Artigo
Como economizar
Autor: Francisney Liberato* –
É de grão em grão que a galinha enche o papo.
Como economizar? Como juntar mais dinheiro? Como manter o seu dinheiro sobrando? Essa é uma fórmula de sucesso, saber viver bem e ainda assim juntar recursos para a vida.
Vale recordar a conhecida frase dita pela sabedoria popular: “Dinheiro não aceita desaforo!”. Sabendo disso, não precisamos esperar o mal acontecer para cuidar mais dos nossos recursos. A necessidade é hoje e urgente.
Daquilo que você recebe hoje, quanto economiza para uma reserva e/ou investimento? Você guarda dinheiro para os imprevistos da vida? Como tens tratado o seu dinheiro? Saber cuidar dos recursos é fundamental para uma vida mais próspera.
Como economizar mais? Das suas despesas mensais, fixas e variáveis, você as estuda para saber se realmente são despesas que precisariam existir? Será que você não está gastando dinheiro com coisas supérfluas?
Temos de “fechar a torneira que está pingando água todos os dias”, do contrário, a conta chegará e virá cara. Como assim? Se você não economizar nas pequenas despesas e nas desnecessárias, ao somá-las ao final do mês, perceberá que a conta ficou alta e que, na realidade, nem precisaria gastar com algumas delas.
Assim, analise as suas despesas de pequena monta e veja se não há algumas desnecessárias e que poderiam ser cortadas. Exemplo: compra de 10 sorvetes no mês. Dá para reduzir para cinco por mês? Se sim, e eu creio nisso, já haverá uma economia de despesas supérfluas para o somatório do mês.
Não siga o padrão de vida de outra pessoa. Com as mídias digitais, os influencers, o consumismo e alguns amigos que temos, pode ser que em algum momento nos sintamos tentados a reproduzir aquela vida imaginada, ou até competir com essa vida. No caso dos amigos que detêm mais recursos, temos a tendência de segui-los em suas gastanças. O problema é que eles ganham mais e, a princípio, podem gastar mais; já você, ganha menos, e então deveria gastar menos.
Esse consumismo tem assolado a vida das pessoas. São muitas propagandas. A ideia emocional de que comprar para estar mais feliz é uma cilada, já que a conta chegará e a tristeza é certa. As influências externas têm feito os indivíduos gastar mais do que deveriam.
É importante ter metas para cortes de despesas. Avalie se todas as despesas que possui são extremamente necessárias. Estabeleça metas de redução, mais ou menos assim, reduzir 10% das despesas em três meses. Quais são as despesas que vai cortar ou economizar? Enumere todas elas. Você também pode fixar metas por grupo de despesas, tais como: moradia, alimentação, vestiário, lazer etc.
Há também metas para juntar dinheiro. Eu acredito no crescimento constante e permanente, ou seja, é um crescimento sólido e perene para a vida. Na questão financeira, você estabelecerá metas, por exemplo, juntar cinco reais por semana, no mês, já teremos 20 reais. Se multiplicarmos os cinco reais por 52 semanas (que são as semanas aproximadas em um ano), teremos 260,00 de poupança. O mais importante do dinheiro que poupou é você ter desenvolvido o hábito de economizar.
Se você tem dívidas e empréstimos, analise a possibilidade de redução de juros. Como faremos isso? Ligar para o seu gerente para quem sabe, quitar uma dívida substituindo por outra de juro menor ou entrar em contato com outros bancos para trocar as dívidas etc. Se for possível quitar e não emprestar, melhor ainda, pois não pagará juros e encargos do capital emprestado. Aproveite os feirões de negociação de dívidas.
A mesma ideia para os empréstimos. Nós devemos fazer as negociações para cada grupo de despesas, isto é, negociar uma a uma para tentar a possibilidade de redução no valor da conta. Exemplo: se o seguro do seu carro está vencendo e você pagou 2 mil reais, na renovação, lute por um valor menor, nem que com isso você troque de seguradora.
Nas compras, sempre faça uma boa pesquisa antes de comprar, pois a economia será certa. Algumas empresas oferecem o instituto do cashback, que é o retorno de parte do valor pago, exemplo, comprei um notebook há um tempo por 3.400 reais e recebi quase 500 reais de cashback. Meses depois, utilizei os 500 reais para comprar outro produto. Quando for ao mercado, leve uma listinha de compras, para não ultrapassar a sua meta.
Compre aquilo que é necessário e não por ser barato. Às vezes, compramos por impulso e depois nem utilizamos o que foi adquirido. Faça a pergunta antes de comprar: eu mereço fazer essa compra? Será que realmente preciso desse produto?
Aprenda a dizer “não”. Só faça ou viva aquilo que está dentro de suas finanças. Não se aventure, uma vez que o estresse e o transtorno serão grandes.
Fuja ou administre bem os cartões de crédito. Eles são tentadores e arrebentam com as nossas finanças.
Se for possível, pague sempre à vista. Cuidado com os limites e créditos fáceis, pois se livrar deles depois exigirá uma força descomunal.
Em suma: economize na água, energia elétrica, comida, mensalidade de aplicativos, cabeleireiro, roupas etc.
É salutar entender que precisamos conhecer bem os nossos recursos, as receitas e as despesas. Não confie na sua memória, faça anotação de tudo em meio virtual ou manual. Parece um tanto óbvio, mas é bom lembrar que você tem de gastar menos do que ganha.
Da sobra de recursos, a regra é aplicá-la para que ela se multiplique cada vez mais. Dinheiro parado não serve para nada, assim, avalie as suas condições e crie o hábito de aplicar o seu dinheiro.
Não tenho dúvida que a economia realizada traz à vida resultados grandes e satisfatórios Porém, até essas orientações se tornarem hábitos levará alguns dias. Tenha paciência e seja persistente, pois logo a sua gestão financeira chegará a “outro patamar”.
*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.
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O que o cinema ensina a uma geração moldada pelo clique?
Autora: Poliana Maluf* –
Existe uma transformação silenciosa na forma como as crianças se relacionam com o tempo. Acostumadas ao ritmo frenético das telas de bolso, onde qualquer fração de segundo de tédio é interrompida pelo deslizar de um dedo, a nova geração enfrenta uma crise invisível de atenção. Em um ecossistema digital projetado para a recompensa imediata e a fragmentação constante, a capacidade de sustentar o foco em uma única história tornou-se uma habilidade rara. É precisamente nesse cenário de aceleração que a sala de cinema deixa de ser apenas um espaço de entretenimento para se converter em um ato de resistência pedagógica e afetiva.
Diferente dos vídeos curtos que entregam estímulos prontos e superficiais a cada três segundos, o cinema exige o exercício da permanência. Ao sentar diante de uma grande tela, a criança é convidada a aceitar o tempo da narrativa: o silêncio que antecede o conflito, a pausa que constrói a atmosfera e o desenvolvimento gradual dos personagens. A escuridão da sala e a ausência de botões para pular cenas não funcionam como restrições, mas como uma moldura de proteção. Ali, o cérebro infantil descobre que o encanto não mora na velocidade da troca de imagens, mas na profundidade do enredo.
Essa desaceleração forçada produz efeitos profundos no repertório cognitivo e emocional dos pequenos. Ao sustentar a atenção durante noventa minutos, a criança aprende a lidar com a expectativa e a tolerar a ausência da recompensa instantânea. O cinema ensina que os melhores desfechos dependem da construção, que os conflitos exigem maturação e que a complexidade das relações humanas não cabe em recortes de quinze segundos. Trata-se de um treino direto de paciência narrativa, elemento fundamental para o desenvolvimento da empatia, do raciocínio crítico e da leitura de mundo.
Mais do que isso, essa imersão contínua abre espaço para o pensamento próprio. Quando o olhar não é atropelado por uma avalanche ininterrupta de estímulos, a mente da criança ganha brechas para questionar o que vê, fazer pontes com a sua vida e construir significados que pertencem só a ela.
Cultivar o hábito de levar as crianças ao cinema não é uma tentativa nostálgica de combater a tecnologia, mas um compromisso consciente com a saúde do olhar infantil. Ensinar uma criança a sustentar o tempo de um filme é devolver a ela o direito à contemplação, à imaginação profunda e à escuta atenta. Em um mundo que exige pressa, o cinema ensina a infância a desacelerar e a descobrir a beleza de permanecer até o final.
*Poliana Maluf é produtora audiovisual, estrategista criativa brasileira radicada em Los Angeles e autora de “Poppy e a Tela Gigante”, livro infantil que une sua experiência no universo cinematográfico à vontade de criar histórias que despertem a imaginação das crianças.
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