CISÃO ESTRUTURAL NO UNIÃO BRASIL
A Convenção Partidária que redefiniu os rumos da política em Mato Grosso
Em um cenário de fortes tensões no quadro político mato-grossense, o União Brasil (UB) em Mato Grosso oficializou a candidatura do ex-governador Mauro Mendes ao Senado Federal após uma convenção turbulenta. O evento tornou-se o palco principal de uma disputa pelo controle das alianças para o pleito de 2026.
A deliberação ocorreu durante a Convenção Partidária promovida nesta quinta-feira, 30, quando correligionários e delegados se reuniram para chancelar os rumos da sigla. O encontro formalizou a ruptura entre lideranças históricas e o grupo majoritário que comanda a agremiação no estado.
No centro da disputa esteve a definição do apoio ao Palácio Paiaguás, deflagrada pela divergência entre a tese de Mauro Mendes, alinhada ao projeto do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), e a postulação do senador Jayme Campos, que pleiteava encabeçar a chapa ao governo pelo próprio partido.
O desfecho deu-se pelo voto dos 51 convencionais habilitados, cujo placar registrou 30 votos contrários à pretensão de Jayme Campos e 19 favoráveis. O resultado frustrou as expectativas do senador varzea-grandense, que projetava obter entre 30 e 35 sufrágios para consolidar seu nome.

A motivação central do embate reside no choque entre a preservação de lideranças tradicionais e a estratégia decisória do comando estadual. A priorização de projetos do núcleo ligado a Mendes provocou insatisfação e acusações de desprestígio por parte de correligionários.
Com a vitória de sua proposta, Mauro Mendes evitou polemizar sobre eventual prejuízo eleitoral. O ex-governador pontuou que a história julgará as escolhas de cada dirigente, advertindo que o abandono do partido e de aliados de longa data configura ato de deslealdade marcado na memória do povo.
Por sua vez, o senador Jayme Campos declarou que respeitará a decisão da maioria, mas sustentou que “venceu o rolo compressor” do poderio econômico. O parlamentar criticou a condução do pleito interno, afirmando que faltou transparência e que acordos na calada da noite comprometeram a lisura do processo.
A insatisfação com a condução foi reforçada pelo deputado estadual Dilmar Dal Bosco e por declarações de Rafael Ranalli, que resgatou o apelido de “imperador” aplicado a Mauro Mendes. Críticas sobre a projeção política de familiares do ex-governador também alimentaram os questionamentos internos.
O ambiente do encontro evidenciou um profundo clima de divisão partidária, marcado por demonstrações públicas de insatisfação. A eventual neutralidade ou o afastamento dos Irmãos Campos em relação ao projeto chancelado traz incertezas e expõe o desgaste da coesão interna da legenda.
À medida que as eleições de 2026 se aproximam, os desdobramentos da convenção demonstram que a agremiação enfrentará um cenário complexo. O maior desafio do União Brasil residirá na reconstrução de suas bases e no reestabelecimento da confiança, sob o risco de chegar ao pleito eleitoral dividido.
Política
Convenção da “Esquerda” oficializa aliança ampla e Natasha Slhessarenko ao Governo de Mato Grosso
A médica Natasha Slhessarenko, filiada ao Partido Social Democrático (PSD), assumiu oficialmente o protagonismo da disputa pelo Palácio Paiaguás ao ter sua pré-candidatura ao Governo do Estado de Mato Grosso homologada. Médica atuante no Sistema Único de Saúde (SUS) há mais de duas décadas, Natasha carrega a bagagem de uma trajetória profissional dedicada à Saúde Pública, somada a um forte legado político familiar, sendo filha da ex-senadora Serys Slhessarenko e de Leonardo Slhessarenko.
Trata-se da oficialização do projeto político da chapa majoritária e das pré-candidaturas concorrentes aos cargos do Poder Executivo e do Senado Federal pela coligação partidária. Durante o ato político, além de chancelar o nome de Natasha para o governo estadual, foram homologados o nome do advogado Diogo Botelho (PDT) para a vaga de vice-governador e as pré-candidaturas do ex-ministro Carlos Fávaro (PSD) e do ex-governador Pedro Taques (PSB) para as cadeiras no Senado.
A homologação oficial ocorreu na noite de quinta-feira, 30, momento crucial em que os prazos partidários se estreitam para a consolidação das alianças eleitorais. O evento marcou o início formal da mobilização das militâncias e das lideranças políticas em torno do plano de governo que será apresentado aos eleitores mato-grossenses nas urnas no pleito que se aproxima.
O ato político realizou-se nas dependências do Hotel Fazenda Mato Grosso, localizado no município de Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso. O espaço reuniu centenas de militantes, dirigentes partidários e apoiadores de diversas regiões estaduais, transformando a capital mato-grossense no centro das atenções políticas da região Centro-Oeste no decorrer daquela noite.

A oficialização da candidatura deu-se por meio de uma convenção partidária festiva e estratégica, caracterizada por discursos de apelo social e forte tom de unidade da esquerda e de blocos centro-esquerdistas. A solenidade integrou a apresentação formal das lideranças, discursos emocionados de alinhamento doutrinário, manifestações de apoio popular e o rito burocrático de validação das atas da coligação perante os filiados presentes.
A consolidação desta candidatura visa oferecer ao eleitorado de Mato Grosso uma alternativa política voltada ao fortalecimento dos serviços públicos, à redução das desigualdades e à centralidade das políticas sociais. A aliança busca canalizar o sentimento de mudança expressado por parcelas da população que demandam um governo estadual focado na humanização do atendimento público e no cuidado direto com as pessoas.
A dimensão representativa do ato mensura-se pela convergência de oito agremiações partidárias de grande relevância regional e nacional: PSD, PT, PV, PCdoB (que integram a Federação Brasil da Esperança), PSB, PDT, PSOL e Rede Sustentabilidade.
Tal composição confere à pré-candidatura expressivo tempo de propaganda eleitoral, amplo palanque comissório e musculatura política em diversos municípios do interior mato-grossense.
A iniciativa origina-se do consenso estabelecido pela Federação Brasil da Esperança em conjunto com legendas aliadas que decidiram somar forças em um projeto único. O movimento ganhou tração definitiva após o Partido Trabalhista Brasileiro (PDT) retirar a intenção de lançar uma candidatura própria ao governo estadual, optando por indicar o advogado Diogo Botelho para compor a chapa como vice-governador.

O projeto político encaminha-se agora para a fase de percursos pelo interior do Estado de Mato Grosso, objetivando aprofundar o diálogo com os setores produtivos e a população local. A meta anunciada pelas lideranças é estender as diretrizes do plano de gestão a todos os municípios, apresentando propostas integradas para as áreas da saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento socioeconômico sustentável.
A confirmação do nome de Natasha Slhessarenko altera o cenário eleitoral em Mato Grosso ao consolidar uma frente progressista competitiva para a disputa do Poder Executivo Estadual. A transição da atuação médica comunitária para o debate político majoritário reforça a centralidade da saúde e da gestão pública humanizada nas pautas que dominarão os debates eleitorais ao longo dos próximos meses na região.
Sob gritos de apoio à Lula, grupo da esquerda lança candidatos ao Senado Federal, Câmara Federal, Governo de Mato Grosso e Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT). Entre os nomes estão: Edna Sampaio, Rosa Neide, Pedro Taques, Carlos Fávaro, Ludio Cabral, Valdir Barranco.
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