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POLITICAS PÚBLICAS

Cotriguaçu dá primeiros passos na criação de plano para agricultura familiar e indígena

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Localizado na porção amazônica de Mato Grosso, Cotriguaçu será um dos primeiros municípios do Estado a criar e implementar uma política pública essencial para consolidação de ações que alinham desenvolvimento socioeconômico e a sustentabilidade de recursos naturais: o plano municipal da agricultura familiar.

Nesta quarta-feira, 18, uma reunião congregará membros do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, Conselho Municipal de Meio Ambiente e outros membros da sociedade civil e do poder público para definição das próximas ações para elaboração do plano.

A criação da estratégia incluirá a adesão do município ao Sistema Estadual Integrado de Agricultura Familiar (SEIAF), uma criação do Conselho Estadual de Agricultura Familiar proposto pela Secretaria de Agricultura Familiar (SEAF/MT) com o objetivo de implementar ações efetivas no apoio ao segmento no estado.

A ação é realizada com apoio do Instituto Centro de Vida (ICV), que firmou um termo de cooperação com a SEAF e deve assinar outro, nos próximos dias, com a Prefeitura Municipal de Cotriguaçu.

O sistema estadual integrado é uma solução para possíveis inconsistências de dados da agricultura familiar no estado. Para isso, ele reúne dados locais providos pelas secretarias de agricultura dos municípios“, explica Eriberto Muller, analista do Programa de Negócios Sociais do ICV.

Os dados integrados irão permitir a implementação das políticas públicas em níveis estadual e municipais em Mato Grosso.

Um exemplo da aplicação é a possibilidade de alinhamento entre a implementação do Plano Estadual de Agricultura Familiar (PEAF), criado pelo governo estadual no ano de 2017, e os municípios, que devem criar planos próprios em até um ano após a adesão ao SEIAF.

O plano estadual dispõe de diferentes diretrizes distribuídas em eixos, como agregação de valor e comercialização aos produtos, produção sustentável, facilitação de acesso ao crédito, regularização ambiental e fundiária e assistência técnica e extensão rural.

O plano municipal servirá, então, de elemento tanto para criação de políticas públicas novas quanto para a devida implementação das que já existem“, avalia Eriberto.

Recursos de programas em nível estadual ou nacional que apoiem cadeias produtivas podem chegar, com as informações disponíveis, aos municípios.

Com uma base de dados condizente e um plano estruturado, há boas justificativas para receber os aportes financeiros e técnicos e aplicá-los de forma eficiente“, comenta.

O especialista cita uma experiência recente na qual não foram encontradas informações de produções sobre determinada cadeia da sociobiodiversidade para acesso a um programa estadual.

Não havia dados recentes, consolidados ou acessíveis daquela cadeia no território, só conseguimos dados de uma organização comunitária que acompanhamos que serviu como referência“, explica.

As informações de um plano municipal construído junto com a sociedade, acrescenta, também apoiam o planejamento e a gestão do município em curto, médio e longo prazos.

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Isso contribui para as estratégias das administrações atual e futuras e também garante a continuidade de ações para o fortalecimento da agricultura familiar.

Cada município precisa conhecer a realidade de sua agricultura familiar, identificar os gargalos e trabalhar ações para saná-los e impulsionar a produção local. O plano é um forte elemento para isso. Em suas diretrizes e ações ele contribui no olhar aos elos das cadeias e como definir estratégias eficientes de atuação. Por exemplo, conhecer a quantidade e o período de escoamento de produção é fundamental para construir com o departamento municipal de infraestrutura a melhor época de intervenção e alocação de recursos municipais“, diz Eriberto.

Eriberto também cita a importância de dados para o acesso dos agricultores locais a mercados institucionais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Uma forma de auxiliar a equipe de nutricionistas na elaboração do planejamento do cardápio das escolas locais é ter informações sobre o que e quanto está sendo produzido“, avalia.

AÇÃO LOCAL COM IMPACTO GLOBAL

O trabalho do ICV na implementação do plano municipal é uma das ações desenvolvidas pelo TerrAmaz – Territórios Amazônicos, projeto financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) que implementará ações em áreas piloto localizadas em quatro países da Amazônia, entre eles Cotriguaçu.

Localizado a mais de 800 quilômetros da capital Cuiabá, Cotriguaçu possui características que abarcam grande diversidade de questões do bioma Amazônia, com foco na produção agrícola e qualidade de vida na área rural da bacia.

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O programa no município será implementado pelo CIRAD (Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento), com apoio da ONF Brasil e do ICV pelo período de quatro anos.

O objetivo do projeto é apoiar os territórios na implementação de políticas de desmatamento e transição para um modelo de desenvolvimento que combina desenvolvimento econômico de baixo carbono e conservação de ecossistemas.

No estado, o programa contribui diretamente para a consolidação da Estratégia PCI (Produzir, Conservar e Incluir), política lançada pelo estado de Mato Grosso na COP-21, em 2015.

Em uma escala global, a ação da adesão ao sistema integrado em Cotriguaçu também colabora para o alcance de oito objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS): Fome Zero e Agricultura Sustentável, Trabalho Decente e Crescimento Econômico, Redução das Desigualdades, Cidades e Comunidades Sustentáveis, Consumo e Produção Responsáveis, Ação Contra Mudança Global do Clima, Vida na Água, Vida Terrestre.

Mas para que as ações saiam do papel, Eriberto avalia como essencial a participação da sociedade civil no processo.

PARTICIPAÇÃO DO CONSELHO E PRÓXIMOS PASSOS

Como órgão de função consultiva e deliberativa, o conselho municipal de desenvolvimento rural sustentável, chamado de CMDRS, terá papel central na criação e implementação do plano.

Essa reunião irá reunir esses atores para que essa construção do plano seja participativa e para que o conselho atue como guardião de todo esse processo“, explica Eriberto.

O conselho deve acompanhar a execução, propor melhorias e monitorar.

Servindo de elo entre o poder público e as representações da agricultura familiar do município“, comentou Cassyra Vuolo, secretária de Articulação e Desenvolvimento da Cidadania no TCE-MT em evento promovido pelo ICV sobre papel dos conselhos municipais.

A atuação do conselho pode incidir, por exemplo, nas políticas de produção, distribuição e abastecimento de alimentos na cidade; na articulação com a iniciativa privada e com a valorização de organizações comunitárias da área rural.

Também será criado o Comitê da Elaboração do Plano Municipal da Agricultura Familiar.

O próximo passo é a construção e realização de oficinas comunitárias, onde, junto aos agricultores familiares e populações indígenas, serão definidos os eixos e diretrizes do plano municipal.

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Destaques

Museu de História Natural promove oficina “Pipas – Pais e Filhos” neste domingo

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O Dia dos Pais será celebrado com criatividade, aprendizado e muita diversão no Museu de História Natural de Mato Grosso (MHNMT). Neste domingo (9), a 10ª edição da Feira Permanente promove a oficina “Pipas – Pais e Filhos”, conduzida pelo arte-educador Willian Rafael Bispo dos Santos, conhecido em todo o Estado como Gringo Pipas. A atividade convida pais e filhos a construírem suas próprias pipas e encerra a manhã com um festival que promete colorir o céu da histórica Casa Dom Aquino, proporcionando um domingo especial em meio à natureza, às margens do Rio Cuiabá, cercado por arte, cultura e história. As inscrições são limitadas.

A oficina começa às 9h30 com uma conversa sobre a origem da pipa, sua evolução ao longo da história e sua influência em importantes invenções da humanidade. Em seguida, os participantes aprendem técnicas de confecção, montagem e equilíbrio da pipa e, ao final, participam de um festival para colocar as criações no ar. Durante toda a atividade haverá brincadeiras, interação e sorteio de brindes.

Mais do que ensinar a fazer uma pipa, queremos proporcionar um momento em família. Muitos pais brincavam de pipa quando eram crianças e agora terão a oportunidade de reviver essa lembrança ao lado dos filhos. A oficina resgata essa tradição, fortalece os vínculos familiares e mostra que a pipa também é cultura, educação e esporte“, destaca Gringo.

O GRINGO DAS PIPAS

Da infância humilde ao trabalho que transformou vidas, a história de Gringo Pipas começou quando ele tinha apenas quatro anos de idade. Fascinado pelas pipas, aprendeu cedo a confeccioná-las e, aos dez anos, já produzia modelos para vender de porta em porta. O que começou como uma brincadeira de infância logo se tornou seu principal lazer e sua fonte de renda.

Foi com a venda de pipas que conseguiu comprar seus próprios materiais, aperfeiçoar técnicas e transformar uma paixão em profissão. Hoje, além da produção artesanal, mantém um ateliê especializado, participa de eventos, festivais e campeonatos e ministra oficinas em diversas cidades de Mato Grosso e de outros Estados.

O trabalho social também nasceu dessa trajetória. Ao perceber o interesse das crianças que viviam nas periferias de Cuiabá, Gringo passou a realizar oficinas gratuitas em bairros populares e projetos sociais, ensinando não apenas a construir pipas, mas também valores como respeito, disciplina, convivência e responsabilidade. Muitas dessas crianças encontraram na atividade uma alternativa de lazer saudável e alguns jovens passaram, inclusive, a produzir pipas para complementar a renda familiar.

Formado em Educação Física, estudante de Psicologia e reconhecido com o título de Comendador pelo trabalho desenvolvido em comunidades, ele transformou a pipa em uma ferramenta pedagógica. Em suas oficinas, utiliza a atividade para ensinar conteúdos de História, Geografia, Matemática, Física, Arte e Educação Física, além de promover reflexões sobre bullying, preconceito, cidadania e inclusão social.

A pipa mudou a minha vida. Foi meu brinquedo, meu lazer e também meu sustento. Hoje tenho a alegria de devolver isso para outras crianças, mostrando que elas podem aprender, sonhar e construir oportunidades por meio de uma brincadeira tão simples e tão rica culturalmente, afirma o arte-educador que utiliza a rede social @grincopipascuiaba, no Instagram.

DA BRINCADEIRA AO ESPORTE

Além de símbolo da infância brasileira, a pipa também conquistou espaço como modalidade esportiva. Atualmente existem campeonatos municipais, estaduais, nacionais, sul-americanos e mundiais, reunindo atletas em disputas que avaliam técnica, criatividade, estabilidade de voo e desempenho.

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Gringo é um dos principais incentivadores dessa modalidade em Mato Grosso. Presidente da Associação Mato-Grossense de Pipeiros, ele organiza festivais, competições e encontros que reúnem praticantes de diferentes idades.

Uma das maiores emoções de sua trajetória aconteceu neste ano. Em 2016, sua filha, de apenas seis anos, conquistou o título de campeã mato-grossense de pipa, reforçando que a paixão pela modalidade atravessa gerações.

Nossa luta agora é para que Mato Grosso tenha um Pipódromo. Queremos um espaço seguro onde crianças, jovens e adultos possam praticar o esporte sem riscos, longe da rede elétrica e do trânsito. Também será um local para campeonatos, oficinas, festivais e ações educativas. Estados como São Paulo, Goiás, Espírito Santo e Rio de Janeiro já contam com esses espaços e conseguiram reduzir acidentes. Mato Grosso também merece esse avanço, defende.

Segundo ele, o Pipódromo vai além da prática esportiva.

Quando existe um espaço apropriado, conseguimos orientar sobre segurança, combater o uso de linhas perigosas, preservar essa tradição e fortalecer um esporte que cresce a cada ano. A pipa promove inclusão social, gera renda para muitas famílias e aproxima pais e filhos por meio de uma atividade saudável.

PROGRAMAÇÃO NO MUSEU

O Museu oferece programação completa para toda a família. Além da oficina, quem visitar o Museu poderá aproveitar a Feira Permanente, realizada das 9h às 17h, com entrada gratuita. O espaço reúne gastronomia regional, artesanato, produtores da economia criativa, bingo e atrações culturais em um ambiente integrado à natureza.

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As crianças também poderão brincar no playground, participar das atividades de desenho e pintura junto ao painel “Traços do Tempo”, criado pelo artista Babu78 durante as comemorações dos 20 anos do Museu, além de explorar os jardins da histórica Casa Dom Aquino.

Os visitantes ainda podem conhecer a exposição permanente do Museu, formada por fósseis, vestígios arqueológicos e antropológicos que contam a formação natural e humana de Mato Grosso, além da cafeteria, loja de artesanato indígena, lago com carpas e visitas guiadas.

Gerido pelo Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (ECOSS), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), o Museu desenvolve ações permanentes de pesquisa, educação patrimonial, preservação da memória e valorização da cultura mato-grossense, consolidando-se como um dos principais espaços culturais e ambientais do Estado.

SERVIÇO

A oficina “Pipas – Pais e Filhos” será realizada neste domingo (9), das 9h30 às 11h, no Museu de História Natural de Mato Grosso, localizado na Avenida Manoel José de Arruda, nº 2.000, em Cuiabá.

As inscrições custam R$ 35, são limitadas a 20 participantes e podem ser feitas pelo link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScfax8qXQkGLA4ub-2y8uAqP1fPy349EN5qZEH0RlB-m5Hmlg/viewform.

A Feira Permanente acontece das 9h às 17h, com entrada gratuita. O Museu funciona de terça a domingo, das 8h às 18h. Os ingressos para visitação custam R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia), com entrada gratuita aos domingos e feriados. Mais informações pelo telefone (65) 99686-7701 ou pelo Instagram @museuhistorianaturalmt.

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