Política
TCE conhece atual quadro financeiro e fiscal do Estado e avalia como ajudar
Mato Grosso não está sozinho entre os estados em dificuldades. Os 26 estados e o Distrito Federal somam um rombo fiscal de bilhões nas contas publicas. O número representa uma piora nas contas de 17 Estados em relação ao resultado que tinham no mesmo período de 2016, de acordo com levantamento feito pelo Blog do Valdemir com informações que foram apresentadas com dados do Tesouro Nacional.
Das 27 unidades da federação, 20 estão no vermelho. Esse resultado já impacta serviços básicos e projetos de muitos governos estaduais.
O levantamento feito aponta que ao menos 16 estados mais o DF cortaram investimentos nos últimos dois anos. Além disso, 14 informaram que têm obras paradas ou atrasadas por falta de dinheiro. E ainda há 8 Estados com atrasos de salários de servidores e 16 que não pagaram em dia os fornecedores.
Escalonamento de salários, redução do horário de trabalho dos servidores e atraso no repasse para a Saúde e o duodécimo dos Poderes.
O Estado de Mato Grosso é mais um dos estados brasileiros afetados pela crise econômica pela qual passa o país. No segundo semestre de 2016, o Governo do Estado tomou medidas para tentar cortar despesas e, assim, conseguir honrar compromissos, entre eles o do pagamento do salário dos servidores. E conforme a própria Secretaria Estadual de Fazenda (SEFAZ), com os cortes e apertos no cinto, não tem sobrado dinheiro em caixa para novos investimentos.
Esta semana, o governador Jose Pedro Taques (PSDB), esteve reunido com o conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), Gonçalo Domingos de Campos Neto, e aos demais conselheiros juntamente com toda a equipe econômica para apresentar os números do governo e o atual quadro financeiro e fiscal da administração estadual.
A equipe econômica apresentou números referentes ao repasse do duodécimo aos Poderes, folha salarial dos servidores públicos, previdência, receitas e despesas; e anunciou algumas medidas que estão sendo tomadas para equalizar a arrecadação e os gastos. Também solicitou apoio do TCE/MT para enfrentar a crise econômica que o Estado atravessa.
“Eu pedi uma reunião com todos os conselheiros do Tribunal de Contas para que nos pudéssemos fazer um panorama das contas do Estado nesse início de 2018. Conversamos aqui tecnicamente, republicanamente mostrando os pontos de dificuldade, os desafios que o poder Executivo e o estado de Mato Grosso tem para serem superados. Foi uma conversa muito produtiva”.
O presidente Domingos de Campos Neto disse que todos os temas conversados no encontro serão discutidos na reunião do colegiado, com a presença de todos os conselheiros, e que vão estudar alternativas para o enfrentamento da crise econômica que assola as contas publicas do Estado de Mato grosso. Disse ainda que, como órgão de controle externo, o TCE estudará formas de contribuir com o governo e, consequentemente, melhorar a vida do cidadão mato-grossense.
“Foi muito bem apresentado pela equipe técnica do governador a situação real do estado. Como aqui é um órgão de controle, será debatido tecnicamente o que pode ser feito para ajudar na melhoria da arrecadação do estado, a melhoria na economia para que o déficit seja superado, melhorando assim a vida do cidadão mato-grossense”.
A informação foi repassada pelo presidente do órgão, o conselheiro Domingos Neto, após reunião com o governador Pedro Taques e sua equipe econômica.
O encontro faz parte da programação do Executivo de debater com todos os poderes e órgãos da administração pública a situação fiscal de Mato Grosso, além de apresentar informações sobre o novo fundo, anunciado por Taques no início do mês e que terá a função de assegurar fluxo de caixa até que as medidas do novo regime de recuperação fiscal surtam efeito.
Participaram da reunião Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, além do presidente, Gonçalo Domingos de Campos Neto os conselheiros Luiz Henrique Lima (vice-presidente), Isaías Lopes da Cunha (corregedor-geral), Jaqueline Jacobsen Marques, Ronaldo Ribeiro e João Batista Camargo.
Pelo governo do Estado de Mato Grosso, além do governador José Pedro Gonçalves Taques, estavam presentes o secretário de Fazenda, Rogério Gallo, de Planejamento, Guilherme Müller, da Casa Civil, Max Russi, e de Gestão, Júlio Modesto.
Política
Articulação de Mauro Carvalho consolida “Aliança Ampla” e isola adversários políticos
O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, cravou de forma categórica a inclusão do Podemos no arco oficial de alianças que sustentará o projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta do partido Republicanos. A declaração, proferida em Cuiabá durante a inauguração da nova sede do partido governista, reorganiza o tabuleiro político local ao formalizar o apoio de uma das legendas mais cobiçadas do estado. O anúncio oficial impacta diretamente as estratégias de oposição e solidifica a base aliada em torno do atual chefe do Executivo estadual.
A manifestação pública ocorreu durante a solenidade de inauguração da nova sede do Republicanos na capital mato-grossense, um evento que reuniu as principais lideranças da direita e do centro no estado. O momento escolhido para a declaração não foi casual, aproveitando a forte presença da imprensa e de correligionários para demonstrar força institucional. O anúncio serviu como uma demonstração de unidade política em um período crucial de definições partidárias, transformando o ato inaugural em um palanque de consolidação de poder.
A confirmação da aliança pelo chefe da Casa Civil visa neutralizar potenciais fraturas internas e consolidar a pré-candidatura de Otaviano Pivetta ao Palácio Paiaguás, reduzindo o espaço de manobra de candidaturas concorrentes. Ao antecipar a composição partidária. Mauro Carvalho busca transmitir uma imagem de estabilidade e governabilidade, atraindo novas legendas para o consórcio governista. A estratégia também atua como um desincentivo para que partidos aliados ensaiem voos solos ou migrem para blocos de oposição.
O movimento estratégico envolve diretamente o deputado estadual Max Russi, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), e comandante do Podemos no estado, cujo nome figurava entre os cotados para a disputa majoritária.
A inclusão formal da legenda de Max Russi no bloco governista neutraliza um concorrente de peso e vincula o Legislativo ao projeto de reeleição. Além do Podemos, o arco de forças conta com o PSDB, o União Brasil e o Partido Progressistas (PP), este último mantido no grupo mesmo após recentes divergências internas em sua convenção.

O processo de aglutinação partidária estruturou-se por meio de reuniões políticas semanais coordenadas por Mauro Carvalho, nas quais foram traçadas as diretrizes programáticas e as táticas eleitorais do grupo governista. Essas articulações de bastidores foram aceleradas pela recente migração de prefeitos e lideranças municipais para o Republicanos, fortalecendo a capilaridade da sigla no interior. A construção da aliança baseou-se na oferta de participação ativa na futura gestão e no alinhamento de projetos de desenvolvimento regional.
A consolidação desse bloco político explica-se pela necessidade de conferir densidade eleitoral e capilaridade geográfica à candidatura de Otaviano Pivetta, unindo partidos de forte expressão municipalista. Em um estado com as dimensões de Mato Grosso, o apoio de prefeitos e de presidentes partidários influentes é considerado indispensável para garantir a vitória nas urnas.
O pacto busca também blindar a gestão estadual de desgastes políticos, assegurando uma base parlamentar sólida na Assembleia Legislativa Mato-grossense.
Embora Mauro Carvalho tenha dado como certa a aliança, o presidente do Podemos, Max Russi, adotou um tom diplomático e desconversou ao ser questionado pela imprensa sobre o apoio formal e imediato a Pivetta. Russi negou publicamente que sua legenda imponha condições, como a indicação da vaga de vice-governador, para integrar a chapa majoritária nas próximas eleições. O parlamentar ponderou que a escolha do vice compete exclusivamente ao candidato ao governo, embora tenha ressaltado que o Podemos possui quadros preparados.
A reviravolta no cenário partidário ganhou contornos de disputa pessoal após a destituição repentina de Mauro Carvalho da presidência do Partido da Renovação Democrática (PRD), ocorrida em março passado. A mudança no comando da sigla foi articulada pela deputada estadual Janaína Riva (MDB), que emplacou o ex-vereador Aluízio Lima Pereira na presidência.

Em resposta ao que chamou de “negociata”, Carvalho coordenou a debandada imediata de quatro prefeitos do PRD para o Republicanos, esvaziando a legenda adversária.
A migração dos prefeitos Rodrigo Luiz Benassi (Colíder), Gilmar Wentz (Querência), Sidnei Marques (Indiavaí) e Nei da Farmácia (Juara) alterou o equilíbrio de forças nos principais polos agrícolas do estado. Mauro Carvalho classificou a filiação em massa dos gestores municipais como um “banho na alma” e uma resposta política legítima à rasteira partidária sofrida. O secretário afirmou que a estratégia dos adversários “saiu pela culatra”, prevendo o isolamento total do PRD após o fechamento da “Janela Partidária”.
O desfecho dessa intensa movimentação de bastidores redefine as forças políticas em Mato Grosso, consolidando o grupo de Otaviano Pivetta como a força majoritária a ser batida. A capacidade de reação do chefe da Casa Civil transformou um revés partidário em uma demonstração de força que atraiu o Podemos e esvaziou legendas rivais.
O cenário atual projeta uma campanha polarizada, na qual a densidade do arco de alianças governistas testará a capacidade de articulação da oposição até a abertura oficial das urnas.
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