FISCALIZAR DENUNCIA E IRREGULARIDADES
AL/MT instala “CPI da Saúde” após impasse e define etapa decisiva para condução dos trabalhos
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), oficializou, na madrugada desta terça-feira (3), a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), destinada a apurar eventuais irregularidades na área da Saúde Pública Estadual. A abertura ocorreu após sucessivos impasses políticos e somente foi viabilizada com a indicação do representante da base governista, condição necessária para a composição formal do colegiado.
O que está em curso é a chamada “CPI da Saúde“, instrumento constitucional de investigação parlamentar com poderes próprios das autoridades judiciais. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) terá a atribuição de examinar contratos, repasses, execução orçamentária e possíveis falhas administrativas no âmbito da gestão da Saúde, delimitando responsabilidades e propondo eventuais encaminhamentos ao Ministério Público e a outros órgãos de controle.
A iniciativa foi formalmente concretizada após a base de sustentação do governador Mauro Mendes (UB), indicar, já na madrugada, o parlamentar que faltava para completar a formação do grupo. Até então, a ausência dessa indicação impedia a instalação da Comissão Parlamentar, gerando críticas da oposição e pressão de segmentos da sociedade civil.
A definição ocorreu na sede do Parlamento Estadual, em Cuiabá, onde serão realizadas as reuniões ordinárias e extraordinárias do colegiado. O ambiente político, marcado por divergências entre governo e oposição, tende a influenciar o ritmo e o alcance das investigações, sobretudo em razão da composição majoritária da comissão.

Quando os trabalhos efetivos terão início dependerá da realização da primeira reunião oficial, convocada para os próximos dias. Nesse encontro inaugural, os membros deverão eleger o presidente e, principalmente, o relator, figura central na condução técnica dos procedimentos investigatórios.
Quem compõe a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) também é fator relevante. Dos cinco integrantes titulares, três pertencem à base governista, o que pode impactar a definição de prioridades, a aprovação de requerimentos e a convocação de testemunhas. A oposição, por sua vez, afirma que atuará para assegurar transparência e rigor na apuração dos fatos.
Conforme o Ato nº 009/2026, o deputado Wilson Santos (PSD) foi escolhido para presidir a comissão. Os membros titulares são os deputados Dilmar Dal Bosco (UB), Beto Dois a Um (PSB), Chico Guarnieri (PRD) e Janaina Riva (MDB). Na suplência, foram designados Lúdio Cabral (PT), Paulo Araújo (PP), Carlos Avallone (PSDB), Dr. Eugênio (PSB) e Thiago Silva (MDB).
Por que a escolha do relator é considerada estratégica? Cabe a esse parlamentar elaborar o plano de trabalho, analisar documentos, sistematizar depoimentos e redigir o relatório final, que poderá sugerir indiciamentos ou o arquivamento das apurações. A condução do relator pode conferir maior celeridade ou impor ritmo mais moderado às investigações.
Como funcionará a CPI? O colegiado poderá requisitar informações de órgãos públicos, convocar gestores, ouvir especialistas e determinar a realização de auditorias técnicas. As decisões dependerão de votação interna, respeitando o regimento da Assembleia e os limites constitucionais que regem as comissões parlamentares de inquérito.

Quanto tempo durará a investigação ainda será definido em ato próprio, podendo haver prorrogação mediante deliberação do plenário. O prazo inicial costuma ser fixado em requerimento específico, no qual se estabelecem também os fatos determinados que serão objeto de apuração.
A expectativa, portanto, concentra-se na primeira reunião e na definição do relator, etapa que sinalizará o grau de autonomia e profundidade da “CPI da Saúde“. O desfecho dos trabalhos poderá repercutir não apenas na gestão administrativa, mas também no cenário político estadual, a depender das conclusões que vierem a ser apresentadas ao término das investigações.
CPI da politicagem
O chefe do Executivo Estadual chamou de politicagem a instalação da “CPI da Saúde“. A medida foi proposta pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), para investigar supostas irregularidades em contratos firmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) entre 2019 e 2023. As críticas são porque as assinaturas dos deputados foram feitas em 2023.

Vários parlamentares pediram para ter as assinaturas retiradas, alegando que a pauta perdeu o objeto, mas a procuradoria da Assembleia Legislativa recusou reconhecendo a validade.
“É manobra política e eu lamento que nesse momento com tanta coisa séria para fazer temos que perder tempo com isso. Quer investigar, pode investigar, mas não investigar aquilo que a polícia já investigou, que o Ministério Público já investigou e já processou. Então isso trata com certa clareza que é um movimento político de algumas pessoas dentro da Assembleia Legislativa”, criticou Mauro.
Política
A complexidade e os impasses na formação de chapas do MDB em Mato Grosso
As articulações políticas que antecedem o período eleitoral costumam revelar a complexidade das negociações partidárias no cenário mato-grossense. Em um contexto de intensas disputas por espaço e representatividade profissional, os bastidores dos partidos transformam-se em arenas decisivas para a definição das candidaturas que disputarão o voto popular nas urnas.
Essas negociações eleitorais ocorrem predominantemente na sede estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Mato Grosso, bem como em reuniões estratégicas conduzidas por lideranças regionais. O ambiente interno da agremiação tornou-se o centro das atenções à medida que os prazos regimentais e as convenções se aproximavam.
As movimentações mais recentes intensificaram-se ao longo dos últimos meses de definições partidárias, período em que as siglas precisaram consolidar suas nominatas oficiais. O calendário eleitoral impôs um ritmo acelerado para a construção de consensos e para a viabilização das chapas proporcionais no estado.
A ex-prefeita da cidade de Sinop, Rosana Martinelli, figura central nesse processo, buscava consolidar sua candidatura à Câmara dos Deputados. Contudo, a decisão estratégica da Diretoria Partidária de não lançar candidatos ao cargo de deputado federal acabou por inviabilizar suas pretensões eleitorais para a disputa deste ano.
A reviravolta na trajetória política da ex-gestora ocorreu porque o MDB estadual enfrentou severas dificuldades na formação de um grupo competitivo para a disputa proporcional. Diante das desistências de nomes estratégicos e da ausência de consenso interno, a sigla optou por priorizar outras frentes de atuação regional.
A condução das negociações deu-se por meio de reuniões diretas lideradas pela presidente estadual do partido, a deputada estadual Janaina Riva. Segundo avaliações do próprio grupo político, a coordenação do processo demandou habilidade para gerenciar divergências e conciliar os interesses individuais e coletivos das lideranças envolvidas.
Diversos fatores conjunturais motivaram o desfecho desfavorável às pretensões de Rosana Martinelli, incluindo a desistência de potenciais pré-candidatos que priorizaram projetos pessoais. Além disso, a inviabilização de outras candidaturas regionais, como a da vice-prefeita Coronel Vânia à Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), evidenciou a fragilidade da base aliada.
Diante do cenário de frustração das candidaturas regionais, a ex-prefeita de Sinop adotou uma postura pragmática ao declarar a ausência de mágoas e ao reconhecer a complexidade do amadurecimento político institucional. A líder reafirmou a disposição de colaborar ativamente com projetos de aliados estratégicos na esfera estadual.
Os desdobramentos operacionais dessa reorganização partidária refletem-se no apoio declarado de Rosana Martinelli à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta ao Governo do Estado. Simultaneamente, a ex-gestora confirmou sustentação à postulação de Janaina Riva ao Senado Federal, demonstrando alinhamento com a estrutura governista.
Por fim, o futuro político da ex-prefeita permanece em aberto, dependendo de futuras deliberações pessoais e do quadro de coligações que se desenhará nos próximos ciclos. A trajetória recente evidencia que as alianças partidárias dependem da constante repactuação de interesses em um cenário dinâmico e em permanente transformação.
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