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DESCONFORTO NOS PASSAGEIROS

Gisela aponta vitória em queda de braço com empresas aéreas com a volta da gratuidade da bagagem de mão em voos

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As empresas aéreas pegaram os viajantes de surpresa, quando passaram a cobrar pela bagagem de mão. A princípio, a Latam já vinha praticando a tarifa em algumas rotas internacionais, a Gol também anunciou que também teria um valor adicional exigido para quem desejar viajar com a mala de rodinhas, mesmo enquadrando-se no “padrão Anac”.

A mudança de regra causou desconforto nos passageiros, que outrora podiam embarcar com uma mochila e uma bagagem de mão sem precisar despachar. A companhia aérea autorizava os passageiros a viajar apenas com uma mochila ou bolsa, detendo até 10 kg, nas medidas máximas de 32 cm de largura, 22 cm de altura e 43 cm de profundidade. O objeto precisa ser acomodado debaixo do assento à frente.

Empresas aéreas volta com a gratuidade da bagagem de mão em voos

A deputada federal Gisela Simona (UB) comemorou a aprovação na Câmara Federal, da gratuidade da mala de bordo de até 12 kg em voos domésticos e uma bolsa ou mochila debaixo do assento. A parlamentar recentemente realizou uma série de manifestações contra as empresas aéreas, em especial, contra a Latam e a Gol, pelas cobranças por esse tipo de bagagem, o que impôs a necessidade de elevar essa proteção ao nível legal, a fim de conferir segurança jurídica e impedir práticas abusivas.

A denúncia da deputada federal sobre as alterações que passaram a restringir peso e dimensões das malas de mão e cobrar por bagagens antes gratuitas, ganharam mais de 100 mil visualizações em suas redes sociais. Indignação que a parlamentar unista levou igualmente à Tribuna da Câmara dos Deputados e em conversa com jornalistas de Brasília e Mato Grosso, ao defender que setor voltasse a adotar regras mais justas, transparentes e acessíveis para os passageiros.

Ao argumentar que as companhias aéreas teriam adotados medidas sem debate público e sem estudos de impacto regulatório, fragilizando o equilíbrio nas relações de consumo do setor aéreo.

A decisão dos deputados nesta última terça-feira(28), no plenário da Câmara, representou uma grande vitória para o consumidor brasileiro, ao inibir uma série de práticas abusivas praticadas pelo setor aéreo. Durante o processo de articulação, tornou-se evidente uma vasta gama destas práticas, muitas das quais já conhecidas, que, talvez pela expectativa de atuação da ANAC, se mantinham em silêncio. Contudo, após intensos debates, a Câmara dos Deputados reconheceu a importância de agir nesse sentido“.

Entre as vitórias, destacam-se a bagagem de mão, que era o principal ponto da discussão, juntamente com o item pessoal; e o retorno da gratuidade da bagagem despachada de 23 quilos. Esta última decisão fundamentada no entendimento de que a cobrança anterior pautada na resolução 400/2016, da ANAC, que é o órgão regulador do transporte aéreo no Brasil, que nem todo mundo que estava pagando o custo de uma bagagem de mais de 20kg a utilizava, assim retira-la poderia baratear o custo da passagem, provou-se não se refletir lá na ponta, não justificando, assim, um custo adicional para o passageiro“.

Ainda, de acordo com Gisela Simona, outra conquista relevante foi em relação à prática abusiva do “no-show”, atualmente vigente no transporte aéreo. Segundo essa prática, o passageiro que adquire passagens de ida e volta, mas perde o voo de ida por qualquer motivo, automaticamente perde o direito à passagem de volta, sem qualquer reembolso. Essa condição, agora coibida, não poderá mais ser aplicada.

E uma quarta vitória que será inserida no Código Brasileiro de Aeronáutica, é a questão dos assentos, objeto de um projeto de lei de minha autoria. Assim, ficando estabelecido que o assento padrão não poderá ter custo para o consumidor, reservando a cobrança apenas para assentos conforto ou em posições diferenciadas. As mudanças seguem para apreciação e aprovação do Senado Federal, etapa essencial para que se converta em lei no Brasil. Posteriormente, será submetido à sanção ou veto do Presidente da República“, informou a parlamentar unista.

Entenda o caso

Na noite desta última terça, a Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei que garante a volta do despacho de bagagem de até 23 kg em voos nacionais ou internacionais operados no país. A reformulação da regra consta na emenda do deputado Alex Manente (Cidadania-SP) incluída pelo Plenário no Projeto de Lei 5041/25, do deputado Da Vitoria (PP-ES) e contou com o apoio de 361 parlamentares contra 77.

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Com o substitutivo aprovado, o passageiro ainda poderá levar, sem custo adicional, uma mala de bordo em voos domésticos e uma bolsa ou mochila debaixo do assento. Também passa a figurar no código que se a bagagem de bordo não puder ser acomodada no bagageiro da cabine por restrição de segurança ou de capacidade, o despacho será gratuito.

Outra emenda aprovada ontem, proíbe as empresas aéreas de cancelar passagem, no trecho de volta, previsto na compra, se o passageiro não comparecer ao embarque para o trecho de ida (conhecido como “no show“). Exceto se houver autorização expressa dele. A emenda obteve apoio de 445 deputados e rejeição por 10.

Marcação de assento

Igualmente foi aprovado o projeto que proíbe as empresas de cobrarem adicional pela marcação de assento padrão em voos domésticos e internacionais operados em território nacional. Essa medida consta de emenda do deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA), aprovada por 426 votos a 17.

O assento padrão é aquele que não faz parte de espaços reservados para poltronas com maior conforto para as pernas (saída de emergência, por exemplo) ou em cabines premium. A marcação gratuita do assento padrão poderá ocorrer no momento do check-in ou antes. 

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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