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Política

AL quer que STF dê parecer favorável para deputados votarem sobre prisão de Gilmar Fabris

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT) está proibida de votar sobre a prisão do deputado estadual afastado de suas funções, Gilmar Fabris (PSD). A situação está deixando o comando do legislativo mato-grossense intrigado. Tanto que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Eduardo Botelho (PSB) confirmou ter agendado para esta semana um encontro com a ministra Carmem Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o problema e ver o legislativo liberado para a aprovação sobre a prisão do parlamentar.

A ideia, segundo o parlamentar estadual Eduardo Botelho, é buscar meios para conseguir votar a liberação do parlamentar que está preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) desde o dia 15 de setembro sob acusação de tentar abstruir a Justiça.

Estamos pedindo uma audiência com uma comissão de deputados. Queremos mostrar que a Assembleia tem tanto direito quanto o congresso nacional para votar. Não pode um desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) fazer isso e manter ele preso sem deixar que a gente julgue”, disse o deputado estadual Romualdo Junior (PMDB).

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Na decisão de prisão, o ministro Luiz Fux comunicou a Assembleia Legislativa de Mato Grosso que os deputados não poderiam votar a soltura do colega como afirmam que está previsto na Constituição Federal e também na Constituição Estadual. No despacho, Luiz Fux utilizou a Súmula 324 do Supremo Tribunal Federal, formulada a partir da “Operação Dominó”, para impedir a soltura de parlamentares do Estado de Rondônia, para enquadrar os deputados mato-grossenses.

Isso porque tanto aqui quanto no Estado vizinho, a maioria dos deputados em exercício da função, são investigados no mesmo processo. Em Mato Grosso, além de Fabris outros 16 parlamentares são suspeitos de atos de corrupção delatados pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Fabris foi preso no dia 15 de setembro, acusado de obstrução de Justiça. Ele deixou o apartamento acompanhado da esposa carregando uma pasta que poderia conter documentos minutos antes da chegada de agentes da Polícia Federal (PF) que cumpriram mandado de busca e apreensão contra o parlamentar por conta na 12ª fase da “Operação Ararath” que foi batizada de “Operação Malebolge”.

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Imagens obtidas pela Polícia Federal mostraram Gilmar Fabris saindo de casa ainda de pijama com uma pasta. Ao reconstituírem o trajeto do parlamentar, os agentes descobriram que ele repassou o conteúdo da pasta para dois advogados, um deles o seu concunhado. Ambos acabaram sendo alvo de busca e apreensão dias depois. A defesa dele nega todas as acusações.

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Política

Desdobramentos políticos e a pressão pela CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu a pressão política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A iniciativa busca investigar supostas irregularidades em contratos consignados e o pagamento de precatórios que somam R$ 308 milhões em benefício da empresa de telefonia Oi S.A.

Atualmente, o requerimento oposicionista conta com sete assinaturas, necessitando de apenas mais uma adesão para que seja realizada a leitura oficial em Plenário e iniciado o processo formal de apuração no âmbito legislativo estadual.

Quem são os envolvidos:

As investigações da Polícia Federal atingem diretamente figuras centrais do cenário político mato-grossense, incluindo o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (UB) e a gestão do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre os alvos que sofreram mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens, figuram a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, seus três filhos, além do ex-secretário de Estado Mauro Carvalho e seus familiares.

No parlamento, destacam-se as atuações dos deputados Valdir Barranco (PT), defensor da comissão; Diego Guimarães, representante da base governista; e Júlio Campos, que adota uma postura intermediária.

Quando os fatos se deram:

A deflagração das medidas ostensivas da Operação Heritage ocorreu na última quinta-feira, dia 6, deflagrando um efeito imediato nas articulações parlamentares do Estado. A intensificação dos debates sobre a criação da CPI e as manifestações públicas dos deputados estaduais ocorreram nesta quarta-feira, dia 12. O contexto temporal ganha relevância adicional por situar-se a menos de 55 dias do pleito eleitoral e próximo ao recesso do Poder Legislativo, elemento que influencia diretamente o ritmo e a viabilidade das negociações políticas na Casa de Leis.

Onde a apuração se concentra:

O foco principal das diligências e das discussões institucionais está sediado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), onde tramita a coleta de assinaturas para o requerimento. Contudo, os desdobramentos operacionais abrangem diversos endereços residenciais e comerciais no Estado onde foram cumpridos os mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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A abrangência territorial das investigações reflete a amplitude das relações financeiras e contratuais estabelecidas entre os agentes públicos, as instituições bancárias e a concessionária de telefonia.

Por que a operação foi deflagrada:

A atuação do Poder Judiciário e dos órgãos federais de fiscalização decorre da necessidade de averiguar indícios de favorecimento financeiro e desvio de recursos públicos do erário estadual. A suspeita central recai sobre a homologação de um acordo extraordinário firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A., além de possíveis fraudes na gestão de contratos de empréstimos consignados.

A gravidade das denúncias e o expressivo montante financeiro envolvido fundamentaram a expedição das ordens de busca, apreensão e bloqueio de bens pela Suprema Corte.

Como os mandados foram executados:

As ações policiais foram executadas de forma simultânea por equipes da Polícia Federal, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão direcionados aos alvos da investigação. Paralelamente às buscas físicas, determinou-se o bloqueio patrimonial e bancário de 61 pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas ao esquema.

A coleta de documentos, mídias digitais e eventuais provas materiais visa instruir o inquérito policial e subsidiar as análises técnicas referentes às movimentações de capitais realizadas entre os envolvidos.

Quais os argumentos da oposição:

A bancada oposicionista, liderada publicamente pelo deputado Valdir Barranco, classifica a conduta anterior da Casa de Leis como uma omissão perante denúncias que já circulavam informalmente no parlamento. Para os parlamentares de oposição, a intervenção da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal expõe a necessidade premente de a Assembleia Legislativa Mato-grossense cumprir o seu papel fiscalizador.

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O grupo argumenta que os deputados têm o dever de assinar a lista, considerando constrangedora a inércia legislativa diante de indícios consolidados de irregularidades na gestão pública.

Qual a defesa apresentada pela base governista:

Por sua vez, a base de sustentação do Palácio Paiaguás, representada pelo deputado Diego Guimarães, defende prudência e questiona o momento escolhido para a mobilização da comissão. Os parlamentares governistas argumentam que a proximidade do período eleitoral pode desviar o foco de uma apuração técnica e rigorosa, transformando a CPI em um instrumento de exploração política.

Segundo essa perspectiva, a iniciativa arrisca converter-se em um factoide destinado a expor os gestores públicos e a favorecer os adversários do governo na disputa eleitoral vindoura.

Qual a postura da posição intermediária:

Posicionado de forma neutra em relação aos blocos, o deputado Júlio Campos ratificou o avanço na captação de adesões ao requerimento, mas manifestou ceticismo quanto à utilidade prática do colegiado no momento atual. O parlamentar ressaltou que a execução de mandados judiciais pela Polícia Federal pressupõe a existência de estudos aprofundados e quebras de sigilo consolidadas no inquérito principal.

Contudo, apesar de ressaltar a redundância da medida ante a atuação federal, assegurou que participará ativamente dos trabalhos caso a comissão seja efetivamente instalada.

Quais os desdobramentos futuros:

O cenário político de Mato Grosso permanece em suspenso, condicionado à obtenção da oitava assinatura necessária para a formalização do pedido de CPI na Mesa Diretora. Caso o quórum mínimo seja alcançado e a leitura efetuada em Plenário, caberá aos blocos partidários a indicação dos membros que comporão o colegiado investigativo.

A evolução do caso dependerá tanto da tramitação do inquérito sob sigilo no Supremo Tribunal Federal quanto da capacidade de articulação entre os parlamentares para viabilizar os trabalhos da comissão antes do recesso.

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