Destaques
“Quem não tiver grupo estará “morto” no pleito de 2020″
“Quem não tiver grupo estará “morto“ e quem não estiver bem nas pesquisas para o pleito de 2020 também vai estar “morto““
Estas são as palavras de algumas lideranças de partido do Estado de Mato Grosso que o Blog do Valdemir conversou durante esta semana. Eles também fizeram comentários sobre o impacto da proposta de emenda à Constituição (PEC 33/2017) que cria cláusulas de desempenho eleitoral para que os partidos políticos tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo gratuito de rádio e televisão, além de acabar com as coligações para eleições proporcionais para deputados e vereadores, nesse caso a partir de 2020.
A maioria deles disseram que se os partidos que não se “reinventarem” e não tiverem um grupo unido “estarão mortos” na próxima eleição.
“Os partidos têm que se reinventar. Acabou essa história de você ser um presidente de partido, pegar as atas e só se lembrar dos filiados próximo de fechar as coligações. Quem não tiver grupo, mais do que nunca, estará morto nas eleições de 2020. Nós não queremos quantidade. Não adianta encher o partido de figuras que não têm compromisso com o partido. Mais do que nunca, quem não valorizar os seus mandatários e filiados, e não estiver disposto a se desprender do cargo que exerce para poder compartilhar, dificilmente o partido vai crescer no Estado“. Alertou uma liderança do PSDB.
Um dos membros que lidera um grupo do Partido do Democrata (DEM) no interior do Estado em visita na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), que veio prestigiar a volta do presidente da Casa de Leis, deputado estadual, José Eduardo Botelho (DEM) afirmou que o fim das coligações é algo importante para os partidos e que a medida valoriza o compromisso partidário.
“Isso valoriza mais o compromisso partidário, valoriza mais a legenda, acaba com as coligações, onde nós já sabíamos quem seriam os eleitos, já sabíamos quem seriam os candidatos que teriam suas “cadeiras cativas” no Poder Legislativo. O fim das coligações já tem um ganho clássico, que é o fortalecimento do instituto do partido político”, ponderou.
Pela regra que acaba com as coligações partidárias em eleições proporcionais, a ser aplicada a partir das eleições municipais do ano que vem, os partidos não poderão mais se coligar na disputa das vagas para deputados federais, estaduais, distritais e vereadores.
Dessa forma, parlamentares de legendas diferentes, com votação reduzida, não terão mais a chance de ser eleger através do desempenho do chamado “puxador de votos”.
Um exemplo da coligação proporcional foi a eleição do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, do Partido da Republica (PR) do Estado de São Paulo que, quando reeleito em 2014 com mais de 1 milhão de votos, “puxou” mais cinco candidatos para a Câmara Federal.
Cuiabanos pesquisados
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Access e publicada pelo Site Olhar Direto, mostrou que a maioria dos eleitores cuiabanos, o atual quadro de vereadores é regular e péssimo e no próximo ano teremos a eleição para a Câmara Municipal de Cuiabá, e segundo a pesquisa publicada, o Legislativo precisa melhorar.
Conforme a pesquisa divulgada, 30,6% dos eleitores cuiabanos responderam que a atual Câmara Municipal de Cuiabá é regular, e 17,6% avaliaram como péssima, e 16,6% dos entrevistados, os vereadores são ruins, 11,8% disseram ser boa, ótimo somente 1%. O número de indecisos só perde para o de regular, 22,4% dos entrevistados não responderam.
A margem de erro máxima da pesquisa é de 3% e o intervalo de confiança estimado é de 95%. Foram realizadas 610 entrevistas em Cuiabá, com metodologia quantitativa, no período de 28 a 30 de maio de 2019.
A pesquisa tem amostragem Survey, com adequação espacial e proporcional às variáveis de escolaridade, sexo e idade com base em dados do IBGE e do cadastro eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
(O método de pesquisa Survey visa a obtenção de dados ou informações sobre características, ações ou opiniões de determinado grupo de pessoas, indicado como representante de uma população alvo, por meio de um instrumento de pesquisa, normalmente um questionário).
As eleições no Brasil em 2020 ocorrerão em 2 de outubro, com segundo turno ocorrido em 30 de outubro. Os eleitores escolherão os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores dos 5.568 municípios do país.
Destaques
“Operação Heritage” expõe teia de fundos em cascata, cessões de crédito interpostas e conexões de alto escalão entre o Executivo, o Judiciário e o setor privado
O QUE
A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje a Operação Heritage, ostensiva ação policial voltada a desarticular um sofisticado esquema institucional de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no Estado de Mato Grosso. A investigação debruça-se sobre a homologação e o pagamento transacional de um controverso pacto financeiro, mediante o qual cofres estaduais repassaram R$ 308,1 milhões sob a justificativa de encerrar um litígio tributário histórico.
O caso revela indícios severos de concussão, peculato, uso indevido de informação privilegiada e infrações graves contra o Sistema Financeiro Nacional.
QUEM
A teia dos investigados abrange figuras proeminentes do cenário político e jurídico estadual, tendo como alvo central o ex-governador Mauro Mendes (UB), além do deputado federal Fábio Garcia (UB), atual pré-candidato a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta. A ostensiva operação policial atingiu também a procuradora Fabíola Paulino Garcia, irmã do parlamentar, o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, nomeado para o Tribunal de Justiça em final de 2025 após atuar como advogado na causa, secretários estaduais de Estado e operadores financeiros encarregados da intermediação dos valores.
QUANDO
As ações de busca e apreensão ocorreram nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, culminando uma apuração que reconstituiu minuciosamente atos administrativos ocorridos entre 2009 e 2024. O cronograma decisivo iniciou-se em outubro de 2023, quando a empresa Oi S.A. cedeu seus direitos creditícios por R$ 80 milhões; acelerou-se em abril de 2024, data na qual o Executivo estadual chancelou o acordo bilionário e efetuou o crédito suplementar; e desdobrou-se nas movimentações bancárias subsequentes monitoradas pelo Coaf e pela Polícia Federal.

ONDE
Os mandados judiciais foram cumpridos simultaneamente em endereços estratégicos da capital cuiabana, incluindo gabinetes oficiais e sedes corporativas de alto padrão. Agentes federais em viaturas ostensivas ocuparam a sede da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT), vistoriando a sala de Fabíola Garcia, além de realizarem apreensões de documentos e mídias digitais em dois escritórios do desembargador Ricardo Gomes de Almeida localizados no Centro Empresarial Maruanã, situado na Avenida do CPA, e em prédio comercial na Avenida São Sebastião.
COMO
A engenharia do suposto desvio operou-se por meio de uma complexa arquitetura financeira baseada em fundos de investimento em cascata e empresas de fachada interpostas. Após a assinatura do Termo de Autocomposição, o direito creditício milionário foi sucessivamente cedido a múltiplos veículos de investimento privados no mesmo mês de abril de 2024, estratégia desenhada para fracionar as parcelas, dissimular a real titularidade dos beneficiários finais e ocultar a liquidação do montante originado do erário estadual.
POR QUE
A motivação central das condutas sob investigação residia no direcionamento proposital de verbas públicas para o enriquecimento ilícito de agentes estatais e particulares aliados. A apuração demonstra que a administração pública converteu uma execução fiscal na qual o Estado era vencedor garantido com trânsito em julgado desde 2018 em uma transação administrativa onerosa, forjando um cenário de risco jurídico artificial tão somente para fundamentar o escoamento dos R$ 308,1 milhões aos cofres de terceiros.

QUANTO
As cifras investigadas refletem uma discrepância astronômica entre a avaliação originária do débito e os valores transacionados ao longo do tempo. A disputa envolvia inicialmente uma dívida tributária do ICMS estimada em R$ 690 milhões; contudo, em 2023, o direito ao crédito foi vendido pela concessionária de telefonia por R$ 80 milhões a um escritório privado.
Este, por sua vez, demandou R$ 583,4 milhões ao Estado e consolidou o acordo definitivo na quantia de R$ 308.123.595,50, pagos com urgência atípica sem a devida previsão orçamentária prévia.
QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS
O desdobramento da Operação Heritage produz abalos sísmicos na estabilidade política de Mato Grosso e reconfigura o quadro eleitoral ao atingir frontalmente a chapa governista à reeleição. Além das previsíveis sanções penais e da indisponibilidade de bens dos implicados, a ação desmantela o fluxo financeiro ilícito, põe sob suspeita a idoneidade de decisões administrativas da PGE-MT e suscita a instauração de procedimentos disciplinares junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Ministério Público.
QUAIS AS FONTES
As evidências do inquérito fundam-se em relatórios da Polícia Federal, auditorias de inteligência financeira, dados da Ação Popular em curso e relatórios de auditoria orçamentária. Em contrapartida institucional, a defesa do ex-governador Mauro Mendes declarou oficialmente que o político confia plenamente no trabalho investigativo da Polícia Federal, coloca-se à inteira disposição das autoridades e aguarda com serenidade os esclarecimentos dos fatos, demonstrando convicção na comprovação da lisura de sua conduta.
O QUE ACONTECE AGORA
A partir de agora, o procedimento investigatório entra em fase de análise pericial de todo o material apreendido nos computadores, celulares e documentos recolhidos durante as buscas. Cabe à Justiça Federal avaliar a manutenção do sigilo dos autos, eventual oferecimento de denúncia formal pelo Ministério Público Federal e a aplicação de medidas cautelares adicionais, enquanto os implicados terão prazos regimentais para apresentar suas defesas prévias diante das instâncias judiciais competentes.
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