TENDÊNCIA DE CRESCIMENTO
Veículos eletrificados bateram um novo recorde de vendas no Brasil
Apesar de ainda distante da realidade nacional, e do bolso do brasileiro, aumenta a chegada de carros elétricos ao País. Aos poucos, cada marca anuncia seu produto porque ninguém quer ficar de fora do mercado que promete ser o futuro da mobilidade e abrir caminho para os modelos autônomos.
No Brasil, atualmente há cerca de 45 mil veículos leves eletrificados, entre híbridos (com motor a combustão e elétrico) e os 100% elétricos. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), com base no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Os pesados, caminhões e ônibus não entram nessa conta.
Em 2020, segundo a ABVE, foram vendidas quase 30 mil unidades eletrificadas, cerca de 1% do total de veículos leves emplacados no Brasil no mesmo período, 1.950.889, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A tendência é que os números cresçam nos próximos anos.
“Até 2030, entre 15% e 20% dos veículos brasileiros serão elétricos, segundo projeções da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores)”, explica o sócio-líder da EY para o setor automotivo no Brasil, Marcelo Frateschi.
De acordo com o índice, os maiores mercados estão se preparando para uma aceleração na adoção da mobilidade eletrônica, mas com vários graus de ambição e urgência. A China lidera a corrida na transição para Veículos Elétricos (EV), à frente da Suécia e da Alemanha, em segundo e terceiro lugares, respectivamente, no Índice de Prontidão do País para Veículos Elétricos, da consultoria EY.

Um forte setor de fabricação de baterias, ampla infraestrutura de carregamento e políticas governamentais ajudam a impulsionar a China para o topo do índice, que classifica os 10 principais mercados automotivos em todo o mundo e representa 75% do mercado global de veículos leves medido com base na oferta, demanda e regulamentação.
A expectativa é de que as vendas de EVs superem as de todos os outros veículos na China, Europa e Estados Unidos até 2033.
“Não se trata de uma competição, mas o índice destaca claramente que alguns mercados estão se saindo melhor do que outros. Após a COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), a descarbonização do transporte deve ser uma das principais alavancas para ajudar o mundo a enfrentar as mudanças climáticas. Se os países desejam reduzir suas emissões de carbono, os governos e a indústria precisam trabalhar juntos para enfrentar o desafio, adotando uma regulamentação sensata e facilitando cadeias de abastecimento robustas e a demanda do consumidor. O índice e as pesquisas que o sustentam podem ser usados para ajudar governos e fabricantes a avançarem mais no caminho em direção a um futuro descarbonizado”, afirma Randy Miller, líder global de Mobilidade e Manufatura Avançada da EY.
O Reino Unido está em quarto lugar no geral, mas está à frente da Suécia e da Alemanha, na terceira posição nas categorias regulatória e de prontidão para demanda. Os Estados Unidos ficam atrás dos principais mercados europeus em termos de demanda de EVs, em parte devido à falta de metas de eliminação progressiva do motor de combustão interna em todo o país e à contínua percepção do consumidor com menos poder aquisitivo em relação aos EVs. Canadá, Itália e Índia ocupam as três últimas posições do ranking.

Da redação
De janeiro a outubro de 2021, foram vendidos 27.097 veículos elétricos no Brasil, número que deve ultrapassar aos 30 mil. Trata-se de um recorde de vendas desse tipo de carro no país, um aumento de 74% em relação a 2020. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
O investimento inicial em um carro elétrico com autonomia de 300 a 350 km se aproxima dos R$ 200 mil, enquanto um veículo movido a combustível fóssil com o mesmo rendimento pode custar a partir de R$ 40 mil.
“O grande gargalo para o crescimento desse modal é o preço”.
Além do valor para o consumidor final, a popularização dos carros elétricos esbarra na infraestrutura de recarga disponível. A recarga nos eletropostos existentes atualmente ainda não é regularizada, o que significa que não é taxada como o combustível disponível nos postos convencionais.
E você? Já instalou uma tomada para carregar seu carro elétrico na sua garagem. O futuro está chegando!
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
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