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Claudio Lamachia: “OAB não aceitará de maneira nenhuma anistia ao Caixa 2” 

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Após a aprovação o substitutivo do deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS) pela Comissão Especial que analisa o PL 4850/16, que trata das chamadas 10 medidas de Combate à Corrupção, o debate que tomou conta da Câmara dos Deputados é a possibilidade de inclusão de uma anistia ao Caixa 2 (movimentação irregular de recursos de campanha).

claudio-lamachia-300Bandeira de longa data da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a criminalização do Caixa 2 integra o relatório que será apreciado pelo plenário na próxima terça-feira (29), mas a possibilidade de que isso implique  indiretamente na anistia dos crimes que já tenham sido cometidos tem causado tumulto na Câmara dos Deputados.

Nós não acreditamos sequer que isto possa ser discutido pelo parlamento porque se nós tivermos qualquer tentativa de anistiar crimes já praticados através da utilização de caixa 2, vamos ter um desrespeito com a própria sociedade e isto a OAB não poderá aceitar de maneira nenhuma”, ressaltou o presidente do Conselho Federal, Claudio Lamachia, durante a I Conferência Estadual da Mulher Advogada e I Encontro Estadual da Jovem Advocacia em Sinop (MT).

Nesta semana, Lamachia conversou com lideranças partidárias manifestando claramente o posicionamento da OAB neste sentido. Ele ressalta que se recusa a acreditar na possibilidade do Parlamento aprovar uma legislação em total contrariedade com o sentimento de toda a população brasileira.

Dois dos principais pontos defendidos pela Ordem no projeto de combate à corrupção foram acatados pelo relator da Comissão Especial excluindo as possibilidades de restrições ao instituto do habeas corpus e da validação de provas produzidas por meios ilícitos.

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leonardo campos oabPresidente da Ordem dos Advogados do BrasilSeccional Mato Grosso (OAB/MT), Leonardo Campos, destaca que é dever da Ordem alertar a sociedade que determinados ator violam direitos fundamentais.

Tenho dito que à Ordem cabe defender a sociedade, ainda que dela mesma. Muitas vezes, diante da impunidade e intolerância a essa impunidade, a sociedade admite e aplaude flexibilização de direitos que são verdadeiras cláusulas pétreas conquistadas por essa mesma sociedade, inclusive com advogados pagando para termos esses direitos consagrados na Constituição com a própria vida. A OAB/MT não aceita determinados atos que ousem violar os princípios da ampla defesa e do contraditório”, disse.
 

Confira a nota oficial do presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, sobre as notícias a respeito da existência de um acordo para anistiar crimes de caixa dois:
 
“É surreal a possibilidade de a Câmara dos Deputados atuar em desconformidade com o interesse público, aprovando uma anistia para a prática criminosa do caixa dois e outros desvios relacionados, como corrupção e lavagem de dinheiro”.

O ordenamento jurídico atual já tem instrumentos para processar e punir esses crimes, por meio do Código Eleitoral e da legislação tributária. Uma nova lei teria como função recrudescer o combate ao crime e não anular o efeito das leis que já existem.

É impensável que detentores de função pública queiram usar a oportunidade ímpar de avançar no combate ao caixa dois para perdoar crimes do passado.

Os deputados federais, representantes da sociedade, devem respeitar os princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade em suas ações. Não podem legislar em causa própria.

“Caso esse acordo seja real e venha a prosperar, a OAB usará suas prerrogativas para defender a Constituição e a sociedade desse atentado à democracia.”

Parlamentares de Mato Grosso

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Parlamentares de diversos partidos querem aproveitar a oportunidade para aprovar uma anistia para todas as transações desse tipo praticadas até a criação da nova lei.

Porém, o plenário da Câmara dos Deputados, em uma articulação que une PT, PSDB, PMDB, PP, PCdoB, PTB e outros partidos com exceção do PSOL e Rede Sustentabilidade, prometem derrubar até 70% do projeto original por meio da aprovação de um substitutivo.

A proposta gerou protestos do Movimento Brasil Livre (MBL) e uma nota de repúdio do juiz federal do Paraná, Sérgio Moro, que conduz as ações penais derivadas da Operação Lava Jato.

Em Mato Grosso, a juíza da Vara Especializada em Combate ao Crime Organizado, Selma Arruda, gravou um vídeo em seu perfil na rede social Facebook na qual classificou de “golpe” a iniciativa dos parlamentares, pois, em sua avaliação, estão agindo para neutralizar as ações de promotores de Justiça e magistrados engajados no combate à corrupção.

Pelo menos, 3 parlamentares da bancada federal de Mato Grosso admitem votar a favor do projeto de lei que prevê anistia ao Caixa 2, dinheiro oficialmente não contabilizado e declarado à Justiça Eleitoral, que está programado para ser levado ao plenário da Câmara dos Deputados na terça-feira (29).

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Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso

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Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.

O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.

A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.

As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.

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De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.

Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.

A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.

O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.

O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.

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A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.

Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.

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