"SEM JOGO DE CINTURA POLÍTICA"
A complexidade e os impasses na formação de chapas do MDB em Mato Grosso
As articulações políticas que antecedem o período eleitoral costumam revelar a complexidade das negociações partidárias no cenário mato-grossense. Em um contexto de intensas disputas por espaço e representatividade profissional, os bastidores dos partidos transformam-se em arenas decisivas para a definição das candidaturas que disputarão o voto popular nas urnas.
Essas negociações eleitorais ocorrem predominantemente na sede estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Mato Grosso, bem como em reuniões estratégicas conduzidas por lideranças regionais. O ambiente interno da agremiação tornou-se o centro das atenções à medida que os prazos regimentais e as convenções se aproximavam.
As movimentações mais recentes intensificaram-se ao longo dos últimos meses de definições partidárias, período em que as siglas precisaram consolidar suas nominatas oficiais. O calendário eleitoral impôs um ritmo acelerado para a construção de consensos e para a viabilização das chapas proporcionais no estado.
A ex-prefeita da cidade de Sinop, Rosana Martinelli, figura central nesse processo, buscava consolidar sua candidatura à Câmara dos Deputados. Contudo, a decisão estratégica da Diretoria Partidária de não lançar candidatos ao cargo de deputado federal acabou por inviabilizar suas pretensões eleitorais para a disputa deste ano.
A reviravolta na trajetória política da ex-gestora ocorreu porque o MDB estadual enfrentou severas dificuldades na formação de um grupo competitivo para a disputa proporcional. Diante das desistências de nomes estratégicos e da ausência de consenso interno, a sigla optou por priorizar outras frentes de atuação regional.
A condução das negociações deu-se por meio de reuniões diretas lideradas pela presidente estadual do partido, a deputada estadual Janaina Riva. Segundo avaliações do próprio grupo político, a coordenação do processo demandou habilidade para gerenciar divergências e conciliar os interesses individuais e coletivos das lideranças envolvidas.
Diversos fatores conjunturais motivaram o desfecho desfavorável às pretensões de Rosana Martinelli, incluindo a desistência de potenciais pré-candidatos que priorizaram projetos pessoais. Além disso, a inviabilização de outras candidaturas regionais, como a da vice-prefeita Coronel Vânia à Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), evidenciou a fragilidade da base aliada.
Diante do cenário de frustração das candidaturas regionais, a ex-prefeita de Sinop adotou uma postura pragmática ao declarar a ausência de mágoas e ao reconhecer a complexidade do amadurecimento político institucional. A líder reafirmou a disposição de colaborar ativamente com projetos de aliados estratégicos na esfera estadual.
Os desdobramentos operacionais dessa reorganização partidária refletem-se no apoio declarado de Rosana Martinelli à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta ao Governo do Estado. Simultaneamente, a ex-gestora confirmou sustentação à postulação de Janaina Riva ao Senado Federal, demonstrando alinhamento com a estrutura governista.
Por fim, o futuro político da ex-prefeita permanece em aberto, dependendo de futuras deliberações pessoais e do quadro de coligações que se desenhará nos próximos ciclos. A trajetória recente evidencia que as alianças partidárias dependem da constante repactuação de interesses em um cenário dinâmico e em permanente transformação.
Política
Justiça mantém “Quórum Qualificado” na Câmara de Cuiabá e impõe obstáculo político ao Executivo
O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), manteve integralmente a exigência de quórum qualificado de dois terços para alterações no Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá. A decisão judicial indeferiu o pedido liminar proposto pelo prefeito cuiabano Abilio Brunini, representando um significativo revés nas articulações governistas que visavam facilitar a aprovação de matérias legislativas e viabilizar contornamentos regimentais na capital mato-grossense, consolidando temporariamente a estabilidade das normas vigentes na Casa de Leis Municipal.
A controvérsia jurídica e política desenrola-se no âmbito do Poder Judiciário mato-grossense, tendo como palco principal o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede da Câmara Municipal de Cuiabá. O conflito institucional envolve diretamente o Poder Executivo Municipal, a Mesa Diretora do Legislativo e o plenário composto por vinte e sete vereadores, cujas deliberações passam a ser fortemente impactadas pelo rigor procedimental mantido pela magistratura estadual.
A manifestação jurisdicional ocorreu recentemente, consolidando o entendimento do Tribunal Relator durante o andamento do processo legislativo relativo ao período correntio. A manutenção da regra regimental vigora de imediato no cenário político de 2026, momento estratégico em que os parlamentares cuiabanos debatem a sucessão e a composição do comando da Mesa Diretora para a sequência dos trabalhos da atual legislatura.
O questionamento judicial fundamentou-se em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) impetrada pela Procuradoria-Geral do Município a mando do prefeito cuiabano Abilio Brunini (PL). O Executivo Municipal argumentou que a exigência de dezoito votos para a alteração das normas internas violaria os princípios das Constituições Federal e Estadual, que estabelecem a maioria simples como regra geral para deliberações ordinárias no âmbito dos parlamentos.

A relatora da matéria no Tribunal de Justiça, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, fundamentou o indeferimento da tutela de urgência na ausência do requisito de perigo da demora. A magistrada ressaltou expressamente que a norma regimental questionada vigora há cerca de uma década sem contestação anterior pela municipalidade, enfatizando que divergências sobre a organização interna do Legislativo não justificam a intervenção imediata e monocrática do Judiciário.
A manutenção da exigência do quórum de dois terços impactou diretamente os projetos de reeleição da vereadora Paula Calil na presidência da Câmara de Cuiabá. A norma preservada estabelece um obstáculo matemático expressivo para a tramitação do Projeto de Resolução número 31173/2026, proposição elaborada com o objetivo de alterar a redação regimental e permitir a recondução da parlamentar ao mesmo cargo diretivo dentro de uma mesma legislatura.
Em reação oficial ao pronunciamento da Justiça, a presidente Paula Calil afirmou receber o entendimento do tribunal com absoluta tranquilidade e respeito institucional. A parlamentar declarou que manterá a sua pré-candidatura respaldada pelo grupo político aliado, indicando que as estratégias do bloco serão readequadas para buscar a construção do consenso necessário mediante o diálogo direto com os demais vereadores da Casa de Leis.
A consequência imediata do pronunciamento jurisdicional é a manutenção integral do artigo 177 do Regimento Interno, exigindo-se a adesão contundente de dezoito parlamentares para qualquer modificação regimental. O desdobramento político força o grupo governista e a base da presidência a intensificarem as negociações em plenário, inviabilizando manobras céleres sem o amplo respaldo da maioria qualificada dos membros do parlamento cuiabano.
A relevância institucional da controvérsia reside na preservação da separação e independência entre os Poderes constitucionais e no respeito às autonomias regimentais do Legislativo. Ao negar a liminar pleiteada pelo Executivo, a Corte Estadual evitou a interferência prematura em assuntos interna corporis, garantindo que as regras do jogo democrático local não sejam alteradas sumariamente sem a devida maturidade do debate processual.
Por fim, o encerramento do litígio aguarda a análise definitiva pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que julgará o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). O desfecho da causa dependerá das manifestações formais da Câmara Municipal e da Procuradoria-Geral de Justiça, enquanto a cena política municipal permanece condicionada ao cumprimento rigoroso dos requisitos regimentais e ao avanço das negociações entre as bancadas.
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