ELEIÇÕES DE 2022
Discurso de renovação e críticas infundadas não levam a nada
Em 2018 foram 13 novos deputados estaduais e 7 federais. Foi uma grande renovação na política mato-grossense, em meio a onda anticorrupção. A equipe de reportagem do Blog do Valdemir, conversou com alguns especialistas na política e constatou que o mesmo fenômeno não ocorrerá no pleito eleitoral no dia 2 de outubro, a renovação será muito menor.
Querem saber a causa? Nesses três anos, vários deputados estaduais e federais eleitos com a bandeira do bolsonarismo acabaram numa verdadeira “teia de aranha”, em meio a uma sucessão de crises políticas.
Ao mesmo tempo o que a equipe de reportagem do Blog do Valdemir viu nesses três anos o fortalecimento da chamada “velha política” que os novatos prometiam retificar.

Aviso aos navegantes; não se esqueçam, que o valor do Fundo Eleitoral foi aumentado pelo Congresso Nacional de R$ 2 bilhões para R$ 4,9 bilhões, e a distribuição desses recursos segundo analistas políticos, vai privilegiar candidatos que estão no exercício de mandato, um dos fatores que vai impedir uma grande renovação.
Outro fator: com o apoio do Palácio Paiaguas, que envolve, entre outras benesses, é a liberação de emendas, muitos desses parlamentares voltarão a ser protagonistas.
Com o controle da destinação de Verbas de Emendas Parlamentares, sobretudo as do chamado orçamento, esse grupo tem políticos veteranos, que ganham fôlego para tentar a reeleição.
Quer mais? Além disso, a ideia da criação de uma Federação de Partidos de esquerda é outro trunfo em favor desse segmento, já que os partidos progressistas, reunidos em uma Federação, disputarão em melhores condições, as chamadas sobras eleitorais (vagas não preenchidas pelo quociente eleitoral).
“Quem tem mais votos no conjunto se beneficia. Por exemplo os partidos, separados, teriam 4 cadeiras a menos do que terão juntos como una Federação“, disse o cientista político João Edson.
Tem mais, a popularidade do governador do Partidos Democratas (DEM), Mauro Mendes Ferreira, vai impactar nos resultados das eleições proporcionais.
O cientista político considera que as forças conservadoras terão menos força em 2022 do que na eleição passada, porque, hoje, segundo ele, não há o mesmo clima de contestação ao sistema político, que foi embalado pela “Operação Grampolândia“.
Para João Edson, o cenário hoje para os bolsonaristas será muito mais adverso em outubro, porque os candidatos terão que enfrentar não apenas a competição de uma Federação de Partidos de esquerda, mas também de outros partidos de Centro-direita que rejeitem a aliança com os apoiadores de Bolsonaro.

Nota da redação
O pleito eleitoral do dia 2 de outubro 2022, não será um ano positivo para os candidatos que pretendem atrelar sua imagem à de Bolsonaro.
Acordem navegantes, é preciso observar o declínio de Bolsonaro que mais evidente com taxas de reprovação, com queda de popularidade, enfim, isso tende a refletir nos candidatos ao Congresso que tentam ir nessa onda.
Em relação ao Palácio Paiaguas, especialistas políticos, mostram que o eleitor vai avaliar a experiência, o passado e as propostas dos candidatos, e não apenas o discurso de renovação e críticas infundadas.
Mauro Mendes leva vantagem por ter reputação ilibada e, serviços prestados à Mato Grosso e gestão bem avaliada, apontam especialistas.
Uma dica para os pré-candidatos: no pleito de 2022, alguns parlamentares estaduais e federais já chegam com vasta experiência. Em busca de novos mandatos, eles acumulam, pelo menos duas décadas de atuação dentro dos parlamentos.
Alguns tem como legado a apresentação de projetos relevantes para o Estado, indo desde a fusão de secretarias, concursos públicos, reformas administrativas, empréstimos para pagamento dos salários dos servidores públicos, até a garantia ambiental para localidades de Mato Grosso. Além da participação em Comissão Técnicas e Investigativas da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).
Com isso, esses parlamentares, de alguns mandatos consecutivos criaram vínculos e de comprometimento com a base e a experiência desses deputados, que sabem o tramite da política, sabem como jogar o jogo…
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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