Política
“Governo precisa suspender recolhimento de impostos imediatamente”
Presidente da Câmara de Deputados debate agenda positiva contra a crise com representantes do LIDE em live
“Ou o governo vai decidir, ou o Congresso vai decidir. É péssimo. Se a decisão não chegar do governo, vai ficar desorganizada. Deixa de pagar concessionária de rodovia, aluguel, telefone, água? E se parar o setor de telefonia? Ou se faz a coisa organizada e dá solução aos problemas?“
O sonoro alerta foi emitido nesta sexta-feira (27) pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), diante dos apelos de lideranças empresariais brasileiras por uma suspensão temporária no recolhimento de impostos neste momento de quarentena na economia brasileira.
A declaração, saudada por expoentes como o ex-ministro Luiz Fernando Furlan, foi feita durante live promovida pelo Grupo de Líderes Empresariais (LIDE).
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia na palestra e falou por uma hora sobre “Os impactos da atual crise no avanço das reformas e cenário político-econômico do país“ e respondeu aos questionamentos de dez grandes empresários e lideranças de diversos setores da economia, como saúde, finanças e varejo, entre outros. O evento remoto ocorreu em virtude da “Pandemia de Covid-19“, o novo “Coronavírus“, em medida alinhada às recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Rodrigo Maia logo após assistir ao novo pronunciamento do governo Jair Bolsonaro, o parlamentar defendeu que medidas emergenciais sejam também adotadas, com especial atenção pela equipe econômica, dirigida à mitigação de prejuízos acumulados por setores mais atingidos pelo impacto do novo “Coronavírus“, como os segmentos de shopping centers e companhias aéreas.
Segundo Maia, em meio à inabilidade do governo federal em agir de forma mais tempestiva e consistente, o Congresso se articula para dar contribuições efetivas à contenção e à superação da crise econômica.
“É óbvio que o governo já deveria ter feito isso, já deveria ter suspenso os contratos de trabalho e liberado o fundo do seguro-desemprego. O que estamos tentando é soltar essas medidas de uma forma mais integrada, para gerar mais segurança e credibilidade ao mercado e país”, declara.
O presidente da Câmara de Deputados também comunicou aos líderes empresariais participantes da live que, até o presente momento, o Poder Executivo ainda não enviou ao Congresso Nacional a proposta de Reforma Tributária desenhada pelo atual governo.
“Se está atrasado, não está na Câmara e nem no Senado. Nós podemos voltar ao debate rapidamente, contanto que superemos essa agenda de curto prazo. Se não tivermos isso, não teremos nem empresa para tributar! Precisamos dar um sentido maior para melhorar o ambiente de negócios e a retomada da economia”, defende o líder legislativo.
O parlamentar comentou também os desafios após o empresário Ivo Wohnrath ao questionar se o Governo Federal não estaria sendo tímido e lento nas medidas para garantir que a população passe pelo pior período de contaminação, que deve ir até o fim de abril.
“Se o governo garantir previsibilidade para os próximos dois meses, acaba o conflito nas redes. A Itália liberou antes do fim e a tragédia veio. Os exemplos que tivemos no mundo é que começar fechando, depois liberar antes do fim do prazo, o impacto é pior. É uma segunda onda de recessão”, alertou.
Rodrigo Maia também sustenta que cortes profundos nos gastos da máquina pública precisam ser imediatamente adotados. Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, “todos os Poderes precisarão se adequar à nova realidade, imposta pela Covid-19”.
“É tempo de medidas efetivas, e não simbólicas. Continuo defendendo que temos que adaptar as nossas despesas, os três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Somos o único poder que não aumentou o teto de rendimentos. Foi uma decisão correta, não estou reclamando disso. E não é só salário que deve ser encarado. Por exemplo, a Câmara custa R$ 5,5 bilhões ao ano. Contratamos uma consultoria, a Falconi, que está nos orientando. Neste tempo de guerra, não é ganho político que temos que ter em foco”, afirma.
As declarações do presidente da Câmara dos Deputados foram elogiadas por empresários durante o evento online. De acordo com Luiz Fernando Furlan, chairman do LIDE, Maia tem demonstrando uma liderança firme e consistente num momento de tamanha turbulência no Brasil e no mundo.
“Aprendi a navegar há muito anos. Enfrentar mares tortuosos exige coragem. O senhor está demonstrando isso. Receba o nosso respeito”.
Sobre o LIDE
Organização não-governamental, reúne executivos dos mais variados setores de atuação em busca de fortalecer a livre iniciativa do desenvolvimento econômico e social, assim como a defesa dos princípios éticos de governança corporativa nas esferas pública e privada.
Presente em diversos países e com 23 frentes de atuação, o grupo conta com 33 unidades regionais (incluindo Mato Grosso) e internacionais com o propósito de potencializar a atuação do empresariado na construção de uma sociedade ética, desenvolvida e competitiva globalmente.
Saiba mais e acompanhe as atividades do LIDE por meio da internet: @lideglobal e @lidematogrosso (no Instagram) e pelo site www.lideglobal.com.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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