REDE DE PROTEÇÃO URGENTE
Violência contra idosos cresce em Mato Grosso
A escalada nos crimes contra idosos reforça a urgência da criação de uma rede integrada de proteção e defesa no Estado de Mato Grosso, destaca o Conselho Estadual da Pessoa Idosa. Dados recentes da Secretaria Estadual de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT) revelam um aumento alarmante nos crimes contra idosos com mais de 60 anos entre janeiro e maio de 2024, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esses números são um alerta crucial na semana em que o Ministério dos Direitos Humanos celebra, no dia 15 de junho, o Dia de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.
De janeiro a maio de 2024, das 21 tipificações de crimes contra idosos, 10 apresentaram aumento em relação ao ano passado. Destacam-se crimes como perseguição, que subiu 39%, tentativa de homicídio doloso, que dobrou, e assédio sexual, que aumentou 200%. Ameaça, injúria, lesão corporal, difamação, calúnia, perseguição e extorsão estão entre os crimes mais frequentemente denunciados à polícia.
Diante dessa situação preocupante, a formalização de uma rede de atendimento aos casos de violência contra a pessoa idosa, com definição e padronização dos fluxos de trabalho, ainda é um grande desafio em Mato Grosso.
Isandir Rezende, presidente do Conselho Estadual de Defesa de Direitos da Pessoa Idosa de Mato Grosso (Cededipi-MT), ressalta a importância da criação de uma rede de proteção, observando que atualmente as instituições muitas vezes atuam de forma descoordenada, especialmente em relação às denúncias feitas pelo Disque 100 do Governo Federal.
“Uma mesma denúncia do Disque 100 é repassada para vários órgãos no estado, o que pode resultar no desencontro de informações para o atendimento à mesma vítima, gerando ineficiência e desperdício de recursos. É necessário que esse trabalho seja feito em rede, como acontece na área da infância. O Conselho Estadual da Pessoa Idosa, com o apoio da Secretaria de Assistência Social, Ministério Público e Defensoria Pública, está empenhado em formalizar essa rede“, explicou Rezende.
Para o delegado Marcos Veloso, titular da Delegacia Especializada de Delitos Contra a Pessoa Idosa (DEDCPI) da capital, a criação dessa rede é crucial para apoiar e dar continuidade ao trabalho das forças policiais no combate à violência contra a pessoa idosa.
“Uma estrutura coordenada e interligada é essencial para proporcionar o suporte necessário às operações de proteção e defesa dos direitos dos idosos. Temos observado um aumento nos casos. Neste mês, estamos realizando a Operação Virtude, coordenada pelo Ministério da Justiça em âmbito nacional, que aborda a violência contra a pessoa idosa. Em Cuiabá, a delegacia está investigando denúncias de violência contra idosos“, afirmou Veloso.
Maus tratos contra idosos
O Estatuto do Idoso, Lei 10.741/2003, prevê como crime a conduta de colocar em risco a vida ou a saúde do idoso, através de condições degradantes ou privação de alimentos ou cuidados indispensáveis. A pena prevista é de 2 meses a 1 ano de detenção, e multa. Se o resultado do crime for lesão corporal grave, a pena aumenta para 1 a 4 anos de reclusão. Por fim, se o resultado for morte, a pena é de 4 a 12 anos de reclusão.
Estatuto do Idoso
Lei Nº 10.741, de 1º de outubro de 2003
Art. 99. Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado:
Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa.
§ 1o Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2o Se resulta a morte:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
Destaques
Avanço silencioso e letal da “Meningite” em Mato Grosso
O avanço expressivo dos diagnósticos de meningite em Mato Grosso acendeu um alerta epidemiológico e mobilizou as autoridades de Saúde Pública nas últimas semanas. O crescimento das notificações da enfermidade gerou uma forte onda de preocupação coletiva entre médicos, educadores e, sobretudo, pais e responsáveis. O temor justifica-se pelo caráter fulminante da patologia, cuja evolução rápida exige vigilância constante da sociedade civil para evitar o colapso no atendimento e a proliferação descontrolada de novos vetores infecciosos em ambiente escolar e comunitário.
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) identificou formalmente a crise por meio de análises laboratoriais e monitoramento de rede assistencial. O órgão governamental constatou que o território mato-grossense enfrenta uma expansão geométrica no contágio da doença se comparado aos índices históricos do estado. A identificação desse cenário epidemiológico adverso permitiu a compilação de dados centralizados, os quais servem de embasamento técnico para que os gestores públicos estruturem campanhas de conscientização e distribuam insumos hospitalares de maneira estratégica.
Os municípios mato-grossenses concentram a totalidade das notificações registradas, evidenciando que o perigo epidemiológico ultrapassou os limites geográficos das grandes metrópoles. Cuiabá lidera o balanço estatístico estadual com 13 ocorrências consolidadas, seguida de perto por Rondonópolis e Várzea Grande, que somam 5 registros cada uma.
O mapeamento da interiorização da doença inclui ainda cidades de relevância econômica como Cáceres e Sorriso, com 4 casos computados em cada território, além do município de Sinop, que contabiliza 3 positivações.

O mais recente boletim oficial detalhado sobre a evolução da patologia foi publicado pelos canais de comunicação do Governo do Estado nesta última quinta-feira (29). A divulgação sistemática desses relatórios técnicos cumpre um papel fundamental na transparência da gestão pública e no direcionamento de ações profiláticas imediatas. A escolha dessa data específica para a atualização dos índices reflete o fechamento do ciclo epidemiológico semanal analisado pelas equipes de Vigilância Sanitária.
A etiologia da Meningite baseia-se em uma severa inflamação das meninges, que constituem as membranas protetoras responsáveis pelo revestimento do cérebro e da medula espinhal do indivíduo. Esse processo inflamatório agudo destrói tecidos essenciais e bloqueia a circulação do líquido cefalorraquidiano, sendo desencadeado pela invasão de agentes patogênicos diversos, tais como bactérias, vírus ou fungos.
A gravidade da infecção reside justamente na agressividade desses microrganismos, que atacam o sistema nervoso central de forma devastadora.
O contágio ocorre principalmente por meio de vias respiratórias, através de gotículas de saliva expelidas por indivíduos infectados, ou pela exposição prolongada a ambientes fechados e sem a devida ventilação. Fatores sazonais e a aglomeração urbana potencializam a transmissibilidade do agente infeccioso entre a população de risco. Uma vez instalado o microrganismo no hospedeiro, o período de incubação biológica transcorre em um intervalo que varia de três a cinco dias até a manifestação inequívoca dos sinais clínicos.
O balanço estatístico atualizado aponta a ocorrência de 53 casos confirmados da doença e um total de oito mortes computadas em todo o território de Mato Grosso. Os novos exames laboratoriais processados revelaram um acréscimo de sete contaminações adicionais em relação ao monitoramento governamental imediatamente anterior, o qual estipulava 46 positivações.

Embora o volume de infecções tenha apresentado essa oscilação ascendente e preocupante, o quantitativo absoluto de óbitos permaneceu estabilizado na marca de oito perdas humanas.
O principal fator de letalidade decorre da similaridade perigosa entre os sintomas iniciais da Meningite, caracterizados por vômitos, dores cefálicas e febre alta, e os indícios de uma intoxicação alimentar comum. Essa analogia clínica superficial induz familiares e profissionais de medicina a equívocos diagnósticos fatais, retardando a internação adequada.
Como a janela temporal entre a vida e a morte restringe-se a apenas uma hora após o início das crises graves, a ausência de antibioticoterapia imediata sela o prognóstico trágico dos pacientes.
As faixas etárias mais vulneráveis compreendem extremos geracionais distintos, concentrando-se em idosos situados entre 50 e 64 anos, grupo que lidera com dez casos confirmados. A fragilidade imunológica também atinge a infância, registrando nove casos em crianças de 5 a 9 anos e oito ocorrências em bebês com idade inferior a um ano.
O dado mais alarmante recai sobre o segmento infantil de 5 a 9 anos, que concentra três dos oito óbitos totais, demonstrando a agressividade da doença no organismo infantil.
A contenção definitiva do surto exige que a população procure assistência médica hospitalar imediata diante do surgimento de rigidez na nuca, sonolência excessiva ou manchas purpúreas cutâneas. Os profissionais da vigilância epidemiológica reforçam a necessidade de ampliação da cobertura vacinal e do isolamento preventivo de pacientes suspeitos nas unidades de pronto atendimento.
O combate eficaz à propagação da Meningite depende diretamente da rapidez na busca por socorro especializado e da correta higienização diária das mãos.
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