DOUTRINAÇÃO IDEOLÓGICA - "TODES NÃO"
“Não aceito doutrinação ideológica e nem o uso de linguagem neutra”
A polêmica sobre aquilo que é entendido como linguagem “inclusiva” já dura há vários anos. Toda uma série de neologismos está a crescer a cada dia, associada a uma suposta autoridade moral no seu uso. Não os usar exclui, logo coloca quem não os usa do lado do mal. A ela se acrescenta uma censura crescente de termos cuja utilização num texto ou numa notícia de jornal, suscita de imediato uma fúria censória. É caso de palavras como preto, cigano, paneleiro, bicha, fufa, por aí adiante. É interessante ver que branquela não é atingido pelo opróbrio.
É verdade que muitos destes termos são insultos homofóbicos ou racistas, mas o expurgo da linguagem comum de termos ofensivos empobrece-a, como se fosse possível ter uma linguagem sanitariamente pura, coisa que é mais do domínio orwelliano, ou seja das ditaduras do que das democracias.
Em 2023, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei que institui uma política nacional de linguagem simples em órgãos públicos. Nele, foi incluída a proibição do uso de linguagem neutra. Pelo texto, “novas formas de flexão de gênero e número das palavras da língua portuguesa”, como “TODES”, não poderão ser usadas em comunicações com a população.
A linguagem neutra, também conhecida como linguagem não-binária, tem por objetivo adaptar a Língua Portuguesa com o uso de expressões que não marquem gênero (masculino e feminino) para que mais pessoas se sintam representadas ao falar e se expressar
Artigos femininos e masculinos são trocados por “x” e “e”, em alguns casos. Assim, palavras como “amigo” vira “amigue”, “namorado” torna-se “namorade”, entre outras variações. Há também o termo “elu”, usado para se referir a qualquer pessoa, independentemente do gênero.

Polêmica do “TODES” em Cuiabá
O Prefeito da Capital de todos os mato-grossenses, Abilio Jaques Brunini (PL), durante a abertura da 15ª Conferência Municipal de Saúde de Cuiabá, discutiu com a professora Maria Inês da Silva Barbosa, da Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT), por causa do uso do termo “TODES”.
Abilio Brunini, afirmou que suspenderia a palestra caso a pesquisadora, doutora em saúde pública, fizesse uma apresentação com “doutrinação ideológica”, como se referiu.
Em resposta, a professora Maria Inês da Silva Barbosa disse que se referia a “todas, todos e todes“ porque falava sobre acesso igualitário e universal ao SUS, e então se retirou da mesa.
A 15ª Conferência Municipal de Saúde de Cuiabá começou justamente com essa palestra “Consolidar o SUS: Com a Força do Povo, Participação Social e Políticas Públicas”, conduzida por Maria Inês. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que Abilio Brunini interrompe a apresentação para reclamar do uso do pronome neutro, e depois a resposta da professora.
“Durante a minha gestão, aqui em Cuiabá, não vou aceitar a manifestação de pronome neutro, não vou aceitar a doutrinação ideológica. Se a gente for fazer discussão da saúde da cidade de Cuiabá, a gente vai fazer conforme as nossas regras. Se a senhora não se sentir voluntária em fazer uma apresentação que discuta a saúde, sem doutrinação ideológica eu vou suspender a apresentação, porque não condiz com aquilo que a gente tem a intenção de apresentar“.
A pesquisadora Maria Inês disse que respeitava a forma de pensar do prefeito Abilio Brunini, mas que ela pensa de forma distinta, e que estava falando de uma política de estado, e não política de governo.
“Quando eu falo de equidade, eu tenho que considerar todos, todas e todes porque essas pessoas têm voz. Eu não tenho como falar de um acesso universal e igualitário a todas as ações de serviço de saúde, nacional, estadual ou municipal, sem me referir a todas, todos e todes porque são pessoas a serem ouvidas. LGBTQIA+ e quantas letras forem necessárias. Não sou eu nem o senhor. A sua identidade é uma, a minha é outra, a do outro é outra. Mas deixemos claro: Eu estou falando de um direito à saúde. Estou falando do acesso universal e igualitário. O acesso universal e igualitário é para todas, todos e todes“.
Ao final de sua resposta, ela se retirou da mesa.
“O senhor não se preocupe, não vai precisar me retirar da sala. Porque eu me retiro“.
Nota da Prefeitura de Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá em nota divulgada, reafirmou a proibição do “uso de linguagem neutra em eventos e espaços institucionais patrocinados pelo Poder Executivo Municipal”, por “orientação direta do prefeito Abilio Brunini“.
Diz o texto enviado à imprensa:
A determinação, “se baseia no compromisso com a preservação da norma culta da língua portuguesa e na neutralidade ideológica das ações públicas”.
Após o evento, o Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini afirmou que:
“A Conferência Municipal de Saúde é um instrumento oficial, patrocinado pelo município, que trata do planejamento de políticas públicas que impactarão a vida da população nos próximos anos. Por isso, é fundamental que esse ambiente seja conduzido com responsabilidade e isenção ideológica“.
Política
Mauro Mendes denuncia “Conluio Político” e aciona a Justiça para proteger imagem na pré-campanha de 2026
No complexo tabuleiro que antecede as eleições gerais no Brasil, o ex-governador de Mato Grosso e atual pré-candidato ao Senado da República, Mauro Mendes (UB), tornou-se o epicentro de uma contundente disputa de narrativas nos bastidores institucionais. O líder político manifestou-se publicamente por meio de um pronunciamento oficial em formato de vídeo, veiculado em suas redes digitais oficiais, denunciando a existência de uma articulação coordenada e difamatória contra sua imagem pública.
A referida manifestação atua como uma barreira de contenção contra o que a liderança considera ataques sistemáticos à sua reputação de gestor, adicionando novos elementos de tensão ao cenário pré-eleitoral mato-grossense neste período de severas movimentações partidárias.
A investida comunicacional de Mauro Mendes tem como alvo direto um suposto grupo articulado, classificado por ele como um “conluio” espúrio que reúne determinados atores da classe política e uma parcela restrita de profissionais da imprensa regional. O ex-chefe do Executivo Estadual asseverou textualmente que estes indivíduos agem em deliberada associação com o propósito de criar e propagar narrativas falsas que visam prejudicar seu desempenho eleitoral vindouro. O pré-candidato fez questão de ressaltar, contudo, que essa conduta reprovável restringe-se a uma minoria, mantendo sua profissão de fé e o respeito à maior parte dos jornalistas que atuam com responsabilidade social e seriedade informativa.
A reação intempestiva e enérgica do ex-governador estruturou-se por meio de uma manifestação gravada e distribuída diretamente aos seus milhares de seguidores, alcançando de forma imediata os principais veículos de comunicação e formadores de opinião do país. A adoção do formato digital e direto serviu para neutralizar intermediários, conferindo um tom de gravidade e pessoalidade ao desmentido oficializado pelo político em suas bases.

O conteúdo do vídeo cumpre o papel técnico de estabelecer uma linha de defesa transparente perante o eleitorado, apresentando-se como uma resposta firme e desprovida de ambiguidades em relação às especulações de bastidores.
A dinâmica dos fatos desenrola-se predominantemente nos eixos políticos de Cuiabá e Brasília, repercutindo com expressiva força nas instâncias partidárias nacionais em virtude da relevância geopolítica do Estado de Mato Grosso. O território mato-grossense, marcado pelo peso do agronegócio e por disputas de alta intensidade pelas vagas majoritárias ao Congresso Nacional, transforma-se no cenário ideal para embates que misturam disputas locais a controvérsias de âmbito federal. A localização geográfica dos ataques e a centralidade do debate demonstram que as fronteiras estaduais são permeáveis a escândalos que buscam influenciar o eleitorado de centros urbanos e do interior.
O pronunciamento oficial ocorreu imediatamente após a circulação massiva de boatos e matérias jornalísticas que vinculavam o nome do ex-governador a agendas controversas, em um momento de extrema sensibilidade para a consolidação de sua pré-candidatura. O estopim para a crise institucional foi a disseminação de relatos sobre um suposto jantar realizado na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, cuja ocorrência teria se dado no ano de 2023.
O episódio ganhou contornos graves após ser publicamente atribuído a declarações do ex-governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), o qual supostamente teria relatado o encontro informal a terceiros.
A motivação por trás da reação jurídica e política de Mauro Mendes repousa no teor do controverso jantar, no qual estaria presente o banqueiro Daniel Vorcaro, influente controlador e principal acionista do Banco Master. A associação a uma instituição financeira que tem figurado no centro de debates econômicos nacionais foi classificada pelo pré-candidato mato-grossense como uma manobra ardilosa para gerar desgastes desnecessários à sua biografia. O ex-governador identificou o movimento como uma tentativa deliberada de seus opositores de vinculá-lo a polêmicas corporativas alheias à sua atuação pública, desgastando seu capital político junto ao empresariado e à população.
O objetivo fundamental da ofensiva do ex-governador reside no restabelecimento pleno da verdade factual e na preservação de sua viabilidade eleitoral para as eleições de 2026, evitando a contaminação de suas propostas por agendas negativas. No vídeo divulgado, Mendes rechaçou de forma categórica e veemente a realização do referido encontro internacional, rotulando a notícia veiculada como “uma grande mentira” destituída de qualquer amparo documental.

Para sustentar sua argumentação defensiva, o pré-candidato trouxe a público o posicionamento do próprio governador fluminense, Cláudio Castro, que assinou uma declaração formal desmentindo a versão inicial e assegurando a inexistência do jantar.
A consolidação dessa linha defensiva ampara-se no cumprimento rigoroso dos ritos institucionais e na apresentação de provas testemunhais idôneas, aptas a desarmar o arcabouço retórico construído pelos adversários nos bastidores do poder.
Com a declaração subscrita pelo chefe do Executivo do Rio de Janeiro, a assessoria jurídica de Mauro Mendes obteve o lastro necessário para desqualificar as informações que circulavam nos meios digitais. A articulação rápida entre as lideranças partidárias dos dois estados impediu que o boato ganhasse contornos de crise duradoura, isolando os propagadores da notícia inverídica e demonstrando a fragilidade das fontes utilizadas na denúncia.
Apesar da eficácia do desmentido político e da emissão de notas de esclarecimento por parte dos envolvidos, Mauro Mendes anunciou que não limitará sua resposta ao campo estrito da retórica pública e do debate partidário. O pré-candidato assegurou textualmente que adotará medidas drásticas e severas nas esferas do Poder Judiciário, determinando que seu corpo de advogados ingresse com representações criminais e ações de reparação cível.
A judicialização do caso visa identificar e punir civil e criminalmente todos os responsáveis pela formulação e replicação da notícia, sinalizando que o grupo político do União Brasil adotará tolerância zero com a propagação de desinformação.
O desdobramento futuro deste embate aponta para um endurecimento ainda maior nas relações entre o bloco governista e os setores oposicionistas que disputam o controle das principais vagas majoritárias em Mato Grosso. O acionamento do aparato judicial pelo ex-governador estabelece um precedente importante para o processo eleitoral de 2026, transformando os tribunais em arenas decisivas para a validação das narrativas de pré-campanha.
A expectativa do núcleo político de Mauro Mendes é de que as punições financeiras e criminais sirvam como efeito pedagógico, desestimulando novos ataques e garantindo um debate programático focado nas demandas estruturais do estado.
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