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ECONOMIA PÓS-COVID

Brasil precisa estimular indústria hospitalar e produção científica

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Organização debate agenda positiva para guiar negócios em meio aos impactos da “Pandemia”

A Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional (Aspen), articulada pelo Instituto Besc junto a players nacionais, pretende propor ao governo federal a adoção de medidas que estimulem a indústria hospitalar no Brasil. O indicativo é um dos destaques de encontro online promovido pela organização não-governamental, com a participação de executivos de diversos segmentos econômicos.

Painelistas ligados às áreas de saúde, aviação, logística, indústria, ciência e tecnologia expuseram análises sobre cenários da atualidade mundial e perspectivas para o Brasil no pós-coronavírus em nova edição da Aspen. Em comum, a preocupação de diferentes setores de negócios em gerenciar, da forma mais hábil possível em meio à pandemia, os impactos da Covid-19.

Para Danilo Dias, CEO da A2Z Consulting e sloan fellow do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), o novo Coronavírus traz também ao Brasil a oportunidade de reduzir a dependência de importação de produtos da China, caso adote uma política consistente de estímulo a uma nova onda de industrialização. Para o especialista, trata-se de uma necessária reconfiguração da cadeia de fornecimentos.

O alerta é endossado pelo médico Luís Fernando Correia, correspondente internacional em saúde da CBN-GloboNews e medical chief officer da Copa do Mundo de 2014. Com mais de 30 anos de atuação na Medicina, ele relata que indústrias brasileiras de equipamentos hospitalares, incluindo de respiradores, tão necessários neste momento, foram suplantadas no Brasil pela entrada de multinacionais no mercado nacional. O quadro se estende para serviços de tecnologia de informação, como o desenvolvimento de softwares de gestão hospitalar.

O Brasil é o maior complexo de saúde da América Latina, impulsionado, sobretudo, pela indústria farmacêutica. Mas há um gargalo enorme, que está na dependência de fornecimentos externos, a exemplo, respiradores. O Brasil há algum tempo tenta discutir esse complexo industrial da saúde, ao menos crescer um pouco. O que ficou muito claro com a crise do “Coronavírus“: estamos numa dependência muito alta e uma burocracia de importação muito grande, assim como uma regulação de pesquisa altíssima“.

Correia defende que o caminho para a cooperação científica entre nações precisa dar novos passos de flexibilização, sob pena de que o Brasil, 11º país no ranking de pesquisas científicas, amargue um hiato ainda maior ante outro ranking, o de inovação, onde a colocação atual é de 47º lugar.

Parcerias público-privadas ajudaram, mas há muito a fazer. Até 10 anos atrás, para aprovar a participação numa pesquisa clínica internacional, tinha que constituir um centro de pesquisa, com toda uma estrutura de pesquisadores, analistas, ter um conselho participativo, encaminhar isso em projeto para Brasília e o Conep (Conselho Nacional de Saúde) fazia tudo de novo. Apesar de termos avançado, ainda perdemos, em muito, em participação. O que isso significa? Pesquisamos muito, patenteamos pouco“.

O representante da área da saúde também lembra que a injeção de investimentos na saúde suplementar brasileira precisa estar acompanhada, invariavelmente, de uma escalada nos investimentos públicos no setor.

Com a pandemia, o que vimos é que, apesar de todo esse mercado aparentemente forte, com muito dinheiro, estamos dependendo do SUS para salvar vidas. Isso nos mostra que se não soubermos trabalhar as duas coisas de forma harmônica (mercado privado e sistema público de saúde), de nada adianta“.

CEO da Convergência Latina e executivo com ampla experiência em companhias como Shell e Exxon, Alexandre Donato defende que é necessário investimento robusto e focado para impulsionar o desenvolvimento científico no Brasil como um todo, que culmine em franca expansão industrial e mercadológica. O painelista cita como case de sucesso Israel, onde, apesar da pequena extensão territorial, há intensa produção científica, com forte planejamento estatal.

Há vinte anos, quando estive lá, cada universidade em Israel já detinha sua incubadora para estímulo à produção científica. Não por acaso, eles têm, salvo engano, o maior índice de phD per capita e o mercado deles é Estados Unidos e Europa. Minha opinião: há alguns anos não temos política industrial e política de ciência e tecnologia. O que temos são programas. E o gap é bizarro. Não adianta nos iludirmos“, assevera o executivo.

Aviação

No setor de aviação, a queda é vertiginosa, com uma dramática redução na movimentação de passageiros, da ordem de 75%. Para o advogado Ricardo Fenelon, mestre em Direito pela Georgetown University e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Aeronáutico, somente medidas intervencionistas de apoio às companhias aéreas poderão salvar empresas e empregos.

Governos vão precisar intervir não pra salvar a companhia A, B ou C, mas pra evitar um colapso. Os governos estão atentos a isso. O setor será essencial para a retomada da economia mundial. No Brasil, o mercado de voos domésticos só não parou, só não tivemos um shutdown, porque governo, Anac e companhias aéreas fizeram um acordo. Quem diria que isso iria acontecer? Na Europa, para termos um paralelo, a companhia que mais transportou passageiros em 2019 (150 milhões de pessoas) está parada, com suas mais de 450 aeronaves no chão“.

Ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Fenelon sentencia que o cenário da aviação hoje é de “terra arrasada”.

Sem dúvida alguma, o setor está vivendo a maior crise de sua história. As previsões de prejuízo originalmente divulgadas foram de US$ 30 bilhões. Um mês depois, de US$ 100 bilhões e agora, mais recentemente, de mais de US$ 200 bilhões. Sinceramente, não sabemos qual o real impacto da “Covid-19“.

Sobre o Instituto Besc

Entendendo os desafios enfrentados pelo Brasil na busca por desenvolvimento socioeconômico sustentável, o Instituto Besc de Humanidades e Economia foi fundado em 2009 e concebe e fomenta projetos para a promoção do crescimento econômico brasileiro em sintonia com aspectos ambientais e sociais. Saiba mais sobre o instituto e agenda de encontros da Aspen por meio dos perfis do Instituto Besc de Humanidades e Economia nas redes sociais, via LinkedIn e Facebook.

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ECONOMIA

Europa supera China e paga até 40% mais pela carne bovina produzida em MT

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Embora a China continue como principal compradora da carne bovina produzida em Mato Grosso, são os mercados europeus que oferecem a maior remuneração pelo produto do Estado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, no primeiro semestre de 2026, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada de carne bovina mato-grossense, enquanto os demais países europeus desembolsaram US$ 6.667 por tonelada. Os valores superam em até 40% o preço médio pago pela China, de US$ 4.745 por tonelada.

A diferença evidencia uma estratégia cada vez mais importante para a pecuária de Mato Grosso: além de ampliar mercados, conquistar destinos que remuneram melhor a carne produzida. Embora a China tenha absorvido 55,2% dos embarques mato-grossenses no primeiro semestre, os mercados europeus se destacam pelo maior valor agregado dos produtos exportados e pelas exigências relacionadas à qualidade e rastreabilidade.

Esse cenário também é refletido no Índice de Atratividade das Exportações, indicador elaborado pelo Imea que compara quanto cada mercado remunera a carne bovina em relação ao valor da arroba do boi gordo em Mato Grosso. Na prática, o índice mede a capacidade de cada destino gerar retorno econômico para a cadeia produtiva: quanto maior o índice, maior é o valor agregado obtido na exportação.

Nesse ranking, a União Europeia lidera com índice de 108,49, seguida pelos demais países da Europa (98,59). Em comparação, a China registra índice de 74,37, atrás ainda do Oriente Médio (76,58) e da América do Norte (75,47). Os números mostram que, embora compre menor volume, o mercado europeu proporciona uma remuneração significativamente superior pela carne mato-grossense.

A China continuará sendo um parceiro estratégico pela capacidade de absorção de grandes volumes, mas o avanço da carne mato-grossense em mercados como a União Europeia demonstra que nossos produtores também estão preparados para atender consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento. Isso aumenta a competitividade da cadeia e agrega valor à produção, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

Segundo Andrade, ampliar a presença em mercados mais exigente fortalece toda a cadeia produtiva e reduz a dependência de poucos compradores.

Diversificar mercados significa aumentar a segurança comercial da pecuária mato-grossense. Quanto maior a participação em destinos que pagam mais pelo produto, maior é o estímulo para investimentos em tecnologia, genética, eficiência produtiva e programas de conformidade socioambiental”, enfatiza.

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