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Secretário rebate deputado e diz que ele foi aliado de governo envolvido em escândalos
O clima entre o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, ainda não anda das melhores, ele vem rebatendo algumas das declarações do deputado estadual Emanuel Pinheiro (PR) a respeito da inexperiência do governador Pedro Taques (sem partido) como gestor, e afirmou que o parlamentar sofre de “amnésia política seletiva”, pois se esquece dos problemas dos governos dos quais foi aliado.
Em algumas entrevistas o parlamentar vem dizendo que Pedro Taques vem focando somente em seu marketing pessoal, e precisa da ajuda e da experiência de ex-governadores e ex-prefeitos aliados, para evitar que o ”barco (Estado de Mato Grosso) não fique à deriva”. “Se o deputado está se referindo à experiência dos governos em que foi aliado, com escândalos de roubalheira e obras inacabadas, essa não tem mesmo. E nem queremos ter”, disparou Paulo Taques.
Ele diz que o deputado parece que sofre de uma "amnésia política circunstancial", na medida em que se esquece de fatos recentes. “Respeito a incessante fiscalização que o deputado Emanuel Pinheiro exerce sobre o nosso governo. Esse é o papel constitucional do legislador. Mas por que só agora? Onde ele estava quando as obras da Copa estavam sendo superfaturadas? Quando os vários casos de corrupção ocorriam, conforme têm se revelado as investigações do Ministério Público e da polícia? Ele foi omisso ou desatento?”, questionou o Secretario Chefe da Casa Civil
Entre os gestores citados por Pinheiro como boas referências para ajudar Taques, estão o senador e ex-governador Blairo Maggi (PR) e o deputado estadual e ex-prefeito da capital Wilson Santos (PSDB), entre outros nomes. Porém, ao rebater as declarações de Pinheiro, o secretário lembra também que o parlamentar foi da base de sustentação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), a quem o grupo político de Taques fez oposição.
Paulo Taques rebateu também a análise do deputado Emanuel Pinheiro de que o governador estaria atuando politicamente “sozinho” em seu governo. “O deputado não deve estar acompanhando os noticiários. Sozinho? Um governador que reuniu 136 prefeitos no Palácio Paiaguás? Que recebeu quase 500 lideranças comunitárias? Que foi anfitrião de três encontros com governadores do Brasil Central e da Amazônia Legal? Tudo isso em menos de oito meses”, afirmou Taques.
O Secretario sugeriu ainda que o Parlamentar converse com os colegas deputados que já viajaram acompanhando o governador Pedro Taques pelo interior do Estado, e perguntar a eles como tem sido a recepção dos cidadãos e dos líderes políticos locais.
Na avaliação do secretário, o deputado, que tem adotado uma postura independente no parlamento e feito diversas críticas e apontamentos, desta vez “abandonou a crítica positiva e flertou com a inverdade”, ao fazer uma “análise falsa” do cenário.
“O deputado tem criticado seguidamente nosso governo, e temos respeitado, pois vivemos em uma democracia. Mas, desta vez, as críticas deram lugar a uma análise falsa da realidade, na medida em que descreve um cenário que, nem de longe, reflete o atual momento político de Mato Grosso. Respeito o deputado e tenho por ele largo apreço. Mas o que ele disse denota desamor pela verdade. Surpreendi-me com sua fala. Considero-a infeliz”, afirmou.
Paulo Taques garante, ainda, que o governo não está à deriva. “Gostaria de sugerir ao meu amigo Emanuel Pinheiro que acesse o site transforma.mt.gov.br. Tenho certeza que ele vai mudar de opinião e perceber que Mato Grosso não é um barco à deriva, mas sim um grande e poderoso navio, que está, depois de uma longa tormenta, navegando firme, e sem que sua carga seja roubada”, concluiu.
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Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso
Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.
O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.
A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.
As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.
Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.
A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.
O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.
O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.
A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.
Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.
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