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DOBRADINHA 2022

Mendes entre a cruz e a espada

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Senhores, eu já disse nos bastidores e digo aqui publicamente para os senhores: assim que decidir se serei ou não candidato, eu quero saber do Otaviano Pivetta se ele quer ou não continuar junto comigo”.

Foram as palavras do próprio governador Mauro Mendes Ferreira do União Brasil (UB) que pretende dar continuidade a uma dobradinha com Otaviano Olavo Pivetta (Sem Partido), caso confirme que vai encarar a reeleição em outubro próximo.

Mauro Mendes foi enfático em afirmar que para o Senado da Republica, ele disse com todas as letras que nunca fez compromisso com nenhum partido político.

Nunca fechei acordo com nenhum partido e todo mundo sabe disso. Wellington e o Neri sabe disso. Como é que eu vou fechar um acordo pra candidatura ao Senado da Republica se eu nunca disse que eu sou candidato? Ponto. E foi assim que eu me comportei, quando eles me representaram o nome de Neri Geller. Essa informação de que eles tinham fechado um acordo entre eles e se apoiarem, isso é ótimo, parabéns. Eu até disse a eles que era uma boa estratégia, podem fazer o trabalho de vocês mas eu não posso firmar nada. Mauro Carvalho estava comigo e ouviu dizendo assim: ó eu não posso firmar compromisso com ninguém agora. Não firmei nem com Wellington e nem com Neri, acho que eles têm qualidades, mas não fechei a porta para ninguém, não fechei com ninguém“.

O Governador do Estado de Mato Grosso, Mauro Mendes afirmou que vem aos poucos colocando em sua agenda as conversas política-partidária e eleitoral para 2022, e que isso vai se afunilando nas próximas semanas. Mas, que antes de conversar com as lideranças partidárias, irá ouvir a sua família sobre uma eventual candidatura à reeleição.

Depois de ouvir muita gente, conversar com muitos aliados, depois de ouvir da minha esposa, depois de ouvir dos meus filhos, ai sim eu vou tomar a decisão que serei ou não candidato, tomando a decisão, a gente começa construir a próxima etapa que é quem vai ser o Vice, quem vai ser o Senador, né? Como é que vai ser essa articulação política tão importante, tão necessária. Paciência e o tempo“.

Após ter se reunido com o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, e a presidente nacional do Podemos, deputada federal pelo Estado de São Paulo, Renata Abreu, o clima pesou.

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A conversa com o Partido Liberal (PL) foi interpretada como um pré-acordo com o Senador Wellington Fagundes (PL) para a reeleição ao Senado, o que causou reação de parte de sua base aliada, que defendem o nome do deputado federal, o progressista Neri Geller para a vaga.

Dobradinha 2022

Mauro Mendes revelou ainda que pretende ter o atual vice-governador Otavino Olavo Pivetta (Sem partido), como seu vice na nova chapa para 2022, segundo Mendes, caso seja candidato a reeleição. Mauro Mendes pontuou que o vice trabalha muito e ajuda muito a gestão.

Assim que eu decidir se serei ou não candidato, quero saber se ele quer ou não continuar junto. É um cara honesto e dedicado“.

O acordo teria sido firmado durante reunião entre os gestores no Palácio Paiaguás. A chapa ainda contaria com o Senador do Partido Liberal (PL), Wellington Fagundes, com uma possível aproximação do chefe do Executivo Estadual com os grupos bolsonaristas. O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho Junior, que fecharia como o 1º Suplente.

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A dobradinha entre Mauro Mendes e Otaviano Pivetta foi confirmada por alguns deputados da base do governador. Os parlamentares informaram que, na reunião, Mendes demonstrou interesse em disputar a reeleição e convidou o vice para repetir a chapa vitoriosa de 2018. Antes, durante entrevista coletiva, o ex-democrata já havia demonstrado interesse em ter o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, em seu grupo político.

Para tentar convencer Otaviano Pivetta, Mendes teria relatado o encaminhamento de um acerto com Wellington. O acordo para o congressista compor a chapa foi fechado durante reunião do governador com o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, no dia 9 de março, em um hotel em Brasília. O chefe do Palácio Paiaguás cedeu o seu palanque em troca de o presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) apoiá-lo na campanha eleitoral.

Com essa composição, Mendes se afastaria do pré-candidato ao Senado Federal Neri Geller (PP), que tem o apoio do ex-ministro Blairo Borges Maggi (PP) e do seu primo, Eraí Maggi, adversários políticos de Otaviano Pivetta. Diante disso, cresce a possibilidade do Senador Carlos Henrique Baqueta Fávaro (PSD) ser o candidato ao governo pelo grupo de Maggi.

O vice-governador Otaviano Pivetta afirmou que realmente houve o encontro com Mauro Mendes, mas nega que tenha falado sobre política, tampouco se aceitaria o convite de Mendes. O vice-governador ressaltou que, na reunião, foram debatidas apenas pautas referentes à gestão.

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Política

Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”

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A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.

O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.

A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.

As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.

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Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.

O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.

O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.

A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.

Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.

As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.

E aí está a ironia do roteiro.

Wellington Fagundes, o Lanterna Verde, o Homem da Camisa Verde, também identificado por setores da direita como Senador Melancia, Verde por fora e vermelho por dentro, terá que administrar um palanque no qual o VERMELHO já não parece estar escondido debaixo do palanque.

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As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.

Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.

O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.

A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.

Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.

O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.

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