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Sorte em concursos públicos

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Autor: Francisney Liberato*

Aquele que não fantasia nem romantiza suas qualidades e limitações consegue encarar o que de fato precisa ser feito, até alcançar o que deseja.

Ouvia algumas pessoas dizerem que passar em concurso público era questão de sorte. Isso me deixava inquieto, visto que eu, mesmo querendo receber a tal da “sorte”, nunca conseguia obtê-la em minha vida, aliás, para mim, era uma desconhecida.

Como isso era algo que me deixava pensativo, resolvi investigar algumas pessoas que foram aprovadas em concursos públicos “na sorte”, e sabe o que eu descobri? Partindo do pressuposto da legalidade, a sorte citada tinha uma outra concepção, a qual resolvi testar na minha vida e deu certo.

A primeira sorte é: estudar o máximo que você puder! Como assim? Isso que você quer dizer que é ter sorte? Caros estudantes, isso é sorte, em outras palavras, a sorte é a sua capacidade de estudar o máximo de conteúdo que você conseguir. Se você tem oportunidades de estudar, considere-se uma pessoa sortuda. A preparação e o treino vão gerar grandes oportunidades de sorte para você, conforme escreveu Roberto Shinyashiki: Sorte é quando a oportunidade lhe encontra preparado.

A segunda sorte é: abrir mão de algumas regalias do presente para usufruir um futuro melhor. Eu tive que abrir mão, pelo menos momentaneamente, do lazer, das viagens, dos relacionamentos, parcialmente dos finais de semana e feriados, com a finalidade de conseguir conquistar o meu sonho. Eu digo, com toda a certeza, que valeu a pena fazer esse sacrifício momentâneo. Primeiro a obrigação, depois a diversão. Na época de concurseiro, eu deixei alguns momentos de jogar futebol para estudar, e, graças a Deus, o resultado chegou.

Já a terceira sorte para ser aprovado nos concursos é: cair na prova as matérias que você domina e que estão nítidas na sua memória. É algo muito prazeroso, após todo o sacrifício dos estudos, não há preço que pague ter a felicidade de encontrar questões na prova de conteúdos conhecidos por você.

A quarta sorte que eu acredito é: confiar em Deus. A premissa da confiança e fé em Deus foi extremamente importante para as minhas conquistas como concurseiro, visto que de todas as provas em que fui aprovado eu nunca conheci profundamente todo o conteúdo do concurso. Acredito que a fé, além de motivar, ajudará você a criar lógicas e links para buscar rapidamente na memória a matéria para resolver as questões da prova. Para conhecer sobre o poder de Deus, sugiro a leitura do meu livro “Singularidade”.

Com base nos pontos que descrevi, eu acredito em sorte. Agora, se você acha que ficar estático será o suficiente para conseguir alcançar êxito nas provas, tome cuidado para não se frustrar. Não conheço ninguém que não estuda e foi aprovado. Desconheço pessoas que levaram um dado de jogo de bozó na prova e ficaram lançando a sorte para escolher as alternativas das questões. Duvide de pessoas que não estudam e depois são aprovadas.

A melhor alternativa é a descrita neste texto: estudar muito, se preparar, ter a sorte de cair questões que estão vívidas na sua mente e, por fim, confiar em Deus. Vale registrar o que escreveu Ralph Waldo Emerson: Homens fracos acreditam na sorte. Homens fortes acreditam em causa e efeito”.

O que você tem feito para ser aprovado no concurso? Quais efeitos suas escolhas têm causado em sua vida, no momento presente? A sorte está lançada, e ela só depende de você. Quer ter sorte em concurso? Siga as recomendações dessa reflexão.

*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas. Escritor, Palestrante, Professor, Coach e Mentor. Mestre em Educação pela University of Florida. Doutor em Filosofia Universal Ph.I. Honoris Causa. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Vice-presidente da Associação Brasileira dos Profissionais da Contabilidade – ABRAPCON. Membro da Academia Mundial de Letras.

– Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz”, “Singularidade”, “Autocontrole”, “Fenomenal”, “Reinvente sua vida” e “Como passar em concursos – Vol. 1 e 2”, “Como falar em público com excelência”, “Legado”, “Liderança”, “Ansiedade” e “Mude sua vida em 50 dias Premium“.

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Artigos

Bolsa Família: emancipação, economia e a desconstrução do preconceito

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Autor: André Naves*

No debate público brasileiro, poucos temas despertam tantas paixões – e, infelizmente, tanta desinformação – quanto o Bolsa Família. Frequentemente reduzido ao rótulo superficial de “assistencialismo”, o programa é, na realidade, uma das tecnologias sociais mais sofisticadas do mundo para o enfrentamento da pobreza intergeracional. Ele não atua apenas no alívio imediato da fome; funciona como um estruturador de direitos fundamentais e um poderoso motor para as economias locais.

Compreender o Bolsa Família exige afastar o preconceito e fixar o olhar nos dados e na realidade constitucional. Longe de ser um sistema desordenado de distribuição de renda, o ingresso no programa obedece a critérios técnicos rigorosos através do Cadastro Único (CadÚnico). Funciona como um verdadeiro “raio-X” da vulnerabilidade social do país. Estar cadastrado, contudo, não é garantia de recebimento: a seleção é impessoal, automatizada mensalmente pelo governo federal e prioriza as famílias de menor renda com maior número de crianças e adolescentes.

O grande trunfo do programa – e um de seus pontos menos compreendidos – reside nas condicionalidades. O Estado não realiza uma mera transferência financeira; ele firma um contrato social. Para manter o benefício, as famílias precisam cumprir contrapartidas rígidas na saúde (como vacinação em dia e pré-natal) e na educação (frequência escolar mínima).

Essas regras não são burocracia. São mecanismos de proteção à infância e de ruptura do ciclo da miséria. Se uma criança falta à escola, o sistema emite um alerta precoce para que o poder público identifique a causa, seja ela o trabalho infantil ou a violência doméstica.

Outra crítica recorrente e infundada é a de que o programa “aprisiona” seus beneficiários. A atual arquitetura do Bolsa Família foi desenhada justamente para incentivar a formalização do trabalho por meio da chamada Regra de Proteção. Ao conquistar um emprego com carteira assinada, o cidadão não perde o benefício imediatamente: ele pode permanecer no programa por até dois anos recebendo 50% do valor. Essa rampa de transição suave garante a segurança econômica necessária para que o trabalhador aceite novas oportunidades e busque a autonomia sem o fantasma da fome imediata.

Em tempos de pós-verdade, combater mitos com dados científicos é uma questão de responsabilidade ética. Três grandes falácias caem por terra quando analisadas pelo retrovisor da ciência econômica:

O suposto “efeito preguiça”: pesquisas do Banco Mundial e do Ipea demonstram que a imensa maioria dos beneficiários adultos trabalha, mas na extrema precariedade da informalidade. O benefício é complemento, não substituto do salário.
O mito da natalidade: dados do Censo do IBGE provam que a taxa de natalidade segue caindo no Brasil, inclusive nas regiões de maior cobertura do programa. O valor pago por filho é insuficiente para cobrir os custos reais de criação, desidratando a tese de “ter filhos para ganhar mais”.
O destino do recurso: estudos de padrão de consumo mostram que o dinheiro é gasto majoritariamente em alimentação, remédios e material escolar. O impacto disso na economia é multiplicador: cada R$ 1,00 investido no programa gera um crescimento superior a R$ 1,70 no PIB, pois o recurso é injetado diretamente no comércio local.

O Bolsa Família não é uma política de submissão, mas de emancipação. Em uma sociedade estruturalmente desigual como a nossa, falar em meritocracia sem uma base material mínima é uma ilusão cruel. Ao garantir nutrição e escola para as novas gerações, estamos investindo no capital humano e na estabilidade do país. Enxergar o programa como investimento, e não como gasto, é o primeiro passo para consolidar um futuro verdadeiramente justo.

*André Naves é Defensor Público Federal especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política, Comendador Cultural, escritor e professor. Saiba mais em www.andrenaves.com ou em suas redes sociais @andrenaves.def.

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