BAIRROS SOFREM COM ABASTECIMENTO IRREGULAR
Câmara de Várzea Grande deve aprovar concessão do DAE sem resistência
A concessão do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande passou a ocupar o centro do debate público no município, diante da decisão da administração municipal de transferir à iniciativa privada a gestão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A proposta, conduzida pela Prefeitura de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), visa enfrentar problemas históricos de falta de água, perdas na distribuição e limitações financeiras do sistema, em um contexto de crescente pressão social por melhorias estruturais.
O projeto de concessão prevê a delegação dos serviços a uma empresa privada, por meio de licitação pública, pelo prazo estabelecido em contrato, com metas obrigatórias de investimento, ampliação da rede e universalização do saneamento. Segundo a administração municipal, o modelo busca garantir capacidade técnica e financeira para modernizar a infraestrutura, reduzir desperdícios e ampliar o acesso da população a serviços essenciais, especialmente em bairros que sofrem com o abastecimento irregular.
A proposta está alinhada ao novo marco legal do saneamento básico, que estabelece metas de universalização até 2033 e incentiva a participação do setor privado como forma de acelerar investimentos. No caso de Várzea Grande, estudos técnicos apontam a necessidade de aportes significativos para recuperação de estações de tratamento, substituição de redes antigas e ampliação do sistema de esgoto, desafios que o DAE, em sua estrutura atual, tem dificuldades de atender.
Apesar dos argumentos favoráveis, a concessão gera controvérsia entre servidores, sindicatos, vereadores e movimentos sociais. Críticos temem aumento nas tarifas, perda de controle público sobre um serviço essencial e impactos trabalhistas. Defensores do modelo, por outro lado, argumentam que a concessão será regulada por contrato e fiscalizada por agência competente, com cláusulas de desempenho e penalidades em caso de descumprimento.
O debate segue em curso, com audiências públicas, análises técnicas e discussões no âmbito político e jurídico. A decisão final sobre a concessão do DAE de Várzea Grande deverá definir não apenas o futuro do saneamento no município, mas também o modelo de gestão de um serviço estratégico para a saúde pública, o desenvolvimento urbano e a qualidade de vida da população.

Apoio da Câmara Municipal
A concessão do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande avança no cenário político local sem, ao menos até o momento, enfrentar resistência significativa no âmbito do Legislativo Municipal. A proposta é conduzida pela prefeita várzea-grandense, Flávia Moretti (PL), que avalia haver ambiente favorável na Câmara Municipal para a tramitação do projeto, uma vez que a crise no abastecimento de água foi tema central das campanhas eleitorais que levaram à eleição da atual legislatura. O debate ocorre em Várzea Grande, em meio à pressão social por soluções estruturais para um serviço considerado crítico pela população.
De acordo com a administração municipal, o Executivo trabalha para encaminhar ao Legislativo, ainda em 2026, tanto o Plano Municipal de Saneamento Básico quanto a modelagem do contrato de concessão. Essas etapas são consideradas essenciais para a abertura do processo licitatório que deverá definir o futuro da autarquia responsável pelo abastecimento de água e pelo esgotamento sanitário no município. A estratégia da gestão é concluir o desenho institucional e jurídico antes de avançar para a fase de concorrência pública.
A prefeita sustenta que o compromisso público assumido pelos vereadores durante a campanha eleitoral tende a facilitar a aprovação da proposta.
Segundo Flávia Moretti, a cobrança por soluções definitivas para o abastecimento de água foi amplamente explorada nos discursos eleitorais, o que cria, na avaliação do Executivo, uma convergência política em torno da necessidade de mudanças estruturais. Para a gestora, a concessão surge como resposta a uma demanda reiterada da sociedade e do próprio Parlamento Municipal.
Apesar do cenário considerado favorável, a chefe do Executivo Municipal reconhece a existência de tensão institucional com o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), que se declara opositor político da atual administração. Ainda assim, Flávia Moretti minimiza o impacto dessa divergência sobre o andamento do projeto e afirma manter diálogo aberto com a maioria dos parlamentares, independentemente de alinhamento partidário ou posicionamento político.
No que se refere à avaliação financeira do DAE, a prefeita esclareceu que o valor de mercado da autarquia ainda não foi definido. Segundo ela, os estudos de viabilidade econômica e de estimativa de investimentos estão previstos para começar apenas em março de 2026, após a conclusão da modelagem contratual. A administração municipal argumenta que a definição prévia do modelo de concessão é necessária para garantir segurança jurídica, atratividade ao mercado e maior transparência no processo que poderá redefinir a gestão do saneamento em Várzea Grande.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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