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HEGEMONIA EM CONSTRUÇÃO

Max Russi assume o Podemos e projeta salto estratégico para 2026 em Mato Grosso

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O cenário político de Mato Grosso registra uma das movimentações mais significativas da atual legislatura com a ascensão do deputado estadual Max Russi à presidência do Podemos. O parlamentar, que também preside a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), oficializou sua entrada na legenda acompanhado por um robusto grupo político composto pelos deputados estaduais Fábio Tardin e Beto Dois a Um. Esta migração de quadros de alto escalão altera imediatamente a balança de poder regional, posicionando a sigla como uma força central nas articulações que visam tanto o fortalecimento das bases municipais quanto a estruturação de candidaturas competitivas para os próximos pleitos majoritários.

A composição deste novo bloco partidário ostenta números que impressionam pela capilaridade eleitoral, reunindo cerca de 25 prefeitos, 20 vice-prefeitos e dezenas de lideranças municipais distribuídas por todas as regiões mato-grossenses. Sob o comando de Russi, o Podemos deixa de ocupar uma posição de coadjuvante no tabuleiro político para se consolidar como a segunda maior potência partidária do estado, sustentada por um exército de aproximadamente 18 mil filiados. Este crescimento vertiginoso não é fruto do acaso, mas de um projeto de poder meticulosamente desenhado para atrair gestores que buscam uma legenda com trânsito livre entre o municipalismo e as esferas de decisão estadual e federal.

O movimento ocorre em um momento crucial do calendário eleitoral, aproveitando as prerrogativas da chamada “Janela Partidária”, período legal que permite a troca de legenda sem a perda de mandato para detentores de cargos eletivos. O anúncio das novas filiações e a posse da nova diretoria estabelecem um marco temporal divisor de águas, ocorrendo precisamente enquanto as peças para as eleições de outubro são posicionadas. Esta sincronia estratégica permite que o partido se organize internamente com antecedência, garantindo que a transição de comando e a recepção dos novos quadros ocorram sob uma égide de estabilidade jurídica e política, fundamental para a coesão do grupo.

O palco desta transformação é o Estado de Mato Grosso, onde a política é tradicionalmente marcada por coalizões fortes e lideranças carismáticas ligadas ao setor produtivo e à gestão pública técnica. A Assembleia Legislativa tornou-se o epicentro desta mudança, servindo como o laboratório onde as alianças foram costuradas entre Russi e seus pares. A abrangência da nova estrutura do Podemos, no entanto, ultrapassa os limites da capital Cuiabá, atingindo os 141 municípios do estado, onde prefeitos e vereadores agora buscam no partido o suporte necessário para a continuidade de seus projetos locais e a viabilização de recursos federais e estaduais.

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A estratégia de expansão fundamenta-se na busca por autonomia política e na criação de um ambiente que ofereça “players” de peso para as futuras disputas nas chapas proporcionais e majoritárias. Max Russi justifica a escolha pelo Podemos pela necessidade de um ambiente democrático que permita o diálogo amplo com as bases, sem as amarras ideológicas que muitas vezes engessam o crescimento de lideranças emergentes. O partido utiliza-se de uma retórica de eficiência e proximidade com o cidadão, apresentando-se como uma alternativa viável aos partidos tradicionais que dominam o espectro político mato-grossense há décadas, focando no fortalecimento do poder legislativo.

O objetivo precípuo desta reestruturação é garantir um protagonismo inédito nas eleições de 2026, com metas ambiciosas já estabelecidas pela nova executiva estadual. O Podemos projeta eleger até seis deputados estaduais, o que representaria um quarto da composição total da Assembleia Legislativa, e assegurar pelo menos duas cadeiras na Câmara Federal em Brasília. Para atingir tais metas, a legenda trabalha intensamente na identificação de candidatos com densidade eleitoral comprovada, visando fechar chapas competitivas que maximizem o quociente eleitoral e garantam a sobrevivência política do grupo frente às cláusulas de barreira e novas regras eleitorais.

De maneira técnica e cautelosa, o presidente Max Russi conduz as negociações para a definição do apoio ao Governo do Estado, mantendo as cartas próximas ao peito até o encerramento definitivo do prazo da janela partidária, em 4 de abril. O parlamentar enfatiza que a montagem do “quebra-cabeça” das chapas de deputados é a prioridade imediata, relegando definições sobre alianças majoritárias para um segundo momento de maturação política. Esta postura pragmática evita desgastes precoces e permite que o partido mantenha canais de diálogo abertos com diferentes correntes, incluindo a proximidade notória com o vice-governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, sem, contudo, formalizar compromissos irrevogáveis.

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No contexto das alianças, a diretriz estabelecida por Russi é a do diálogo irrestrito, afirmando categoricamente que o Podemos não impõe vetos a nenhuma liderança ou agremiação que deseje somar esforços ao projeto do partido. Esta abertura diplomática é vista como um diferencial competitivo, permitindo que a sigla transite entre o apoio à base governista e a acolhida de setores independentes que buscam renovação. A ausência de restrições ideológicas rígidas facilita a adesão de novos prefeitos e vice-prefeitos, que enxergam no Podemos uma plataforma segura para negociar benefícios para seus municípios sem o risco de isolamento político ou retaliações partidárias.

Simultaneamente à organização estadual, a sigla monitora atentamente a dinâmica do Legislativo Municipal de Cuiabá, onde o vereador Ilde Taques desponta como um possível candidato à Mesa Diretora. Embora Max Russi reafirme o princípio da não interferência nos processos internos da Câmara Municipal, ele sinaliza apoio institucional irrestrito a qualquer um dos seis vereadores do partido que pretenda pleitear espaços de poder. Essa postura respeita a autonomia das instâncias legislativas, ao mesmo tempo em que fortalece a moral da bancada municipal, demonstrando que a direção estadual está atenta e disposta a chancelar o crescimento de seus quadros em todas as esferas da administração pública.

Como consequência direta deste realinhamento, espera-se que o Podemos assuma um papel de fiel da balança nas próximas decisões estruturantes de Mato Grosso, influenciando diretamente a aprovação de Projetos de Lei e a distribuição de emendas parlamentares. A robustez da nova bancada e o volume de prefeituras sob sua influência conferem a Max Russi um capital político extraordinário, tornando sua anuência indispensável para qualquer projeto governamental futuro. O êxito desta empreitada dependerá, fundamentalmente, da capacidade da legenda em converter filiados em votos e em manter a unidade de um grupo tão heterogêneo após o fechamento das urnas e o início do novo ciclo administrativo.

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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