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Miguel Vaz Ribeiro: – Força do agro em tempos de pandemia
Força do agro em tempos de pandemia
Autor: Miguel Vaz Ribeiro –
O Brasil e o mundo enfrentam um inimigo invisível, que está paralisando economias de várias potências e lançando incertezas sobre o futuro da economia mundial. Governos e mercados financeiros fazem projeções diárias do impacto que o Covid-19 provoca em vários setores, principalmente, nos essenciais.
Olhando para o principal setor da economia do país, o agronegócio, é perceptível que este enfrenta a crise com uma certa estabilidade, até o momento. O Brasil possui um superávit de alimentos e, mesmo que os portos fiquem paralisados, o que não está previsto, o país não precisará importar comida, pois há alimentos estocados suficiente para alguns meses, isso sem contar as safras que ainda serão colhidas.
O otimismo se transforma em preocupação quando o assunto é logística e transporte de grãos. Apesar de o Governo Federal ter garantido, por meio de decreto presidencial, que o transporte de carga — assim como os serviços médicos, segurança pública e abastecimento de alimentos, entre outros — é uma atividade essencial, e, portanto não deve ser interrompida no período de combate ao coronavírus, as ações em nível municipal e estadual devem ser coordenadas para evitar prejuízos e interrupções do abastecimento.
Alguns municípios proibiram, por meio de decreto, o transporte de grãos para outras localidades. Limitando, inclusive, o funcionamento dos armazéns de grãos da cidade apenas para “recebimento da colheita municipal, sendo vedado o escoamento para fora”.
É necessário ter em mente, nesse momento, que garantir o abastecimento e a circulação de bens no país é tão importante para a população e para a economia, quanto os esforços para não permitir que o Covid-19 se alastre. Para isso, é preciso cuidar desses profissionais e dar condições para que exerçam suas atividades com segurança e estrutura, evitando qualquer tipo de contato no momento da fiscalização e do embarque dos grãos.
Por isso, é importante reconhecer os esforços do Ministério da Infraestrutura que anunciou, suspendendo, em caráter emergencial, postos com balanças de pesagem (fiscalização do peso dos veículos) nas rodovias federais por 90 dias.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), orienta que o setor agropecuário nos municípios converse com as prefeituras para reverter qualquer eventual fechamento de agroindústrias ou comércio de insumos em virtude da pandemia.
As prefeituras precisam se manter coesas com os governos estadual e federal, afinal, todos os insumos ou derivados da cadeia produtiva de alimentos estão resguardados pelo decreto presidencial que visa o livre trânsito, seja transporte de cargas em geral, seja de insumos e produtos que são base de alimentos para a população.
Olhando para as exportações, o otimismo volta à tona ao observar as informações do grupo criado pela CNA para monitorar a crise e realizar levantamentos sobre a situação de mercados e produtos, cujos boletins apontam que não há interrupção nas exportações de bens agropecuários brasileiros. Podemos citar como exemplo as exportações à China, que entre janeiro e fevereiro, houve aumento de 9,7% no comércio de grãos, óleos e alimentos no país.
As principais commodities agrícolas, como soja, milho e café, apresentaram queda nos preços internacionais. No entanto, em função da alta do dólar, os preços reais não foram impactados. Para o setor sucroenergético e o algodão, o maior problema é a guerra do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita, que derrubou os preços nestes setores.
Uma questão a ser observada com o dólar em alta, é que o aumento de rentabilidade do agro pode gerar a falsa sensação de que o setor está lucrando neste momento difícil. Como alguém vai ter que pagar a conta ao final desta pandemia, o agronegócio pode ser encarado pelo Governo Federal como o setor com as melhores condições para ajudar na retomada do crescimento. Isso precisa ser observado com cautela e o setor, tanto em nível federal quanto estadual, está aberto para dialogar, tendo em vista o bem maior da população, sem penalizar os empresários do agronegócio, que geram emprego e renda e é tão importante para o PIB brasileiro.
O que podemos aprender com esta turbulência que atinge também a economia? Ainda que o agro represente elevada importância na balança comercial, em Mato Grosso ainda estamos muito distantes no que se refere a agregação de valor. Já vivenciamos outros momentos, quando o mercado de grãos esteve em níveis de preços abaixo dos custos e, por sermos simples produtor de matéria-prima, desencadeou, além de uma forte crise no setor, a redução drástica nas receitas do Estado e municípios. Precisamos agregar valor como meta permanente. Este é o nosso caminho!
Miguel Vaz Ribeiro é produtor rural, empresário e membro do conselho executivo da Fiagril
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Pedágio, investimentos e desenvolvimento: o que está por trás de uma concessão rodoviária
Autor: Luiz Sette* –
Transferência da gestão para a iniciativa privada não significa perda do patrimônio público, mas sim a garantia de investimentos contínuos
É preciso desmistificar algumas percepções já consolidadas quando o assunto são as concessões rodoviárias. Muitas pessoas acreditam que, ao conceder uma rodovia à iniciativa privada, o Estado está automaticamente “vendendo” aquele patrimônio público para uma empresa. Na prática, não é isso que acontece.
Quando uma rodovia é concedida, o poder público continua sendo o proprietário da infraestrutura. O que ocorre é a transferência da responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos para uma empresa privada durante um período determinado, seguindo regras, metas e obrigações previamente estabelecidas em contrato.
E é impossível falar sobre concessões sem abordar um tema que costuma gerar debates: o pedágio. É importante esclarecer que a tarifa não representa uma fonte automática de lucro para a concessionária. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção permanente da rodovia, recuperação do pavimento, conservação da sinalização, atendimento aos usuários, operação de ambulâncias e guinchos, monitoramento do tráfego, ampliação da capacidade da via e ao cumprimento de uma série de exigências ambientais e operacionais previstas contratualmente.
A experiência da MT-130 ajuda a ilustrar essa realidade. Desde o início da concessão, em 2021, a Rota dos Grãos já investiu mais de R$ 234,4 milhões em manutenção, recuperação e ampliação da capacidade da rodovia, além da implantação de sistemas operacionais e de gestão ambiental. São investimentos que contribuem diretamente para a segurança dos usuários, a eficiência logística e o desenvolvimento regional.
Também é importante lembrar que uma rodovia não funciona apenas quando há obras em andamento. Ela exige atenção permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa manter equipes de conservação em campo, equipamentos disponíveis para emergências, monitoramento constante, atendimento médico, guinchos e uma estrutura operacional preparada para responder rapidamente a qualquer ocorrência. Tudo isso demanda planejamento e investimentos contínuos.
No caso da MT-130, os resultados vão além da própria infraestrutura. Uma rodovia em melhores condições reduz custos de transporte, aumenta a segurança viária, melhora a mobilidade da população e fortalece a competitividade de setores fundamentais para a economia mato-grossense, como o agronegócio. Trata-se de um investimento que gera reflexos positivos para produtores, transportadores, empresas e comunidades inteiras.
Não poderia deixar de destacar ainda que a segurança viária é uma construção coletiva. A concessionária tem o papel de garantir uma infraestrutura adequada, sinalização eficiente, atendimento aos usuários e uma operação preparada para diferentes situações, mas cada pessoa que utiliza a rodovia também contribui diretamente para um trânsito mais seguro. Atitudes conscientes, respeito às normas de circulação e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para preservar vidas e garantir que os investimentos realizados na infraestrutura cumpram seu principal objetivo: tornar as viagens mais seguras para todos.
Por fim, o futuro da segurança viária também passa pela adoção de novas tecnologias que já estão transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Soluções baseadas em Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), telemetria e sistemas inteligentes de monitoramento têm ampliado a capacidade de prevenção de acidentes, permitindo identificar comportamentos de risco, acompanhar sinais de fadiga dos condutores, aprimorar a fiscalização e tornar a gestão do tráfego mais eficiente. Recursos como câmeras inteligentes, videotelemetria, sistemas de assistência ao motorista e tecnologias de pesagem em movimento representam uma nova geração de ferramentas que podem contribuir para rodovias mais seguras.
Esse debate precisa avançar também em Mato Grosso, um estado com dimensões continentais e uma das maiores movimentações logísticas do país, onde investimentos em inovação devem ser tratados como prioridade para preservar vidas e melhorar a eficiência do transporte.
O debate sobre concessões é legítimo, necessário e saudável. Mas ele precisa estar fundamentado em informações, dados e transparência. Quando a sociedade compreende como esse modelo funciona, torna-se mais fácil avaliar seus desafios, fiscalizar sua execução e reconhecer os benefícios que ele pode proporcionar para a infraestrutura e para o desenvolvimento das regiões atendidas.
Mais do que administrar uma rodovia, uma concessionária tem a responsabilidade de garantir que ela continue cumprindo sua função de conectar pessoas, impulsionar a economia e contribuir para o crescimento sustentável das cidades que dependem dela.
*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga
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