Search
Close this search box.

MÉDICO DE CORAÇÃO VERMELHO

Mudança de vice expõe fissuras no PL e reabre controvérsias sobre passado político de Alencar Farina

Publicados

em

O Senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, alterou a composição de sua chapa majoritária para a disputa pelo Palácio Paiaguás. Marcelo Maluf (Novo), anteriormente anunciado como candidato a vice-governador, foi retirado da composição e substituído pelo médico Alencar Farina, também filiado ao Partido Liberal (PL). A mudança ocorreu na reta final das articulações políticas e foi formalizada perante a Justiça Eleitoral por meio de ata, sem que, segundo as informações apresentadas, tivesse havido uma negociação prévia com o Novo.

De acordo com o Partido Liberal, os convencionais aprovaram, por unanimidade, o nome de Alencar Farina para ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada por Fagundes. A decisão modificou uma composição que vinha sendo construída com a participação de diferentes forças políticas e retirou do Novo o espaço que havia sido destinado ao partido na formação da chapa majoritária. Com a alteração, o PL passou a concentrar as duas principais posições da candidatura ao Governo de Mato Grosso.

O empresario Marcelo Maluf havia sido apresentado anteriormente como indicação do Novo para a vice de Fagundes, em uma composição que buscava ampliar a sustentação partidária do projeto eleitoral. A substituição ocorreu depois de semanas de negociações destinadas a consolidar o palanque do senador. A mudança, contudo, acrescentou uma nova variável ao cenário político, justamente em um momento no qual os partidos envolvidos precisavam harmonizar interesses e definir os espaços que cada legenda ocuparia na campanha.

Além da alteração formal na chapa, a escolha de Farina provocou reações dentro do próprio PL. Setores da militância identificados com a direita e com o bolsonarismo passaram a questionar a indicação em razão da trajetória política anterior do médico. O episódio reacendeu, entre esses grupos, a acusação de que Fagundes teria adotado uma postura considerada incompatível com a orientação ideológica defendida por parte da legenda.

Leia Também:  Alvos da Operação Apito Final movimentaram milhões de reais, e não possuem registros de vínculos empregatícios

A principal controvérsia está relacionada ao histórico político de Alencar Farina e às alianças que marcaram sua trajetória antes da filiação ao PL. O médico acumulou participações em disputas eleitorais ao lado de integrantes de partidos de esquerda em Mato Grosso. Esse passado passou a ser utilizado por críticos da escolha para questionar a coerência política da composição anunciada por Fagundes.

Em 2004, Farina concorreu ao cargo de vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada por Alexandre César, do Partido dos Trabalhadores (PT). Naquele pleito, a aliança reunia PT, PL e PCdoB, evidenciando uma configuração partidária diferente da polarização que posteriormente passou a marcar o ambiente político nacional. A participação na chapa petista tornou-se, anos depois, um dos principais elementos utilizados para relembrar a trajetória política do atual indicado à vice.

A relação de Farina com o PT também se estendeu às eleições seguintes. Em 2008, o médico disputou uma vaga na Câmara Municipal de Cuiabá pelo Partido dos Trabalhadores. Quatro anos depois, em 2012, seu nome chegou a ser lançado por integrantes da legenda para uma eventual candidatura à Prefeitura de Várzea Grande. O histórico reforçou as críticas dos setores que defendem uma identidade ideológica mais rígida para o PL.

Leia Também:  Quem realmente está preparado para conduzir o Estado? Quem deve ser o próximo governador?

A trajetória política de Farina, entretanto, também se cruza diretamente com a de Wellington Fagundes. Segundo o relato apresentado, a aproximação entre os dois remonta a 2003, quando o médico deixou o PMDB e ingressou no PT com o aval de José Alencar. Naquele período, Fagundes teria participado do processo que aproximou Farina da nova legenda, estabelecendo uma relação política que, mais de duas décadas depois, volta ao centro das discussões eleitorais.

O reencontro político entre Fagundes e Farina ocorre, portanto, em um contexto completamente diferente daquele em que ambos iniciaram suas trajetórias de aproximação. A escolha do médico para a vice-governadoria resgatou episódios do passado e expôs divergências entre setores do PL, sobretudo entre aqueles que rejeitam qualquer aproximação política com o PT. O movimento também pode exigir do candidato ao Governo uma estratégia capaz de preservar a unidade interna e, simultaneamente, manter coeso o conjunto de partidos reunidos em seu palanque.

A alteração da chapa, por fim, coloca Wellington Fagundes diante de um dos primeiros grandes desafios de sua campanha: administrar as consequências políticas da escolha de seu companheiro de disputa.

Ao substituir um nome indicado pelo Novo por um integrante do próprio PL, o senador modificou o equilíbrio inicialmente projetado para a aliança e abriu uma nova frente de debate dentro de sua própria legenda.

A partir de agora, a capacidade de conciliar diferentes grupos políticos, explicar os critérios da decisão e preservar a unidade do palanque será determinante para a consolidação da candidatura ao Palácio Paiaguás.

Propaganda

Política

PL endurece posição sobre apoio eleitoral e ameaça cobrar desfiliação de dissidentes

Publicados

em

O presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso, Ananias Filho, afirmou que prefeitos e vereadores da legenda que fizerem campanha, nas eleições de 2026, para candidatos ao Governo do Estado que se oponham ao senador Wellington Fagundes (PL-MT) e aos demais nomes integrantes da coligação deverão pedir desfiliação partidária. A declaração explicita o endurecimento da direção estadual diante de eventuais manifestações públicas de apoio a adversários.

A posição foi apresentada em meio à insatisfação de lideranças do PL com a aliança firmada entre o partido e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que incluiu a deputada estadual Janayna Riva na disputa por uma vaga no Senado. A composição eleitoral provocou resistência entre setores da legenda liberal, especialmente entre integrantes que defendem outras alianças ou preferências para a eleição estadual.

Segundo Ananias Filho, nenhum filiado será obrigado a participar das atividades de campanha da coligação. O dirigente, entretanto, estabeleceu uma diferença entre permanecer em silêncio e declarar publicamente apoio a candidatos adversários.

Na avaliação da direção estadual, filiados que optarem por não participar da campanha não serão cobrados, enquanto manifestações públicas contrárias à orientação partidária poderão gerar consequências políticas e administrativas.

Não vou aceitar ninguém que está com mandato ficar falando que vai apoiar candidatos de fora. Quem quiser apoiar outro candidato, a primeira coisa que deveria fazer era devolver o fundo eleitoral do qual foi beneficiado”, declarou Ananias Filho.

A cobrança relaciona a utilização de recursos eleitorais recebidos em razão da vinculação partidária à expectativa de alinhamento dos mandatários com as decisões estabelecidas pela legenda para o processo eleitoral.

Leia Também:  Racha na Prefeitura de Várzea Grande: as crises entre prefeita e vice

O presidente estadual do Partido Liberal (PL) também defendeu que os filiados que não concordarem com a composição eleitoral adotada pela direção procurem voluntariamente deixar a legenda.

Em declaração de tom contundente, Ananias Filho afirmou:

Quem for homem de verdade, tiver caráter e quiser fazer campanha para outro, vai lá e pede sua desfiliação”.

A manifestação reforça a disposição da direção estadual de exigir uma definição dos integrantes que decidirem apoiar candidaturas adversárias.

A orientação atinge diretamente agentes políticos que ocupam cargos eletivos e que, durante o período eleitoral, eventualmente manifestem preferência por candidatos diferentes daqueles apoiados oficialmente pela coligação.

Entre os prefeitos do PL citados nesse contexto estão: Abilio Brunini, de Cuiabá; Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis; Sérgio Machnic, de Primavera do Leste; e Flávia Moretti, de Várzea Grande.

A principal questão colocada pela direção estadual é como os integrantes do partido deverão se comportar diante da orientação oficial para a disputa de 2026. Embora Ananias Filho tenha afirmado que ninguém será obrigado a participar da campanha, o dirigente deixou claro que não pretende admitir apoio público a candidatos adversários por parte de filiados que mantenham seus mandatos e permaneçam vinculados ao PL.

Leia Também:  Sabadão de manhã chuvosa e quente com: Nenel, Nenelzinho, MDB e PP

A advertência também alcança vereadores e outros integrantes da legenda que ocupem cargos eletivos e decidam declarar apoio a candidaturas externas à composição partidária. Para a direção estadual, a permanência no partido pressupõe respeito às decisões eleitorais estabelecidas pela legenda e pela coligação. Eventuais manifestações contrárias, portanto, poderão ser avaliadas internamente e submetidas aos mecanismos partidários considerados cabíveis.

Durante a campanha, os candidatos dos partidos que integram a coligação deverão ficar subordinados a uma direção única, conforme a orientação apresentada por Ananias Filho. O objetivo, segundo a posição expressada pelo dirigente, é preservar uma estratégia eleitoral coordenada entre as siglas e evitar manifestações públicas conflitantes entre integrantes da mesma composição. Nesse cenário, o apoio ostensivo a adversários poderá ser interpretado pela direção como possível caso de “infidelidade partidária”.

A declaração de Ananias Filho expõe, assim, uma disputa interna entre a liberdade individual de escolha dos agentes políticos e a necessidade de unidade defendida pela direção estadual do PL para as eleições de 2026. Ao exigir que aqueles que pretendam apoiar adversários considerem a desfiliação, o partido busca estabelecer limites claros para a atuação de seus filiados durante a campanha.

A reação dos prefeitos, vereadores e demais lideranças mencionados poderá indicar, nos próximos movimentos eleitorais, o grau de coesão da legenda diante da aliança firmada para a disputa em Mato Grosso.

Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA