Artigo
Endometriose e fertilidade: por que cada mulher precisa de um tratamento personalizado?
Autora: Giovana Fortunato* –
Durante muitos anos, receber o diagnóstico de endometriose significava, para muitas mulheres, conviver também com o medo da infertilidade. Era comum acreditar que a doença diminuía de forma definitiva as chances de engravidar ou que a cirurgia seria um caminho inevitável. Felizmente, a medicina evoluiu, e hoje sabemos que o tratamento da endometriose é muito mais individualizado do que se imaginava.
Esse é, inclusive, um dos principais temas discutidos no 10º Congresso Brasileiro de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose, que reúne especialistas de todo o país para compartilhar evidências científicas e debater as estratégias mais atuais para o cuidado das pacientes. Entre os consensos reforçados pela literatura está a importância de compreender que não existe um único tratamento para todas as mulheres com endometriose.
A doença pode se manifestar de formas muito diferentes. Algumas pacientes apresentam dor intensa e lesões profundas; outras convivem com poucos sintomas e descobrem a endometriose apenas durante a investigação para engravidar. Há ainda mulheres que têm como principal objetivo aliviar a dor e outras que procuram atendimento porque desejam realizar o sonho da maternidade. Por isso, idade, sintomas, localização da doença, reserva ovariana e planejamento reprodutivo precisam ser considerados antes de qualquer decisão terapêutica.
Quando a paciente deseja engravidar, o tratamento deve ir além do controle da doença. É preciso pensar na preservação da fertilidade e escolher a estratégia que ofereça as melhores chances de gestação, sempre com o menor impacto possível sobre a função ovariana.
Esse cuidado é especialmente importante porque nem toda mulher com endometriose precisará de cirurgia. Em muitos casos, principalmente quando a doença é menos extensa, a tentativa de gravidez espontânea ou tratamentos de reprodução assistida podem ser indicados antes de um procedimento cirúrgico. Em outras situações, a cirurgia pode ser fundamental para restaurar a anatomia pélvica, aliviar sintomas e favorecer a gestação. A decisão depende de uma avaliação criteriosa e individualizada.
Outro aspecto que vem ganhando cada vez mais destaque é a preservação da fertilidade. Mulheres com diagnóstico de endometriose, especialmente aquelas que ainda não desejam engravidar, mas apresentam risco de redução da reserva ovariana, podem se beneficiar de um planejamento reprodutivo precoce. Em alguns casos, o congelamento de óvulos pode ser uma alternativa importante para ampliar as possibilidades no futuro.
Também é fundamental lembrar que a idade continua sendo um dos fatores mais importantes para a fertilidade feminina. A partir dos 35 anos, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos. Quando essa condição se associa à endometriose, o planejamento torna-se ainda mais relevante. Buscar avaliação especializada precocemente permite definir o momento mais adequado para cada etapa do tratamento.
Os avanços apresentados e discutidos em encontros científicos como o 10º Congresso Brasileiro de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose reforçam uma mudança importante na forma de cuidar dessas pacientes: hoje, o foco não está apenas na doença, mas na mulher como um todo, considerando seus sintomas, sua qualidade de vida e seus projetos para o futuro.
Mais do que escolher entre cirurgia, tratamento clínico ou reprodução assistida, o desafio é construir uma estratégia personalizada, baseada nas melhores evidências científicas e nas necessidades individuais de cada paciente.
Porque, quando falamos de endometriose e fertilidade, a melhor conduta não é aquela que serve para todas as mulheres, mas aquela que respeita a história, o momento e os sonhos de cada uma.
*Giovana Fortunato é ginecologista, especialista em endometriose e infertilidade e professora da UFMT.
Artigos
Tecnologia e justiça tarifária: um novo caminho para as concessões rodoviárias
Autor: Luiz Sette* –
O Brasil vive um momento decisivo de transformação na forma como planeja e administra sua infraestrutura rodoviária. Durante décadas, o modelo tradicional de pedágio foi fundamental para viabilizar investimentos, garantir a manutenção das estradas e oferecer serviços aos usuários. Agora, a tecnologia permite avançar para um sistema mais eficiente, moderno e, sobretudo, mais justo.
Essa é a proposta do Free Flow, sistema de pedágio eletrônico que elimina as tradicionais praças de cobrança e faz com que o motorista pague apenas pelo trecho efetivamente percorrido. À primeira vista, pode parecer uma simples mudança operacional, mas ela representa uma transformação significativa na relação entre o usuário e a rodovia.
No sistema convencional, um condutor que percorre poucos quilômetros muitas vezes paga o mesmo valor de quem utiliza longos trechos da estrada. Com o Free Flow, essa lógica muda. A tarifa passa a ser calculada de forma proporcional à distância percorrida, seguindo um princípio simples: quem utiliza menos a rodovia paga menos; quem percorre mais contribui de acordo com o uso da infraestrutura.
Essa é a essência da justiça tarifária. Além de tornar a cobrança mais equilibrada, o sistema oferece ganhos importantes para a mobilidade. A eliminação das paradas nas praças de pedágio reduz filas, melhora a fluidez do trânsito, diminui o consumo de combustível, reduz a emissão de poluentes e torna as viagens mais rápidas, especialmente em corredores logísticos de grande movimentação.
Em um estado como Mato Grosso, cuja economia depende diretamente da eficiência do transporte, discutir inovação nas rodovias é também falar de competitividade. Somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo e precisamos de uma infraestrutura compatível com essa vocação. Cada minuto economizado no deslocamento, cada redução de custos operacionais e cada avanço em segurança refletem diretamente na capacidade de desenvolvimento do Estado.
Nesse cenário, a implantação do Free Flow na MT-130 representa muito mais do que uma nova forma de cobrança. Ela marca a entrada de Mato Grosso em uma nova geração de concessões rodoviárias, baseada em inovação, inteligência operacional e melhor experiência para o usuário. A rodovia que liga Primavera do Leste a Paranatinga está preparada para operar esse modelo e aguarda apenas a autorização da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) para iniciar essa nova etapa.
Ao mesmo tempo, o Free Flow abre espaço para outras soluções que já vêm transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Inteligência artificial, sistemas avançados de monitoramento, pesagem em movimento, telemetria e equipamentos capazes de ampliar a segurança e a eficiência operacional demonstram que o futuro da infraestrutura será cada vez mais conectado, automatizado e orientado por dados. Mato Grosso reúne todas as condições para acompanhar essa evolução e consolidar-se como referência em inovação logística.
É importante destacar que tecnologia e infraestrutura caminham lado a lado, mas a construção de um trânsito mais seguro depende do compromisso de todos. Concessionárias, poder público, órgãos de fiscalização e usuários compartilham a responsabilidade de fazer com que as rodovias cumpram seu papel de preservar vidas, impulsionar a economia e garantir deslocamentos cada vez mais seguros.
Modernizar uma rodovia vai muito além de investir em pavimento, sinalização ou equipamentos. Significa desenvolver soluções que coloquem o usuário no centro das decisões, oferecendo mais transparência, eficiência e uma cobrança compatível com a utilização real da via.
Mais do que uma inovação tecnológica, a justiça tarifária representa uma nova forma de compreender a mobilidade. É um avanço que valoriza quem utiliza a rodovia, amplia a eficiência das concessões e prepara Mato Grosso para enfrentar os desafios logísticos das próximas décadas. O futuro da infraestrutura já começou e ele passa, necessariamente, pela inovação.
*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga
-
Artigos5 dias atrásPrincípios Fundamentais
-
Política5 dias atrásA pragmática costura entre PL e MDB que incendiou a direita em Mato Grosso
-
Artigos6 dias atrásA Constituição e o direito de falar em Deus nos espaços públicos
-
Política6 dias atrásTemperatura no tabuleiro eleitoral na Terra de Rondon tá altíssima
-
Política5 dias atrásEra uma vez um partido político; convenção do UB mudou o cenário eleitoral
-
Destaques5 dias atrásGrupo Flor de Atalaia representa Mato Grosso em turnê de 40 dias na Europa
-
Artigos4 dias atrásO adversário que mora em nós
-
Destaques6 dias atrásGrupo Flor Ribeirinha encanta a Turquia e conquista o quinto título mundial



