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Conheça as etapas da fala da criança

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Autora: Vanessa Moraes*

Logo após o nascimento, ou até mesmo no útero, você já pode começar a estimular a capacidade da linguagem no bebê.

Não importa em qual língua o bebê será criado: antes de falar, ele irá balbuciar,gritar e fazer uma série de sons engraçados.

Aprender a falar é um processo que começa no nascimento, quando o bebê experimenta com sua própria voz.

Entre os 5 e 6 meses, o bebe adquire entonação e ritmo, após 6 meses a criança passa a emitir sons com maior elaboração, como consoantes e vogais. Próximo a completar 1 ano, o bebê já consegue formular algumas sílabas.

Por volta dos 12 meses, o bebê começa a emitir mais sons e a tentar dizer as palavras que os pais ou pessoas próximas falam, aos 2 anos repete as palavras que ouve e diz frases simples com 2 ou 4 palavras e aos 3 anos consegue falar informações mais complexas como sua idade e sexo.

É preciso ficar atento aos seguintes sinais: aos 12 meses de idade a criança ainda não faz gestos como “tchau” com as mãos; se aos 18 meses ainda não compreende bem as palavras ou não imita sons; se aos 24 meses não fala frases completas ou apenas imita sons uma avaliação médica criteriosa do bebê se faz necessária. Entre as causas mais frequentes de atraso da linguagem encontram-se a perda auditiva, o atraso de desenvolvimento, a prematuridade, o autismo e a falta de estimulação.

São vários os fatores que podem interferir no desenvolvimento da fala de uma criança. Os principais são: dificuldade auditiva, falta de estímulos adequados, excesso de Ipad ,joguinhos no celular, muita TV, pouca brincadeira, dificuldades cognitivas, síndromes genéticas, dificuldades na motricidade oral (crianças que respiram mal, que tem adenóides aumentadas e podem respirar muito tempo pela boca e isso prejudicar toda a musculatura dos órgãos fonoarticulatórios e isso afetar o desenvolvimento da fala), alimentação (criança que come mal, tudo amassado, pastoso, muito biscoito que derrete na boca sem precisar mastigar, usa bico da mamadeira com furo aumentado), autismo, mutismo seletivo (diagnóstico psicológico feito por neurologista ou psiquiatra infantil, distúrbio específico de linguagem, apraxia da fala (distúrbio motor que afeta a programação e a execução dos movimentos da boca, língua,dos lábios, da mandíbula,etc,para falar; a criança quer falar mas não consegue falar.

Como estimular o bebê a falar?

1- Observe e encoraje: o bebê dá alguns sinais antes de falar bem. Ele pode estender seus braços para cima para sinalizar que deseja estar no colo, entregar o brinquedo para convidar um adulto a brincar ou empurrar a comida para longe de si para mostrar que está satisfeito. Nessas situações, sorria, faça contato visual e responda para encorajá-lo a, aos poucos, expressar-se pela fala. Parabenize-o por suas tentativas de fala, pois os bebês aprendem e são encorajados a falar quando os pais aprovam seu comportamento.

2- Ouça e converse com o bebê: quando o bebê balbuciar (emitir sons sem significados), responda balbuciando ou usando palavras. Ele tem a tendência a imitar os sons que os pais estão fazendo, variando o tom e entonação para se adequar a linguagem falada a sua volta. Tire um tempinho para “conversar” com ele todos os dias.

3- Use frases elaboradas: para que a criança desenvolva a linguagem, use frases mais elaboradas quando estiver conversando com ele. Por exemplo, quando ele apontar para um brinquedo diga: “Você quer brincar com este brinquedo?” Brincar com ele é divertido , não é mesmo? Não diga simplesmente: “Você quer o brinquedo?”

4- Narre o que vocês estão fazendo: vá narrando o que está fazendo. Enquanto estiver colocando sua roupa, diga que agora vai colocar a calça azul, depois a blusa branca, depois as meias estampadas de coelhinhos e assim por diante. Aproveite também outros momentos do dia como o do banho e da refeição para fazer isso.

5- Tente entender o que ele quer: não fique impaciente quando o bebê não sabe falar direito. Seja paciente e estabeleça um diálogo até compreender o que ele está tentando expressar;

6- Brinque com o bebê: nada melhor do que brincar para ajudar o desenvolvimento da linguagem. Durante a brincadeira, converse com ele, deixe que ele use sua criatividade e que crie suas próprias historinhas em diversos momentos do dia

7- Leia para o bebê: se ele tem um boneco chamado “Zezé”, por exemplo, pergunte se o “Zezé” pode participar do banho. Estimule durante o banho dizendo: “Agora o que você vai lavar? Os pés? O rosto?”

8- Nomeie objetos para ajudar o bebê a construir seu vocabulário, nomeie os objetos que está usando como “copo, prato, escova de dente e roupa.” Dê o objeto a ao bebê e pergunte qual o nome daquilo;

9- Escute música: é uma atividade prazerosa, divertida e que pode estimular muito a linguagem do bebê. Além de cantar músicas infantis, coloque outras canções que ele gosta para tocar. Estimule-o a aprender a letra, mesmo que no início apenas imite a entonação das palavras.

Agora é só curtir as primeiras palavras do bebê. E, se elas não aparecerem , temos que investigar e intervir adequadamente! Para saber mais sobre audição e perda auditiva acesse @fonovanessamoraes.

*Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista na Sonicon.

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Artigos

A democracia refém de partidos enfraquecidos

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Autor: Luiz Carlos Borges da Silveira*

A democracia depende de partidos políticos fortes, com identidade ideológica, organização e militância ativa. Quando os partidos são sólidos, a sociedade participa mais intensamente da vida política e o debate público ganha qualidade. Antes de 1964, o Brasil possuía partidos com identidade política bem definida e significativa participação popular. Com o regime militar instaurado naquele ano, o sistema partidário foi extinto e substituído pelo bipartidarismo, representado pela Arena e pelo MDB, reduzindo a pluralidade política. Com a redemocratização, na década de 1980, a criação de novos partidos foi novamente permitida. Entretanto, esse processo ocorreu de forma desordenada, favorecendo, em muitos casos, interesses pessoais e projetos eleitorais em detrimento da construção de instituições partidárias consistentes.

A eleição presidencial de 1989, a primeira por voto direto após o fim do regime militar, representou um exemplo da força dos partidos políticos. As principais legendas apresentaram seus candidatos: Ulysses Guimarães (MDB), Leonel Brizola (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Afif Domingos (PL), Aureliano Chaves (PFL), Mário Covas (PSDB), Roberto Freire (PCB) e Fernando Collor de Mello (PRN). O sistema eleitoral em dois turnos foi concebido justamente para permitir que cada partido apresente seu projeto à sociedade no primeiro turno e, posteriormente, construa alianças no segundo. Esse mecanismo fortalece o debate democrático e valoriza as propostas partidárias. Entretanto, o resultado daquela eleição produziu um efeito contrário ao esperado.

A vitória de Fernando Collor, por um partido de pouca expressão nacional, desestimulou as grandes legendas a lançarem candidatos próprios nas eleições seguintes. Aos poucos, os partidos perderam protagonismo, enquanto as candidaturas individuais passaram a ocupar o centro da disputa política. Ao longo dos anos, mudanças na legislação eleitoral contribuíram para esse enfraquecimento. As comissões provisórias passaram a substituir diretórios legitimamente eleitos, permitindo que decisões locais fossem submetidas aos interesses das cúpulas nacionais. Com isso, os filiados perderam espaço na definição dos rumos de seus próprios partidos. Também desapareceram as disputas internas pelos diretórios, que eram momentos importantes de mobilização, participação e fortalecimento da democracia partidária.

A criação do Fundo Partidário, embora tenha o objetivo de financiar o funcionamento das legendas, concentrou grande poder nas direções nacionais, que passaram a decidir, quase sem controle interno, a distribuição desses recursos. Outro fator que contribuiu para a distorção do sistema político foi a ampliação das emendas parlamentares. Além das frequentes críticas quanto à falta de transparência e aos riscos de mau uso dos recursos públicos, elas fortaleceram o poder eleitoral dos parlamentares em exercício, dificultando a renovação política e reduzindo as oportunidades para novos candidatos. Como consequência, muitos cidadãos idealistas e bem-intencionados passaram a se afastar da atividade política. Um verdadeiro político — com “P” maiúsculo — trabalha pensando nas próximas gerações. Infelizmente, no Brasil de hoje, salvo raras exceções, muitos políticos parecem trabalhar apenas em função das próximas eleições. Essa lógica fez com que os partidos passassem a dedicar mais atenção às eleições legislativas do que às disputas pelo Poder Executivo.

Quanto maior o número de deputados eleitos, maiores são os recursos do Fundo Partidário, o acesso ao Fundo Eleitoral e o poder de negociação das legendas junto ao governo. Mais uma vez, às vésperas de uma eleição presidencial, assistimos a partidos liberando seus dirigentes e parlamentares para apoiarem candidatos diferentes daquele oficialmente indicado pela legenda, conforme as conveniências políticas e eleitorais de cada momento. O fortalecimento das instituições partidárias cede lugar aos interesses circunstanciais. É triste constatar esse cenário. O Brasil é um país de dimensões continentais, rico em recursos naturais, talentoso em seu povo e profundamente abençoado. Merece uma democracia mais sólida, partidos mais representativos e uma política comprometida com o interesse público e com o futuro da nação.

*Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal.

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