Política
Riva e Bosaipo vão ter de explicar pagamentos a empresas fantasmas
Juíza nega anulação de ação e Riva deve ser ouvido sobre desvio em junho
O ex-deputados estaduais e ex-presidentes da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT), acusados de corrupção, José Geraldo Riva e Humberto Bosaipo vão ter de prestar esclarecimentos, no dia 20 de junho, sobre as investigações de desvio de R$ 3,3 milhões da Assembleia Legislativa por meio de pagame3nto a empresas fantasmas. A decisão é da juíza Celia Regina Vidotti, titular da Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular que negou o pedido formulado pelas defesas dos réus para anulação da ação.
As defesas dos acusados alegam que não foi comprovada a ligação dos atos dos envesgados com o dano causado ao erário, que não houve qualquer ato ilícito nos pagamentos realizados à empresa W. Z. Kateri & Cia Ltda.
"Alegaram que a obrigação com a empresa W. Z. Kateri & Cia Ltda. foi finalizada no momento do pagamento dos serviços prestados, e que a transação comercial realizada entre a empresa e a Confiança Factoring Fomento Mercantil Ltda. são alheias às condutas dos requeridos”, diz trecho do documento.
A juíza deu parecer de que tais apontamentos não devem prosperar, visto que não se sustentam.
Além disso, a magistrada afirma ainda que “Como questão relevante de fato a ser comprovada neste processo está o desvio de recursos públicos mediante a emissão e assinatura de cheques da Assembleia Legislativa à empresa W.Z. Kateri & Cia Ltda., que nunca existiu no mundo fático e nunca comercializou qualquer produto ou serviço”.
Conforme consta nos autos, os envolvidos teriam desviado e se apropriado de recursos públicos do Poder Legislativo Estadual são: o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Geraldo Riva, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE/MT), Humberto Melo Bosaipo, Guilherme da Costa Garcia, Luiz Eugênio de Godoy, Nivaldo de Araújo, Geraldo Lauro, Nasser Okde, José Quirino Pereira e Joel Quirino Pereira.
O inquérito civil que investigou o caso foi instaurado em 2004 diante das informações e documentos enviados pela Justiça Federal, proveniente da “Operação Arca de Noé” deflagrado pela Polícia Federal em 2002.
Todos os envolvidos na ação apresentaram contestação alegando:
— A incompetência do Juízo para processar e julgar a ação
— A ilegitimidade do Ministério Público, uma vez que o legitimado para pleitear o ressarcimento de danos causados ou erário estadual seria o Estado de Mato Grosso
— A nulidade do procedimento instrutório, uma vez que o Ministério Público Estadual não pode conduzir diretamente investigações.
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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