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Lobista será conduzido por força policial para depor na CPI das Obras da Copa
Rowles Guimarães, ex-lobista do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e ex-assessor do ex-vice-governador Chico Daltro, deveria prestar depoimento nesta quarta-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras da Copa do Mundo. Deveria….isso mesmo deveria e ele, pela segunda vez não compareceu ao parlamento estadual, frustrando deputados e quem compareceu à Assembleia Legislativa para acompanhar os trabalhos. Agora, para uma nova convocação será encaminhado com força policial. É o que promete do presidente da CPI, deputado Oscar Bezerra (PSB).
“Ele está correndo da raia”, disse o parlamentar sobre a segunda falta do ex-lobista do Veículo Leve sobre Trilhos.
Rowles Guimarães surgiu no cenário político mato-grossense em 2012 quando denunciou um esquema de pagamento de propina referente à licitação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Em entrevista ao site UOL, ele contou que já sabia quem sairia vencedor da licitação com um mês de antecedência, citando até que toda a informação estaria contida de forma oculta nos classificados do jornal Diário de Cuiabá. Por conta desse e outros detalhes referente ao mundial de futebol, ele foi convocado para prestar esclarecimentos na Casa de Leis, porém dessa vez ele alegou compromissos pessoais e faltou pela segunda vez.
De acordo com entrevista concedida por Rowles ao site UOL, integrantes do governo receberam R$ 80 milhões em propina dos três consórcios primeiros colocados na concorrência, para viabilizar o negócio. Porém, após a publicação da matéria, Rowles teria dito que na verdade foi chantageado pelo repórter, que teria também admitido receber dinheiro para denegrir o VLT. “Queremos saber dessas chantagens e quem fez”, completou o deputado
“Diga-se de passagem, que ele sugeriu que a data de hoje seria um bom dia para ele contribuir com essa CPI e ele faltou. O que nos resta é deliberar com essa comissão ainda nesta quarta e convocar os deputados extraordinariamente fazer um pedido de condução coercitiva do mesmo, uma vez que ele fez muitas denúncias e por isso tem muito a esclarecer. Se ele não vem por bem, vem por força policial”, garantiu Oscar.
O Presidente da Comissão ainda foi questionado sobre uma nova data para o comparecimento de Rowles e sem titubear respondeu que por conta do recesso será difícil intimá-lo ainda esse ano. “Pra esse ano é um pouco difícil acontecer. Mas convenhamos, o Rowles está correndo da raia. Se não tivesse nada para esconder ele estaria aqui. De repente ele tem alguma coisa a esconder e não quer falar. Ele não vindo aqui é um ato desrespeitoso. De qualquer forma ele vem. Nem que seja na força da polícia”, garantiu.
Destaques
Polícia Federal investiga “suspeita de desvio” em acordo entre Governo de Mato Grosso e Oi S.A.
A Polícia Federal deflagrou a “Operação Heritage” para apurar se uma grande negociação institucional, formalizada entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a empresa de telecomunicações Oi S.A., foi instrumentalizada como fachada para a execução de um complexo esquema de desvio de verbas públicas e ilícitos financeiros.
Entre os alvos das medidas cautelares expedidas pela Justiça está o ex-governador Mauro Mendes Ferreira (UB), além de agentes e entidades investigados sob a suspeita de envolvimento em crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, uso de informação privilegiada e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional.
A ostensiva mobilização policial desdobrou-se simultaneamente em quatro estados brasileiros, Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, evidenciando a capilaridade da rede sob investigação e a amplitude territorial das diligências autorizadas para a coleta de provas.
A deflagração das ações ostensivas ocorreu de forma coordenada após rigorosa deliberação do Supremo Tribunal Federal (STF), marcando uma etapa decisiva no aprofundamento das apurações que visam examinar atos praticados ao longo da tramitação do processo administrativo e da execução financeira do ajuste.

O montante central sob apuração refere-se ao pacto firmado no valor de R$ 308,1 milhões, quantia esta que motivou o Supremo Tribunal Federal (STF) a determinar o bloqueio patrimonial cautelar de cerca de R$ 316 milhões, com o intuito de resguardar o erário e assegurar a futura recomposição de eventuais prejuízos.
A motivação central da intervenção federal reside na tese investigativa de que a transação, divulgada originalmente como uma solução vantajosa para encerrar um longo e dispendioso litígio tributário, teria sido direcionada para beneficiar indevidamente agentes públicos e privados mediante maquiagem jurídica.
O modus operandi delineado pela corporação policial aponta que a circulação e a dissimulação do capital supostamente desviado teriam ocorrido por meio de repasses a empresas interpostas e aplicações sucessivas em fundos de investimento estruturados, estratégia concebida para obscurecer os reais destinatários dos recursos.
Essa nova fase contrapõe-se ao entendimento manifestado previamente pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), que, em parecer assinado pelo subprocurador-geral Marcelo Ferra de Carvalho, havia opinado pelo arquivamento de ação popular por entender que a transação possuía amparo legal, aprovação da Advocacia Pública e homologação do Tribunal de Justiça local.

A coexistência dessas duas posições institucionais explica-se pela diferença de escopo: enquanto o órgão ministerial estadual avaliou a conformidade formal e a relação custo-benefício do encerramento do litígio, a apuração da Polícia Federal dedica-se ao rastreamento ostensivo do caminho do dinheiro e à conduta individual dos envolvidos após a celebração da avença.
Os próximos passos da investigação concentram-se na perícia minuciosa dos documentos, mídias e movimentações bancárias e fiscais obtidas com a quebra de sigilos, etapa crucial que definirá o oferecimento de denúncias formais e o rumo político e jurídico de um dos episódios mais emblemáticos da história recente da administração pública mato-grossense, mantida a garantia constitucional da presunção de inocência.
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