BUSCAR ACORDO EM 2 MESES
STF decidiu enviar para conciliação judicial a discussão sobre a construção da Ferrogrão
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta última quarta-feira (31/5) o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), para que o caso da construção da Ferrogrão busque um acordo judicial em dois meses. Moraes também ordenou a retomada dos estudos técnicos sobre a ferrovia, que só passarão para a etapa de obras com decisão do Supremo.
Na decisão, Moraes, relator do caso, citou um parecer do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Advocacia-Geral da União (AGU) na última semana. Esse documento dizia que a construção da Ferrogrão faria o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, perder 0,054% da área original.
A questão da Ferrogrão, pela decisão, será avaliada pelo Centro de Soluções Alternativas de Litígios do próprio Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo despacho,o ministro Alexandre Moraes manteve sua decisão, que suspendeu, em março de 2021, a Lei nº 13.452/2017. A norma alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim para permitir a construção da ferrovia.

O ICMBio diz que Parque nacional perderia 0,054% da área com Ferrogrão
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) afirmou que a construção da Ferrogrão faria o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, perder 0,054% da área original. O parecer técnico foi enviado na semana passada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que julgará o tema nesta quarta-feira (31/5).
O documento do ICMBio foi citado pela Advocacia-Geral da União (AGU), que apontou inconstitucionalidades na medida provisória que reduziu a unidade de conservação em prol da ferrovia. A AGU também pediu a liberação dos estudos técnicos para tratar das compensações ambientais.
Mendes defende liberação da ferrovia
Nesta semana, o governador Mauro Mendes Ferreira (UB), que esteve em Brasília defendendo junto a vários ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Governo Federal a liberação da ferrovia, comemorou a decisão.
“Essa decisão representa uma vitória para Mato Grosso, para os mato-grossenses e para o meio ambiente. A Ferrogrão poderá ser um marco na logística e desenvolvimento do nosso estado e agora teremos a oportunidade de mostrar que é um modal viável e que vai reduzir o impacto ambiental das rodovias no escoamento da produção“, afirmou.
O projeto da Ferrogrão prevê cerca de 1.000 km de trilhos, com investimento na casa de R$ 20 bilhões.
A ferrovia faria o escoamento dos grãos de Mato Grosso pelo trecho conhecido como Arco Norte, na Amazônia, indo de Sinop (MT) a Miritituba (PA).
Conforme a decisão do ministro Alexandre de Moraes, os estudos e processos administrativos da Ferrogrão que tramitam no Tribunal de Contas da União (TCU), na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e no Ministério dos Transportes poderão ser retomados, “condicionando-se qualquer execução à autorização judicial desta CORTE, para nova análise de todas as condicionantes legais, em especial as sócio-ambientais“.
O magistrado também encaminhou o caso para uma possível solução via conciliação judicial.

O caso chegou ao Supremo por meio de uma ação protocolada pelo PSOL, que questionou o descumprimento de medidas ambientais.
Na semana passada, a Advocacia-Geral da União (AGU) enviou um parecer ao Supremo no qual mudou seu posicionamento e passou a defender a inconstitucionalidade da lei. No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o órgão foi favorável à lei.
A construção da Ferrogrão é articulada desde o governo do ex-presidente Michel Temer. São esperados investimentos de R$ 8,4 bilhões no projeto de concessão. Com 933 quilômetros de extensão, o projeto da ferrovia pretende resolver problemas de escoamento da produção agrícola do Mato Grosso para o norte do país.
Consequências de obras na região da Terra Indígena
Obras ligadas à Ferrogrão (ferrovia planejada para os Estados do Mato Grosso e Pará) podem transformar uma estrada de terra no meio de duas Terras Indígenas em uma das principais rotas regionais de caminhões de soja do Mato Grosso. É o que mostra o novo estudo do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG que calculou as consequências de obras na região da Terra Indígena Capoto-Jarina e do Território Indígena do Xingu ligadas à ferrovia.
O estudo analisou as consequências de obras relacionadas à ferrovia: um terminal de grãos em Matupá (MT), onde ocorrerá o carregamento do trem com a soja, e o asfaltamento e substituição de uma balsa por uma ponte na MT-322, uma estrada de terra que cruza o Xingu.
O que o novo estudo reforça é que os impactos gerados pela obra que incluem o aumento da contaminação por agrotóxicos e do desmatamento se estendem por uma dimensão muito maior do que os previstos pelo governo, de 10 km para cada lado do trajeto. As obras podem impulsionar, inclusive, a interrupção da conectividade do corredor ecológico do Xingu, 26 milhões de hectares de florestas protegidas cuja divisão poderia causar perdas irreparáveis para o clima global.
“Por mais que na definição do planejamento tenha 10 km de zona de influência, esse empreendimento terá impacto muito além desse limite”, afirma Ewésh Yawalapiti Waurá, Consultor Jurídico da Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX).
“Um estudo anterior mostra que a Ferrogrão vai afetar 16 terras indígenas. Por isso que é importante a consulta de todos os povos indígenas que serão afetados, é um instrumento pelo qual os povos indígenas terão uma participação efetiva. Isso tem que ser feito de boa fé”, explica ele.
O direito à Consulta Livre, Prévia e Informada dos povos indígenas é previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). (Leia aqui o Protocolo de Consulta dos Povos do Território Indígena do Xingu).

Desde o anúncio do projeto, povos indígenas do Xingu e do Tapajós requerem o cumprimento de seu direito de Consulta Livre, Prévia e Informada sobre o empreendimento, ainda na etapa de planejamento. Os estudos de viabilidade econômica, técnica e ambiental identificaram impactos potenciais a 16 Terras Indígenas dos povos Munduruku, Panará, Kayapó e no Território Indígena do Xingu.
No entanto, o poder público reconhece apenas as terras indígenas Praia do Índio e Praia do Mangue, ambas em Itaituba/PA, enquanto impactadas e afirma que apenas essas deverão ser consultadas sobre o projeto, já durante a etapa de licenciamento ambiental.
ECONOMIA
Com previsão orçamentaria de R$ 42,1 bilhões, ALMT limpa pauta antes do recesso parlamentar
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) converteu a sua última sessão ordinária do primeiro semestre em uma intensa força-tarefa voltada à deliberação de pautas estruturantes para a administração pública. Reunidos em plenário antes da suspensão temporária das atividades regimentais, os deputados estaduais aprovaram, em primeira votação, o Projeto de Lei nº 692/2026, que institui a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) voltada ao exercício financeiro de 2027. O texto base estabelece as metas prioritárias e os parâmetros da política fiscal para o próximo ano, projetando uma receita total estimada em R$ 42,1 bilhões e prevendo um reajuste salarial correspondente a 4,2% por meio da Revisão Geral Anual (RGA) concedida aos servidores públicos estaduais.
Os deputados estaduais da atual legislatura figuraram como os protagonistas da maciça deliberação ocorrida no parlamento mato-grossense, atuando de maneira unificada para evitar o acúmulo de matérias pendentes. Sob a coordenação da mesa diretora e com a participação ativa das bancadas governista e de oposição, os parlamentares analisaram dezenas de proposições enviadas pelos Poderes Executivo e Judiciário, além de demandas submetidas pelas próprias comissões internas. O esforço concentrado mobilizou líderes partidários que buscaram construir consensos mínimos em torno de temas complexos, garantindo a governabilidade e a continuidade dos serviços essenciais prestados à população do estado.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o Poder Executivo Estadual também integraram o rol de instituições proponentes que pautaram os trabalhos legislativos daquela jornada. O Judiciário obteve a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 53/2026, que altera de modo direto a composição do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do Estado, visando conferir maior dinamismo aos atos administrativos daquela corte. Paralelamente, o governador do estado, por meio do envio de mensagens e projetos específicos como o de alienação imobiliária para entidades de classe, consolidou a agenda econômica governamental e os parâmetros de investimentos que moldarão as ações sociais e de infraestrutura regionais nos próximos anos.

As deliberações ocorreram no Palácio Paschoal Moreira Cabral, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, localizado no Centro Político Administrativo da capital, Cuiabá. O espaço físico das comissões técnicas e o plenário principal concentraram os debates calorosos e as votações nominais que selaram o destino de quarenta e seis matérias distintas, incluindo requerimentos, indicações e decretos.
A centralização das atividades na capital permitiu o acompanhamento direto por parte de representantes sindicais de servidores e lideranças municipais interessadas no desfecho de plebiscitos territoriais que afetarão diretamente os limites geográficos e as receitas tributárias de importantes comunas do interior.
A maratona de votações estendeu-se ao longo de três sessões ordinárias consecutivas realizadas na semana que antecedeu o recesso parlamentar do mês de julho, culminando com o encerramento formal dos trabalhos do primeiro semestre. A fixação temporal desse esforço concentrado atendeu a uma exigência constitucional implícita, que vincula a interrupção dos trabalhos do parlamento à votação inicial das diretrizes que regerão as finanças públicas do ciclo subsequente. Com o encerramento desta etapa e a aprovação das matérias prioritárias, a Mesa Diretora estabeleceu o dia 12 de agosto como a data oficial para a retomada das sessões ordinárias regulares e dos debates em plenário.
O processo de votação desenvolveu-se por meio do rito legislativo ordinário, exigindo a leitura prévia dos pareceres das comissões de mérito e a posterior colheita de votos dos parlamentares em dois turnos previstos para matérias de natureza orçamentária. No caso específico da LDO, a aprovação em primeiro turno decorreu de intensas negociações políticas voltadas a assegurar o teto de gastos e as metas de superávit primário demandadas pela Secretaria de Fazenda.
A metodologia de tramitação incluiu ainda a abertura de prazos para a apresentação de emendas parlamentares modificativas e o pedido formal de vista que suspendeu temporariamente o andamento do projeto referente a parcerias do Detran-MT.
A urgência e a complexidade técnica justificaram a mobilização extraordinária dos deputados porque a LDO atua como o alicerce jurídico indispensável para a posterior elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), vinculando o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública. A necessidade de fixar diretrizes rígidas decorre da busca permanente pelo equilíbrio fiscal e pela sustentabilidade das contas públicas, fatores considerados essenciais pelo Executivo para manter a capacidade de investimento do estado. O planejamento técnico minucioso visa blindar o tesouro estadual contra oscilações econômicas bruscas e assegurar que os reajustes previstos não infrinjam as vedações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal brasileira.
A aprovação inicial da LDO e de outros projetos de impacto social gerou um ambiente de otimismo entre os gestores da administração pública, os quais enxergam a sinalização de um cenário financeiro previsível e equilibrado para Mato Grosso. O anúncio formal da RGA de 4,2% minimiza potenciais conflitos com as categorias do funcionalismo público, permitindo que o estado avance no planejamento de novos concursos e na atração de investimentos privados de grande porte. A estabilidade institucional demonstrada pela ALMT ao cumprir rigorosamente o cronograma de votações reforça a segurança jurídica da unidade federativa perante os órgãos de fiscalização nacional e agências de classificação de risco.

Os reflexos diretos dessas aprovações alcançarão as diversas microrregiões do estado, materializando-se em investimentos voltados à revitalização do Centro Histórico de Cuiabá e no fortalecimento das cadeias produtivas locais por meio de parcerias institucionais. O aval legislativo concedido aos decretos que autorizam a realização de plebiscitos territoriais modificará a configuração política de Primavera do Leste, Poxoréu, Cotriguaçu e Colniza, permitindo que os próprios munícipes decidam sobre seus destinos geográficos. A alienação autorizada de imóvel público para a Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) potencializará as ações de fomento ao Agronegócio, setor que constitui a base motriz da economia mato-grossense.
O encerramento do semestre legislativo deixa pendente para o mês de agosto a segunda votação e a redação final do arcabouço orçamentário, período em que o texto original receberá as emendas propostas pelos deputados para o aperfeiçoamento da peça. A manutenção da responsabilidade fiscal continuará a capitanear as discussões no plenário, exigindo dos parlamentares um monitoramento constante sobre as projeções de arrecadação e os limites de despesas com pessoal.
A sociedade mato-grossense aguardará o desfecho das discussões no segundo semestre, ciente de que as decisões tomadas pela Casa de Leis ditarão o ritmo do desenvolvimento socioeconômico e a qualidade dos serviços públicos ofertados ao cidadão.
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