Política
“Verticalização da produção tem que vir acompanhada de qualificação profissional”
Fávaro destacou que é fundamental que existam parcerias público-privadas, mas o estado deve ser o indutor desse processo
Verticalizar a produção e capacitar a mão-de-obra. A união desses dois fatores foi evidenciada pelo presidente regional do Partido Social Democrático (PSD) em Mato Grosso e pré-candidato ao Senado da Republica, Carlos Henrique Baqueta Fávaro, durante sua visita, nesta semana, aos municípios da região do Médio Norte de Mato Grosso.
Em sua passagem por Diamantino, Nortelândia, Arenápolis e Denise, Fávaro ressaltou que a criação de agroindústrias voltadas para atender a produção local potencializa os negócios, porém a qualificação profissional é fundamental para o efetivo crescimento econômico e social das cidades.
“Em Lucas do Rio Verde, por exemplo, foi instalada a indústria FSBionergia, primeira usina de etanol do país que utiliza somente o milho como matéria-prima, que trouxe mão-de-obra de outros estados e até de outros países, pois não havia pessoas capacitadas por aqui. É necessário verticalizarmos a produção, mas qualificar o nosso povo para crescer junto com a economia. Mato Grosso tem que estar voltado para os mato-grossenses“, disse.
Segundo ele, a região do Médio Norte produz muito, “mas existem ilhas de prosperidade e outras que enfrentam muitas dificuldades. A realidade de muitos municípios como Sapezal e Lucas do Rio Verde, por exemplo, é diferente de cidades como Nortelândia e Denise. Mato Grosso não terá uma indústria automobilística nos próximos 20 anos, pois a nossa vocação é produzir alimento com preço bom e de qualidade para vender para qualquer lugar do mundo. Por isso, temos que ter indústrias para processar nossa matéria-prima e gente capacitada para trabalhar com as oportunidades que surgirem“.
Para ele, existem muitas possibilidades para verticalizar a produção na região. “Aqui podem ser instaladas indústrias para processamento de frutas e da cadeia leiteira, já que há uma grande concentração de produtores da agricultura familiar. Além disso, essa região pode investir em piscicultura e se tornar um polo de confecção, pois existe cultura do algodão em vários municípios. Aliado a isso, as instituições de ensino, como a Unemat e o IFMT devem oferecer cursos que atendam as necessidades de cada região, porque é somente com a educação que vamos revolucionar Mato Grosso“, enfatizou.
O prefeito de Diamantino, Eduardo Capistrano (PDT), concordou com o posicionamento do presidente do PSD e destacou as dificuldades enfrentadas pelo município, que é o segundo mais antigo do estado. “Assim como a nossa cidade, muitas passam pelas mesmas dificuldades. Temos que buscar soluções para agregar valor à produção local”. O prefeito de Nortelândia, Jossimar José Fernandes, o “Zeno” (PSD),também está em busca de soluções para melhorar a economia do município. “Estamos trabalhando a cadeia produtiva do leite, mas estamos tendo dificuldades para investir por falta de recursos. Precisamos de repasses estaduais e federais para isso“.
Fávaro destacou que é fundamental que existam Parcerias Público Privadas (PPP), mas o estado deve ser o indutor desse processo. “Uma pequena propriedade nunca conseguirá competir com uma grande, mas dá sim para produzir e ganhar dinheiro. Municípios com a economia exaurida precisam do auxílio do estado para produzir e se desenvolver. Além disso, temos que criar condições para que os filhos da terra tenham oportunidade em suas próprias cidades, onde possam estudar e trabalhar sem ter que se afastar de suas famílias“, afirmou.
ROTEIRO – Carlos Fávaro, que está acompanhado de lideranças partidárias do PSD, deu início às viagens ao Médio Norte nesta quarta-feira (06).
A visita faz parte de uma série de viagens que Fávaro tem feito pelo interior para se reunir com líderes do partido e discutir com a população e empresários locais propostas de melhorias para os municípios. Nesta semana, o pré-candidato se reuniu com prefeitos, vereadores, produtores e trabalhadores rurais e comunidade em geral.
Até este sábado, a comitiva visitou sete cidades: Diamantino, Nortelândia, Arenápolis, Denise, Brasnorte, Tangará da Serra e Nova Olímpia. Nesta sexta-feira (08), a agenda foi em Tangará da Serra com o prefeito, Fábio Junqueira (PMDB) e, em seguida, na Câmara Municipal com vereadores da cidade.
O presidente do PSD estadual Carlos Fávaro também se reunirá com produtores rurais, empresários e lideranças do PSD. Neste sábado (09), ocorreu uma reunião com o prefeito Zé Elpídio (PSD) e lideranças do partido.
Também participam da agenda o deputado estadual Wagner Ramos, o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, o secretário-geral do partido em Mato Grosso, Stephano do Carmo, e o representante do PSD Jovem, Cleiton Miranda.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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