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BUSCAR RAZOABILIDADE E RACIONALIDADE NOS GASTOS DE CAMPANHA

Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões pode abrir o debate sobre a realização de eleições a cada dois anos

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O Projeto de Lei Orçamentária para 2024, que prevê despesas de R$ 5,5 trilhões foi aprovado pelo Congresso Nacional. O texto estabelece R$ 4,9 bilhões para o Fundo Eleitoral que será aplicado na campanha municipal do ano que vem. O valor é quase o mesmo destinado à eleição presidencial de 2022.

Depois de acalorada discussão no Plenário do Congresso, o valor aprovado para o fundo que vai financiar as eleições municipais de 2024 foi de R$ 4,96 bilhões. Esses serão os recursos que constarão do Orçamento da União para o próximo ano (PLN 29/2023), substituindo o montante original enviado na proposta orçamentária do Executivo de R$ 939 milhões. Assim, foi mantida a decisão votada no relatório final da Comissão Mista de Orçamento (CMO), na quinta-feira (21). Na sessão conjunta do Congresso, parlamentares tentaram derrubar o novo valor e retomar o inicialmente previsto, sem sucesso.

O texto aprovado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), elevou o valor para R$ 4,96 bilhões, equivalente ao gasto nas eleições gerais de 2022. Segundo o relator do Projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA), deputado Luiz Carlos Motta (PL/SP), a diferença de R$ 4 bilhões entre o valor originalmente proposto pelo governo e o novo montante seria retirada das reservas das emendas de bancadas estaduais.

O Fundo Eleitoral, ou Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), foi criado em 2017, após a proibição de doações de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais, estabelecida por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, o chamado Fundão é uma das principais fontes de receita para que os partidos realizem as campanhas eleitorais de seus candidatos.

Logo no início da sessão conjunta, o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco, afirmou que, apesar de ser favorável ao financiamento público de campanha, considera ser necessário buscar razoabilidade e racionalidade nesses gastos. Como não há uma regra sobre os valores destinados a cada tipo de eleição, ele sugeriu levar em conta os valores das últimas eleições: R$ 2,034 bilhões no pleito municipal em 2020 e R$ 4,96 bilhões nas eleições gerais de 2022.

Eu não vejo muita razoabilidade que tenhamos para uma eleição municipal do ano que vem o mesmo valor da eleição para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual em 2022. Me pareceria mais lógico nós termos o valor de 2020 corrigido, evidentemente, por algum fator de correção que se queira adotar, como o IPCA. Seria algo em torno de R$ 2,7 bilhões, que seria um valor, então, equilibrado“, disse.

Para o presidente do Congresso, aprovar R$ 5 bilhões para o Fundo Eleitoral iria contra todo o movimento do Congresso para fazer a Reforma Tributária e votar matérias na direção do equilíbrio fiscal. Pacheco propôs que, caso fosse aprovado o destaque do Partido Novo que possibilitaria retornar o valor do fundo para a proposta original do Executivo de R$ 939 bilhões, fosse feita uma correção na forma de um adendo ao relatório final ou por meio de projeto de lei que aumentasse o montante para o valor de 2020 com as correções.

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Redução

Contrário ao aumento no valor destinado ao fundo, o senador Eduardo Girão (Novo/CE) lembrou que as próximas eleições são municipais, com menos cargos em jogo, e que apenas prefeitos e vereadores serão eleitos. Para ele, não faz sentido esse volume de gastos com o dinheiro do contribuinte. O senador chamou o aumento de “presente de grego” para a população.

Hoje vamos defender aqui que façamos exatamente o que o governo queria desde o início, que é reduzir para menos de 1 bilhão, cerca de 900 milhões de reais porque, nesse momento, mais do que nunca, vivemos uma irresponsabilidade nos gastos públicos, no meu modo de entender. Respeito quem pensa diferente. O governo não faz o dever de casa. Muito pelo contrário, o exemplo tem que vir de cima, e ele dá péssimos exemplos com gastos“, argumentou Girão.

Na mesma direção, a deputada Adriana Ventura (Novo/SP) comparou os R$ 4,9 bilhões destinados pelo relator ao fundo eleitoral com os R$ 300 milhões aplicados ao ano em saneamento básico, o que classificou como “um disparate”.

A deputada chegou a concordar com o acordo proposto por Pacheco, mas como não houve consenso, continuou a defender o destaque apresentado pelo seu partido, que viabilizaria o retorno do fundo ao valor orçado inicialmente pelo Executivo.

Solicito, caros senhores, que ponham a mão na consciência. Partidos que não aceitaram o acordo, aceitem o acordo que foi feito. Vamos reduzir os danos, vamos reduzir o fundão. Quem vota “sim” está votando “sim” para a decência, “sim” para prioridade do que é importante, “sim” para a saúde, segurança e educação, dinheiro no lugar certo. Por isso, votem “sim” para um fundão menor“.

O deputado Chico Alencar (Psol/RJ) disse acreditar que os parlamentares estão querendo levar para as campanhas eleitorais com financiamento exclusivamente público o mesmo padrão das campanhas que antes eram financiadas pelas empresas, Para ele, é possível fazer campanhas mais simples e com menos custos.

É possível, sim, fazer campanha com ideias e causas, pé no chão, com a eficácia dos meios, eu não diria pobres, mas dos meios mais simples. Inclusive pela Internet. Se se alegar que em 2020 havia a pandemia e ninguém podia ir para rua, é bom lembrar que, de lá para cá, a Internet avançou muito. Isso, inequivocamente, barateia a propagação de causas, de doutrinas, de propostas, de ideias e facilita as campanhas“, disse o deputado, que defendeu a proposta de Pacheco.

 Aumento

O deputado Altineu Côrtes (PL/RJ) defendeu a manutenção do valor em R$ 5 bilhões. Para ele, o valor de R$ 2 bilhões em 2020 se deu em uma situação atípica, de pandemia e, caso fosse aprovada a redução do valor, haveria uma situação de insegurança. O deputado defendeu uma discussão sobre a unificação das eleições e também sobre a volta do financiamento privado de campanhas.

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O deputado Zeca Dirceu (PT/SP), por sua vez, afirmou que as receitas do país estão na casa dos trilhões e que o montante de R$ 4,9 bilhões representa apenas uma pequena fração. Ele lembrou que os valores aplicados nas eleições de 2022 foram mais do que o dobro das eleições de 2018 e que seria natural ocorrer o mesmo com as eleições municipais. Para o deputado, “a democracia tem custo”.

 Também favorável ao financiamento privado nas campanhas, o deputado Danilo Forte (União/CE) afirmou que, com a proibição das doações de empresas, o que resta é o financiamento público, mas que este precisa ser feito com responsabilidade.

O União Brasil tem uma posição muito clara na defesa dos R$ 4,9 bilhões. Mas eu discordo dessa posição, porque acho que, no momento crítico que o país vive, é um valor muito alto em relação ao que nós podemos inclusive ofertar desse financiamento. Comungo da ideia de que o parâmetro para esta eleição é a eleição de 2020, com a atualização dos seus valores“, disse o deputado.

A discussão sobre os critérios para o uso do fundo deve ocorrer em 2024. A antes da votação, Pacheco havia afirmado que, caso o acordo proposto por ele não vingasse e os R$ 5 bilhões fossem aprovados, restaria ao Congresso discutir esses critérios. Além disso, o presidente do Congresso sugeriu a discussão de outras propostas para diminuir o custo das eleições no país, como a coincidência de mandatos.

Realmente os custos das eleições se tornaram impraticáveis no Brasil e vamos ter que precipitar essa discussão“, disse Pacheco.

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Política

Mudança de vice expõe fissuras no PL e reabre controvérsias sobre passado político de Alencar Farina

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O Senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, alterou a composição de sua chapa majoritária para a disputa pelo Palácio Paiaguás. Marcelo Maluf (Novo), anteriormente anunciado como candidato a vice-governador, foi retirado da composição e substituído pelo médico Alencar Farina, também filiado ao Partido Liberal (PL). A mudança ocorreu na reta final das articulações políticas e foi formalizada perante a Justiça Eleitoral por meio de ata, sem que, segundo as informações apresentadas, tivesse havido uma negociação prévia com o Novo.

De acordo com o Partido Liberal, os convencionais aprovaram, por unanimidade, o nome de Alencar Farina para ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada por Fagundes. A decisão modificou uma composição que vinha sendo construída com a participação de diferentes forças políticas e retirou do Novo o espaço que havia sido destinado ao partido na formação da chapa majoritária. Com a alteração, o PL passou a concentrar as duas principais posições da candidatura ao Governo de Mato Grosso.

O empresario Marcelo Maluf havia sido apresentado anteriormente como indicação do Novo para a vice de Fagundes, em uma composição que buscava ampliar a sustentação partidária do projeto eleitoral. A substituição ocorreu depois de semanas de negociações destinadas a consolidar o palanque do senador. A mudança, contudo, acrescentou uma nova variável ao cenário político, justamente em um momento no qual os partidos envolvidos precisavam harmonizar interesses e definir os espaços que cada legenda ocuparia na campanha.

Além da alteração formal na chapa, a escolha de Farina provocou reações dentro do próprio PL. Setores da militância identificados com a direita e com o bolsonarismo passaram a questionar a indicação em razão da trajetória política anterior do médico. O episódio reacendeu, entre esses grupos, a acusação de que Fagundes teria adotado uma postura considerada incompatível com a orientação ideológica defendida por parte da legenda.

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A principal controvérsia está relacionada ao histórico político de Alencar Farina e às alianças que marcaram sua trajetória antes da filiação ao PL. O médico acumulou participações em disputas eleitorais ao lado de integrantes de partidos de esquerda em Mato Grosso. Esse passado passou a ser utilizado por críticos da escolha para questionar a coerência política da composição anunciada por Fagundes.

Em 2004, Farina concorreu ao cargo de vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada por Alexandre César, do Partido dos Trabalhadores (PT). Naquele pleito, a aliança reunia PT, PL e PCdoB, evidenciando uma configuração partidária diferente da polarização que posteriormente passou a marcar o ambiente político nacional. A participação na chapa petista tornou-se, anos depois, um dos principais elementos utilizados para relembrar a trajetória política do atual indicado à vice.

A relação de Farina com o PT também se estendeu às eleições seguintes. Em 2008, o médico disputou uma vaga na Câmara Municipal de Cuiabá pelo Partido dos Trabalhadores. Quatro anos depois, em 2012, seu nome chegou a ser lançado por integrantes da legenda para uma eventual candidatura à Prefeitura de Várzea Grande. O histórico reforçou as críticas dos setores que defendem uma identidade ideológica mais rígida para o PL.

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A trajetória política de Farina, entretanto, também se cruza diretamente com a de Wellington Fagundes. Segundo o relato apresentado, a aproximação entre os dois remonta a 2003, quando o médico deixou o PMDB e ingressou no PT com o aval de José Alencar. Naquele período, Fagundes teria participado do processo que aproximou Farina da nova legenda, estabelecendo uma relação política que, mais de duas décadas depois, volta ao centro das discussões eleitorais.

O reencontro político entre Fagundes e Farina ocorre, portanto, em um contexto completamente diferente daquele em que ambos iniciaram suas trajetórias de aproximação. A escolha do médico para a vice-governadoria resgatou episódios do passado e expôs divergências entre setores do PL, sobretudo entre aqueles que rejeitam qualquer aproximação política com o PT. O movimento também pode exigir do candidato ao Governo uma estratégia capaz de preservar a unidade interna e, simultaneamente, manter coeso o conjunto de partidos reunidos em seu palanque.

A alteração da chapa, por fim, coloca Wellington Fagundes diante de um dos primeiros grandes desafios de sua campanha: administrar as consequências políticas da escolha de seu companheiro de disputa.

Ao substituir um nome indicado pelo Novo por um integrante do próprio PL, o senador modificou o equilíbrio inicialmente projetado para a aliança e abriu uma nova frente de debate dentro de sua própria legenda.

A partir de agora, a capacidade de conciliar diferentes grupos políticos, explicar os critérios da decisão e preservar a unidade do palanque será determinante para a consolidação da candidatura ao Palácio Paiaguás.

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