que aproximam serviços essenciais de milhares de mato-grossenses. Também democratizamos o acesso à cultura, valorizamos artistas, fortalecemos o turismo social e criamos ambientes de lazer e convivência onde as famílias podem compartilhar experiências, construir memórias e fortalecer seus vínculos.

Tenho dito que celebrar os 80 anos do Sesc é também celebrar a contribuição que o Sistema Comércio oferece ao desenvolvimento de Mato Grosso. Sob a liderança da Fecomercio/MT presidida por Sebastião dos Reis Gonçalves, ao lado do Senac formamos uma rede que impacta positivamente a vida das pessoas, promovendo inclusão, qualificação e oportunidades. Essa atuação demonstra que investir em pessoas é o caminho mais seguro para o desenvolvimento de uma sociedade mais forte, justa e preparada para o futuro.

Essa trajetória é parte de uma construção nacional liderada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que exerce papel estratégico na articulação e no fortalecimento do Sistema Comércio. Sob a presidência de José Roberto Tadros, a CNC reafirma a importância do Sesc e do Senac como instituições fundamentais para a melhoria da qualidade de vida dos comerciários e seus dependentes.

Nenhuma dessas conquistas seria possível sem o compromisso do empresariado do comércio de bens, serviços e turismo, principal mantenedor dessa rede de transformação social. São os empresários que acreditam na força do desenvolvimento humano e contribuem para que o Sesc leve serviços de excelência a milhares de pessoas todos os dias. Ao investirem no Sistema Comércio, ajudam a fortalecer ações que impactam positivamente comunidades em todas as regiões do estado.

O que vemos hoje é resultado do trabalho de muitas gerações. Profissionais, gestores, empresários, parceiros e colaboradores dedicaram seu talento e sua energia para consolidar uma instituição respeitada e presente no dia a dia dos trabalhadores do comércio de todo o país. Cada projeto realizado, cada atendimento prestado, cada apresentação cultural, cada ação educativa e cada iniciativa voltada ao bem-estar social representam um capítulo dessa história coletiva.

Mas aniversários também são momentos para refletir sobre o futuro. Se temos orgulho do passado, temos ainda mais responsabilidade diante dos desafios que estão por vir. Vivemos uma época marcada por rápidas transformações tecnológicas, mudanças nas relações de trabalho e novas demandas sociais. Nesse contexto, o Sesc continuará inovando, ampliando sua capacidade de atendimento e fortalecendo sua presença junto às comunidades.

Nosso compromisso é continuar oferecendo serviços de qualidade, acessíveis e alinhados às necessidades da população, sem perder de vista nossa razão de existir: servir aos trabalhadores do comércio e contribuir para uma sociedade mais humana, inclusiva e próspera. Queremos que o Sesc permaneça sendo uma instituição moderna, acolhedora e capaz de gerar impacto social positivo em todas as regiões de Mato Grosso.

Os 80 anos do Sesc não representam um ponto de chegada. Representam um novo ponto de partida. Uma oportunidade para renovar compromissos, fortalecer propósitos e seguir trabalhando para que cada vez mais pessoas tenham acesso à educação, cultura, saúde, lazer e qualidade de vida.

Celebramos o passado com gratidão. Vivemos o presente com responsabilidade. E olhamos para o futuro com a certeza de que a nossa maior missão continuará sendo cuidar de pessoas, pois são elas que dão sentido aos nossos 80 anos de história.

E é sempre bom lembrar que “a vida acontece com o Sesc”.

*Marcos José da SilvaDiretor-Regional do Sesc Mato Grosso

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O amor romântico não existe

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Autora: Isolda Risso*

Por muito tempo, o casamento teve pouco ou nada a ver com o amor. Antigamente, uniões matrimoniais eram vistas como lucrativas, seja por consolidar alianças políticas, preservar patrimônios ou fortalecer famílias. Claro, um casamento formado nestes moldes ainda poderia ser afetuoso, mas esse raramente era o motivo de levar duas pessoas para o altar.

Foi apenas entre os séculos XVIII e XIX, durante o Romantismo, que essa lógica de negócios começou a mudar. Com o crescimento do movimento romântico, a escolha do parceiro passou a ser uma vontade de sentimento individual, com a ideia de que nós devemos buscar nossa felicidade e realização pessoal por meio da paixão e das almas gêmeas.

Pela primeira vez, amor, sexo, casamento e realização pessoal foram reunidos em uma mesma narrativa. Mais tarde, a literatura, o cinema e a televisão ainda iriam transformar esse ideal em um dos maiores produtos culturais da modernidade.

Então nasceu o amor romântico, esta crença de que existe uma pessoa destinada a nos completar, capaz de suprir nossas necessidades emocionais, dar sentido à vida e garantir um “felizes para sempre“. Uma história bonita, mas que carrega o excesso de individualismo que o sociólogo Zygmunt Bauman classificou como Amor Líquido, onde as relações se tornaram frágeis e descartáveis, focadas no desejo imediato e na evitação dos conflitos.

A verdade é que o amor romântico, aquele arrebatador, eterno, exclusivo e capaz de resolver todas as expectativas, não é um fenômeno natural, mas uma construção cultural que moldou a forma como aprendemos a amar até hoje, e talvez seja justamente aí que mora o nosso problema com o amor atualmente.

Esperamos que uma única pessoa seja nossa melhor amiga, amante, parceira financeira, companhia de viagens, apoio psicológico, mãe ou pai dos nossos filhos e, ainda, responsável pela nossa felicidade. É uma expectativa tão grandiosa que dificilmente alguém conseguiria sustentá-la e, não por acaso, as frustrações amorosas começam a parecer cada vez mais frequentes.

Fomos educados para acreditar que o amor “acontece” em um dia qualquer, sem pretexto algum. Pouco se fala que ele é escolha, negociação, cuidado, convivência e renúncia. Quando a paixão diminui ou os conflitos aparecem, muitos concluem que “acabou o amor”, quando, na verdade, talvez apenas tenha terminado a idealização.

O amar envolve projeções e, no início de uma relação, enxergamos o outro através dos nossos desejos e fantasias. O problema começa quando esperamos que essa pessoa continue sustentando uma imagem impossível, mas nenhum ser humano consegue ocupar esse lugar.

Essa é a crise do amor contemporâneo, porque, obviamente, nós não deixamos de amar. O que entrou em colapso foi a expectativa de que um relacionamento resolveria todos os nossos problemas. Talvez o maior equívoco do amor romântico tenha sido vender a ideia de completude, pois nós somos constantemente levados a acreditar que alguém virá preencher uma falta que, na verdade, faz parte da própria condição humana. Quando entendemos que ninguém é responsável por nossa felicidade integral, abrimos espaço para relações mais leves, honestas e possíveis.

Isso não significa abandonar o romantismo ou deixar de acreditar no amor, significa apenas trocar a fantasia pela realidade. Porque o amor que resiste ao tempo dificilmente é aquele dos filmes. Ele não nasce pronto, não é perfeito e nem acontece por destino. Ele se constrói todos os dias, entre conversas difíceis, imperfeições, respeito e escolhas conscientes.

Talvez seja hora de abandonar a ideia de que precisamos encontrar nossa outra metade, porque o amor não está em duas pessoas incompletas que finalmente se encontram, mas em duas pessoas inteiras que escolhem construir algo juntas. O amor romântico, como nos ensinaram os filmes e os livros, pode não existir, mas o amor existe, e pode ser muito mais bonito quando deixamos de exigir que ele seja perfeito.

*Isolda Risso é empresária, cronista, coach de vida e terapeuta. Mulher 60+, mãe de um lindo casal de filhos, é graduada em Gastronomia, entusiasta da arteterapia e apaixonada por fotografia e arranjos florais. Curiosa de nascença, define-se como uma aprendiz da vida e um ser a caminho da evolução

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